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Somente assim haverá segurança pública real.

23 fevereiro 2022

Agente "infiltrado" e preso reforça ligação de empresário com a morte de líderes do PCC

David Moreira da Silva, de 38 anos, foi ouvido pela segunda vez na investigação do assassinato de Anselmo Bechelli Santa Fausta e Antonio Corona Neto.

SÃO PAULO | Thais Furlan, da Record TV

23/02/2022 

Preso na noite de domingo, quando descia do avião, o agente reforçou a ligação de empresários
com a morte dos lideres do PCC na capital paulista no final do ano - Imagem: Reprodução
O agente penitenciário David Moreira da Silva, de 38 anos, deu detalhes que associam o empresário Antônio Vinícius Gritzbach ao assassinato de Anselmo Bechelli Santa Fausta e Antonio Corona Neto. Os dois traficantes ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foram executados em dezembro do ano passado por Noé Alves Schaum, segundo a polícia. 

Durante seu segundo depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) de São Paulo, David disse que em setembro de 2021 estava em um bar no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, acompanhado por Noé, que era seu amigo de infância, quando encontrou Vinícius por acaso. 

Trecho do depoimento do agente penitenciário a que a Record TV teve acesso exclusivo REPRODUÇÃO
Segundo ele, o amigo teria se oferecido para trabalhar com o empresário em qualquer vaga que surgisse, pois ele tinha acabado de sair da cadeia, onde cumpriu pena por vários crimes. Na ocasião, eles teriam trocado números telefônicos.

Ainda de acordo com o depoimento, em dezembro — mês dos assassinatos — Noé contou que Vinícius havia oferecido um trabalho a ele, mas não especificou o que era. David afirma ainda que depois dos homicídios, dirigindo o carro utilizado no crime, Noé teria parado na frente de sua casa e comentado os assassinatos de Anselmo e Antônio, dizendo: "Você viu aquela fita lá do Tatuapé?”.

David também disse aos policiais que assim que soube que Noé havia sido morto pela facção criminosa associou a fala do amigo ao duplo assassinato. E, por isso, teria fugido com a sua família para outro estado. Ele disse que sentiu medo, apesar de não ter nenhum envolvimento com o crime.

Jornalismo da Record TV teve acesso, com exclusividade, ao depoimento

Mudança no rumo das investigações

David não citou em nenhum momento do seu depoimento o megainvestidor em criptomoedas Pablo Henrique Borges, de 27 anos, preso na quarta-feira (16), em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O agente foi segurança pessoal dele até 2020.

David disse que conheceu Vinícius enquanto fazia a escolta de Pablo, e ambos mantinham investimentos em criptomoedas.

Agente foi preso no domingo quando descia do avião

A polícia afirma que Vinícius apresentou clientes a Pablo, que seriam criminosos com interesse em lavar dinheiro ilícito investindo em bitcoins. Já Pablo afirmou em seu depoimento que nunca soube que investia para suspeitos, e que Vinícius apresentava esses clientes como empresários e comerciantes.

Segundo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Pablo, ele não  tem nenhuma ligação com os assassinatos. Ele ainda reforça que sua relação com Vinícius era apenas profissional, linha de investigação que ganha força dentro da polícia.

“O que a defesa espera, por um imperativo de Justiça, é que, antes mesmo da acareação prevista para quinta-feira (24), o delegado faça uma representação pela liberdade de Pablo. Até porque, com toda a espetacularização do caso, hoje Pablo corre risco de morte no sistema penitenciário”, afirmou Kakay.

Os advogados de Vinícius também negam que ele tenha alguma relação com o crime, e a defesa de David afirmou que ele não está envolvido de forma alguma nos homicídios.

Criminosos foram mortos em 27/12/2021

Fonte: R7

Caranguejo de maconha e dominó de cocaína: a curiosa coleção de fotos de apreensão de drogas no Brasil

Pesquisador alemão faz pesquisas rotineiras por imagens de entorpecentes.

Thais Carrança

23.fev.2022 às 10h00

Apreensão de drogas ou Seu Siriguejo, do desenho animado Bob Esponja? - Divulgação/PRE
SÃO PAULO | BBC NEWS BRASIL - Tudo começou em outubro de 2019, quando o pesquisador alemão das áreas de segurança, crime e relações civil-militares Christoph Harig se deparou com uma curiosa foto de uma apreensão policial realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais.

A imagem mostrava, perfeitamente enfileirados e acompanhados de um logotipo da PM mineira, 22 potes do creme de avelã Nutella, que haviam sido recuperados pela polícia após uma tentativa de furto a um supermercado no município de Patrocínio, região do Triângulo Mineiro.

"Alguém me alertou que esse tipo de foto era uma verdadeira tendência entre as polícias brasileiras, então criei o hábito de buscar e colecionar essas imagens, em parte para me divertir, mas em parte também pelo choque com o absurdo da guerra às drogas", conta Harig.

Morador de Hamburgo e atualmente pesquisador na Universidade de Tecnologia de Braunschweig, Harig estudou a política de pacificação das favelas cariocas em um PhD (nível de estudo equivalente ao doutorado brasileiro) realizado entre 2013 e 2017 no King's Brazil Institute, instituto dedicado ao estudo do Brasil, vinculado ao King's College de Londres.

Falante de português após ter estudado por um período em Lisboa, Harig passou alguns anos viajando ao Brasil com frequência por conta de sua dissertação sobre segurança pública no Rio.

Concluída a pesquisa, o estudioso agora mantém o vínculo com o país ao buscar periodicamente termos como "polícia encontra drogas" e "polícia apreende" no Google, exploração que sempre retorna material fresco para a coleção do acadêmico, que já conta com dezenas de imagens, em geral divulgadas pelas assessorias de imprensa das próprias polícias.

A foto que deu início à coleção do pesquisador alemão Christoph Harig, da Universidade de Braunschweig - Divulgação/PM
Entre as preferidas de Harig estão uma queda de dominó feita com pacotes de cocaína, resultado de uma apreensão realizada pela Polícia Rodoviária Federal; uma caveira desenhada com pílulas coloridas de ecstasy, obra de uma delegacia da Polícia Civil de Canoas, no Rio Grande do Sul; e um caranguejo vermelho bastante parecido com o personagem Seu Siriguejo, do desenho animado Bob Esponja, feito com tijolos de maconha e arquitetado pela Polícia Rodoviária Estadual do Paraná.

GUERRA ÀS DROGAS

"Dou aulas sobre a guerra às drogas e uso algumas dessas fotos para mostrar aos estudantes como ela está entranhada em todos os níveis da atividade policial", diz Harig.

"Guerra às drogas" é um termo que passou a ser usado na década de 1970, quando o então presidente americano Richard Nixon declarou em uma coletiva de imprensa que o uso de drogas ilegais era o "inimigo público número um" dos Estados Unidos.

Desde então, os EUA lideram uma campanha global de combate ao tráfico internacional de drogas, envolvendo proibição do uso e intervenções militares, com o objetivo de desincentivar a produção, distribuição e o consumo de entorpecentes.

"A guerra às drogas é um desperdício de energia e recursos e causa danos imensos à população, especialmente à população pobre e negra, que é tipicamente vítima das ações policiais feitas em nome dessa guerra", avalia Harig.

O pesquisador cita, por exemplo, os critérios que considera questionáveis para determinar quando uma pessoa é usuária ou traficante de drogas, e o encarceramento em massa decorrente dessa política.

'É bastante questionável que essas pequenas apreensões sejam apresentadas como um grande sucesso
 da guerra às drogas. Elas não mudam nada', diz Harig - Divulgação/PM

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo: 748 mil pessoas, segundo dados do Infopen, sistema de informações estatísticas do Depen (Departamento Penitenciário Nacional).

O país só está atrás dos Estados Unidos (2 milhões) e da China (1,7 milhão) na lista de nações que mais prendem do mundo, conforme o World Prison Brief, levantamento internacional de dados prisionais realizado pela ICPR (Institute for Crime & Justice Research) e pela Birkbeck University of London.

Algumas das fotos revelam, segundo Harig, a ineficiência da política de apreensão, com a exibição orgulhosa pela polícia de quantidades ínfimas de tóxicos.

"É bastante questionável que essas pequenas apreensões sejam apresentadas como um grande sucesso da guerra às drogas. Elas não mudam nada", afirma.

"Mesmo as grandes apreensões não mudam nada na questão estrutural do tráfico de drogas, mas é uma forma de a polícia mostrar aos outros departamentos de polícia e à população que está fazendo algo contra o crime, embora, na prática, isso faça muito pouca diferença."

Harig considera, porém, que é ingênuo acreditar que a liberalização do uso de drogas poderia, de maneira isolada, resolver o problema.

"Liberar as drogas não daria fim ao crime organizado", afirma o pesquisador.

Caveira desenhada com pílulas coloridas de ecstasy em uma delegacia da Polícia Civil
de Canoas (RS) - Divulgação/Polícia Civil
"Não há solução perfeita que resolva o problema de maneira imediata. Mas acredito que é preciso tratar as drogas como uma questão de saúde pública, como era antes de os Estados Unidos darem início à guerra."

Segundo ele, descriminalizar o uso de drogas, como fez Portugal em 2001, é importante para reduzir a violência nos países consumidores, mas não resolve o problema de violência ao longo da cadeia de produção.

"Defendo a liberalização das drogas com um forte controle estatal dos mercados. Mas é preciso levar em conta que, quando se tira um produto do controle do crime organizado, esses grupos tendem a buscar novos mercados para lucrar."

Ele cita, por exemplo, o caso da liberação do álcool nos Estados Unidos, após a proibição que vigorou entre 1920 e 1933, que levou o crime organizado local a ter como principal fonte de renda a extorsão de pequenos negócios.

Num caso mais recente, o Uruguai viu um aumento na violência entre traficantes, após o processo de legalização da maconha iniciado em 2013, devido à maior disputa entre as gangues por um mercado ilegal agora menor, concentrado no comércio de cocaína e drogas sintéticas.

A operação policial em Jacarezinho teve a participação de 1.300 policiais, cerca de 500
 da Polícia Civil e 800 da PM - Carl de Souza - 19.02.2022


'CIDADE INTEGRADA'

A partir de seus estudos sobre a política de pacificação em favelas cariocas, Harig vê com descrença o novo projeto de ocupação de comunidades iniciado pelo governo do Rio de janeiro no mês passado e batizado de "Cidade Integrada".

Numa ação com a participação de mais de mil homens, a polícia carioca ocupou na manhã de 19 de janeiro as comunidades de Jacarezinho e Muzema, nas zonas norte e oeste do Rio, respectivamente.

O governador Cláudio Castro (PL) foi acusado por críticos de fazer a ação de olho nas eleições de outubro e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), disse não ter sido informado previamente das ocupações.

Integrantes de um grupo de operações especiais da Polícia Civil patrulham ruas do Jacarézinho,
no Rio de Janeiro - Carl de Souza-19.02.2022/AFP
"A reação de Eduardo Paes já sugere que se trata de uma ação de marketing visando as eleições e não uma ação coerente, que exigiria a atuação coordenada de todos os atores", avalia Harig.

"Isso também foi um problema nas UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora, programa de ocupação de favelas iniciado em 2008 no Rio] e parecem apenas estar repetindo o passado, sem aprender com os erros", afirma.

Na avaliação do pesquisador, a abordagem "de cima para baixo" das políticas de ocupação, feitas sem a participação de organizações da sociedade civil, não atende às demandas da população por mais e melhores serviços públicos.

A BBC News Brasil procurou o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Militar do Rio para comentar as críticas de Harig ao programa "Cidade Integrada".

Oito  meses após ter vivido a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, o Jacarezinho
 acordou com agentes das polícias Civil e Militar nas ruas - Carl de Souza -19.02.2022/AFP
O governo do Rio respondeu que o programa foi criado "para levar cidadania, oportunidades e segurança para as comunidades", num investimento de R$ 500 milhões.

Ainda segundo o governo, "um dos pilares do programa é o diálogo com as lideranças comunitárias, e elas têm sido constantemente ouvidas sobre as prioridades para esses locais".

A gestão cita ainda que já foram feitos 6,5 mil atendimentos à população, entre emissão de documentos, banco de emprego, ações de saúde, orientação para regularização de imóveis e atrações culturais no Jacarezinho e na Muzema.

Quanto à declaração do prefeito Eduardo Paes de que ele não teria sido informado previamente da operação, o governo de Claudio Castro respondeu que "a Prefeitura do Rio é uma grande parceira do Governo do Estado no programa Cidade Integrada e tem trabalhado no recolhimento do lixo —um problema crônico dessas áreas—, conserto de buracos, limpeza de caixas de ralo e construção de caixas de contenção, entre outros serviços".

'Sextou', diz apreensão de drogas da polícia de Itu (SP), mais uma das fotos da coleção de Christoph Harig - Divulgação

MILITARES NA POLÍTICA

Em um artigo publicado em 2012 sobre o crescente uso das Forças Armadas nas políticas de segurança pública no Brasil, Harig levantava preocupações quanto ao estado da supremacia civil sobre os militares, diante do passado autoritário do país.

Dez anos depois, o pesquisador avalia que o governo de Jair Bolsonaro (PL) é um governo controlado pelos generais.

"A consequência de três anos de governo Bolsonaro é que, aconteça o que acontecer nas próximas eleições, os militares estão ganhando", avalia Harig.

"Caso Bolsonaro se reeleja, eles ainda controlarão o governo. Se Sergio Moro vencesse, muitos generais continuariam a ter influência nesse governo, mantendo os privilégios militares. E mesmo se Lula vencer, os militares têm uma posição tão forte no momento que ele terá que barganhar com os generais para governar. Então não espero que os militares percam nem um pouco de seus poderes e privilégios no próximo governo", diz o pesquisador.

Para o estudioso, a Argentina é um exemplo bem-sucedido de país com passado autoritário que conseguiu efetivamente afastar os militares da política pouco depois da ditadura militar por lá.

E qual é o caminho, segundo Harig?

"Os políticos civis precisam parar de buscar soluções militares para problemas que podem ser solucionados por instituições civis. No Brasil, os militares reformam pistas de aeroportos, distribuem água aos afetados pela seca no Nordeste. Quando recebem esse tipo de tarefas, fica fácil para os militares se apresentarem como uma instituição confiável, incorruptível. Os políticos precisam reduzir as oportunidades para os militares manterem essas narrativas."

Fonte: Folha de São Paulo/BBC Brasil

21 fevereiro 2022

Um infiltrado a menos: Polícia de SP prende segurança de hacker por participação no assassinato de Cara Preta

Agente penitenciário preso neste domingo seria segurança do empresário Pablo Henrique Borges, detido por agentes da 38º DP (Brás de Pina) em uma mansão em Angra dos Reis. 

Por Leslie Brandão e César Menezes, TV Globo — São Paulo

20/02/2022

David Moreira da Silva, agente penitenciário e segurança de Pablo Henrique Borges e suspeito
de ter contratado o assassino de Cara Preta
Segundo a polícia, segurança e empresário teriam participado do assassinato de um traficante internacional e de seu motorista.

Policiais do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHHP) e agentes da Policia Federal prenderam neste domingo (20) mais um suspeito de participar das execuções de chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais facções criminosas do país, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, no dia 27 de dezembro, os mortos foram Anselmo Bechelli Santa Fausta, de 38, conhecido como "Cara Preta", e Antônio Corona Neto, o "Sem Sangue", 33.

Segundo os policiais, o agente penitenciário David Moreira da Silva, preso neste domingo em São Paulo, era segurança de Pablo Henrique Borges, investidor de criptomoedas detido na semana passada em uma mansão em Angra dos Reis. 

Agora, são três presos pelo duplo homicídio em dezembro.

O suposto executor teria sido contratado por David Moreira da Silva, e ele foi morto pelo próprio crime organizado. Identificado como Noé Alves Schaun, um ex-presidiário, que saiu da cadeia em julho, ele foi decapitado, e sua cabeça foi deixada em uma praça do bairro do Tatuapé. De acordo com as investigações, ele teria sido contratado para “matar um agiota” e executou a dupla sem saber que, na verdade, estava atirando em um dos maiores traficantes do país.

Pablo Henrique Borges estava hospedado em uma casa de luxo em uma ilha de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense Foto: Reprodução

Suspeitos de envolvimento no caso “Cara Preta”

Dos cinco suspeitos com prisão decretada pela Justiça, três também são investidores do mercado financeiro, empresários de vários ramos, envolvidos com lavagem de dinheiro do PCC e de outros criminosos, alguns usando inclusive criptomoedas, segundo a investigação. São eles Robinson Moura, Rafael Maeda, o “Japa”, e Danilo Lima, além do agente penitenciário David Oliveira, que teria contratado o executor da dupla e recebido R$ 100 mil pelo serviço. Todos seguem foragidos.

David é amigo de infância de Vinícius e Pablo - ambos negam estarem envolvidos nas mortes.

Pablo Henrique Borges deve ser trazido para a capital paulista nesta segunda-feira (21). A chegada no Campo de Marte, segundo os policiais, deve ocorrer por volta das 12h, em um helicóptero da Policia Civil.

O advogado Rodrigo Fonseca, que defende David, afirmou que seu cliente é inocente das acusações.

"Quem se rende espontaneamente se não fosse inocente? Até o presente momento, inexiste indício suficiente para incriminar o meu cliente. O último contato do meu cliente com o Pablo , tão somente ocorreu no ano de 2020, pois David prestava serviço como segurança pessoal. Meu cliente, espontaneamente autorizou a quebra do sigilo bancário e de seu telefone, o que demonstra sua boa-fé", disse o advogado Rodrigo.

Anselmo Becheli Fausta, o Cara Preta e seu braço direito,  Antonio Corona Neto, o Sem Sangue,
eles foram executados a mando de investidor e hacker segundo a polícia de São Paulo

Prisão em mansão

Policiais da 38ª DP (Brás de Pina) prenderam, na manhã da última quarta-feira (16), o investidor em criptomoedas Pablo Henrique Borges, de 28 anos.

Segundo investigações da polícia, ele é suspeito de ter participado de um esquema financeiro que causou um prejuízo de R$ 400 milhões em contas bancárias de terceiros.

Ele também é apontado pelas autoridades como um dos mandantes do assassinato do traficante internacional Anselmo Becheli Fausta, morto no dia 27 de dezembro do ano passado.

Pablo foi detido quando estava em uma mansão localizada em Angra dos Reis, Costa Verde do litoral fluminense. Pelo aluguel do imóvel, ele pagava uma diária de R$ 15 mil.

Vídeo da prisão de Pablo em 16/02/2022

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que Pablo e sua empresa - a E-Price Capital Participações - funcionavam como braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais facções criminosas do país. Pablo arrecadava a verba por meio de lavagem da criptomoeda bitcoin.

Segundo investigadores, Pablo vinha sendo monitorado pelo setor de inteligência da delegacia. Na terça-feira (15), uma operação da Polícia Civil de São Paulo fez uma operação de busca e apreensão na mansão onde Pablo morava, no Morumbi, região nobre da capital paulista.

No local, os agentes encontraram e apreenderam um Porsche Taycan, passaportes e documentos - tanto de Pablo quanto de sua mulher, a influenciadora digital Marcella Portugal Borges.

Ainda segundo investigação da Polícia Civil, Pablo seria um dos mandantes da morte de Anselmo Bechelli. O agente financeiro teria investido R$ 100 milhões do traficante, que seria membro do PCC. O dinheiro, no entanto, desapareceu, o que teria gerado desentendimento entre eles e a ordem para o assassinato.

Pablo Henrique Borges foi preso em outubro de 2018 na Operação Ostentação - Imagem: Reprodução G1

Esquema milionário

O esquema funcionava da seguinte maneira: Pablo e seus comparsas ofereciam, via redes sociais e mensagens de WhatsApp, pagamentos de boleto com 50% de desconto.

Os interessados repassavam metade do valor para o grupo. Logo em seguida, os criminosos quitavam o boleto por meio da invasão de contas de clientes de bancos.

Na lista de clientes - formada tanto por empresas quanto por pessoas físicas - havia centenas de interessados em pagar contas pela metade do valor. Entre os boletos pagos, havia débitos de IPVA, celular, ISS e TV por assinatura.

Ainda de acordo com a investigação da polícia paulista, a quadrilha causou um rombo de R$ 400 milhões, lesando 23 mil contas.

O esquema era possível graças a um sistema de roubo de senhas desenvolvido por um programador de Goiás.

Veículos de luxo apreendidos em operação em São Paulo — Foto: Divulgação/Deic

Vida luxuosa

Pablo já havia sido preso uma vez em 2018, na Operação Ostentação. Após passar apenas dois dias na cadeia, ele aceitou fazer um acordo para auxiliar as autoridades na investigação em troca de permanecer em prisão domiciliar.

Segundo a polícia, o esquema possibilitou que Pablo experimentasse uma escalada financeira incomum.

Até 2012, ele era apenas um jovem morador da Região Metropolitana de São Paulo que vivia da instalação de computadores.

Carros de luxo deixam casa de preso em operação do Deic em SP — Foto: Abraão Cruz/TV Globo
Em pouco tempo, ele passou a viver em uma mansão. O suspeito tinha um gosto particular por carros italianos de alto luxo - possuía uma Maserati, uma Lamborghini e duas Ferraris.

Pablo também costumava se deslocar de helicóptero.

Além disso, em 2017 alugou um iate pelo qual pagou diária de 42 mil euros para poder assistir O Grande Prêmio de Fórmula 1, no Principado de Mônaco.

Fonte: G1

20 fevereiro 2022

Rebelião deixa ao menos quatro mortos na Penitenciária Lemos de Brito em Salvador/BA, vídeos

Caso acontece na tarde deste domingo (20). Sindicato dos Servidores da Polícia Penal do Estado da Bahia (Sinsppeb), houve quatro mortes entre os detentos. Governo não confirma.

Beatriz Araújo/BNews 

Publicado em 20/02/2022

A rebelião ocorreu na tarde deste domingo (20), no Complexo Penitenciário localizado no bairro da Mata Escura
Uma rebelião deixou pelo menos quatro detentos mortos na Penitenciária Lemos de Brito, em Salvador, na tarde deste domingo (20). Informações iniciais apontam que detentos utilizaram armas brancas, além de uma arma de grosso calibre, para atirar contra os agentes do Complexo Penitenciário localizado no bairro da Mata Escura, em Salvador. Policiais penais e militares atuam para tentar conter a ação realizada por um grupo de presidiários no Módulo 2 da unidade prisional.

Penitenciária segundo presidente do Sindicato dos Policiais Penais é uma tragédia anunciada
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Penais (SINSPEB), Reivon Pimentel, a rebelião é uma tragédia anunciada. "Essa tragédia que está acontecendo tem que ser colocada na conta da Superintedência de Gestão Prisional porque a gente vem denunciando isso há anos", aponta. 

Veja vídeo produzido e transmitido por detentos da U.P

Para Reivon, além da Superintendência de Gestão Prisional, a Polícia Militar da Bahia (PMBA) também é responsável pela rebelião ter ocorrido. "Eu não sei o calibre da arma que eles portavam na hora de cometer os assassinatos ou tentar contra os policiais penais, mas pela fragilidade na segurança da Penitenciária Lemos de Brito, que é a maior do complexo, pode ser até que aja arma longa lá dentro, como fuzil, metralhadora. Então, foi uma tragédia anunciada e que o sindicato já denunciou e responsabiliza a Superintendência de Gestão Prisional pela inércia em resolver o problema", aponta.

"Existem falhas na estrutura da unidade e falhas na segurança, que deveria ser feita pela Polícia Militar, porque a segurança perimetral é de responsabilidade da Polícia Militar e não da Polícia Penal", informou, em entrevista ao BNews.

Familiares protestam

Familiares de detentos fazem protesto na frente do presídio — Foto: Muller Nunes/TV Bahia
O presidente mencionou ainda os recorrentes casos onde materiais como armamentos e drogas são lançados para dentro das dependências do presídio. "Se os meliantes adentram o complexo, se chegam próximo às unidades prisionais e arremessam, ou introduzem, armas e qualquer tipo de ilícito, a responsabilidade é da Polícia Militar", afirmou.

Ainda segundo o presidente do SINSPEB, o ato teria sido motivado por uma briga de facção e guarda de poder.

Policiais do BOPE entram no presídio para impor a disciplina

Policiais entram em presídio para conter rebelião 

Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar da Bahia (Bope/PM-BA) entraram na penitenciária Lemos Brito, no bairro da Mata Escura, em Salvador, na tarde deste domingo (20), para conter a rebelião na unidade, que deixou pelo menos quatro mortos e outros feridos.

Vídeo da imposição da Disciplina


Fonte: BNews

Polícia Penal de Santa Catarina terá Grupo de Operações Aéreas (GOA); e SP afunda o que seria sua Policia Penal

O Departamento de Polícia Penal de Santa Catarina receberá um reforça: foi anunciada a criação de um Grupo de Operações Aéreas (GOA) para a instituição.

Jacqueline Iensen

Assessoria de Imprensa

20 de fevereiro de 2022

Brasão do novo Grupamento já está definido pela SAP, grande avanço para a Polícia Penal do estado de Santa Catarina
A novidade foi divulgada pelo secretário de Administração Prisional e Socioeducativa, Leandro Lima, na última quinta-feira (17). 

Formado por seis policiais penais, o GOA foi instituído para dar suporte à atividade policial nas mais diversas áreas, como escoltas de alta complexidade, transporte de equipes de intervenção tática prisional, suporte aéreo em operações de intervenção, recapturas, segurança do perímetro de unidades prisionais, entre outras.

“O GOA começou a ser estruturado no ano passado e consolidamos a criação do grupo agora com a realização do pregão eletrônico para a locação de uma aeronave de asa fixa, com capacidade para transportar nove operadores, além do piloto e copiloto”, disse Leandro Lima.

O secretário destacou ainda que responder a uma ocorrência de forma rápida é decisivo no sistema prisional e no socioeducativo. “O cenário de uma crise pode evoluir para uma situação de maior gravidade, caso ele não seja resolvido logo no início”, observou.

Grupamento foi formado para dar suporte ao Sistema Prisional e Socioeducativo em Santa Catarina
Além de agilidade no transporte de operadores para atender ocorrências em locais distantes, o GOA vai incrementar os procedimentos de segurança, principalmente em escoltas de alta complexidade.

“Atualmente usamos a aviação comercial para o transporte de presos de alta periculosidade, mas isso não é o ideal porque envolve muitos riscos. Com o GOA teremos ainda mais segurança para escoltar líderes do crime organizado quando são transferidos para unidades federais, por exemplo”, disse.

O diretor do GOA, Fabio Kinczeski, enfatizou a importância de garantir a integridade física e mental dos operadores que estão em deslocamento para uma ocorrência.

“Nosso estado é grande e a equipe de intervenção está baseada na Grande Florianópolis. No caso de uma ocorrência no Oeste, por exemplo, os operadores da equipe tática podem chegar ao destino extremamente desgastados para intervir em uma situação demasiadamente complexa, o que potencializaria os riscos da missão e as chances dos operadores da equipe incorrerem em erros que, nesse tipo de ação policial, podem ser fatais”, concluiu.

Kinczeski disse ainda que logo após o início das operações do GOA haverá processo seletivo via Acaps para piloto, copiloto, operadores aerotáticos, mecânico e apoio de solo para servidores efetivos.

Fonte: Assessoria de Imprensa Secretaria da Administração Prisional e Socioeducativo (SAP)

Contraponto: 

Enquanto isso em São Paulo, desvalorizações, desrespeito e opressão sobre os Servidores do Sistema Penitenciário, chegando ao cúmulo de além de ter um Secretário que não é oriundo do chão do cárcere, e acha que sabe e conhece, mas que está apenas ocupando espaço e recebendo pró-labore altíssimo, sem nada fazer de concreto, pouco preocupado as legítimas necessidades do Sistema, e totalmente estranho aos servidores e suas dificuldades.

Que se soma ao um governo privatista e que nada trouxe de útil a sociedade paulista, a não ser aumento do custo de vida, de impostos, taxas e serviços, sem contar nas precarizações para população como um todo, e que é contra a aprovação e criação da Instituição Polícia Penal de São Paulo, e seu consequente Departamento de Polícia Penal, mesmo estando esta já sancionada e promulgada pelos Congresso Federal em Brasília, já há mais de 02 anos, por objetivos desconhecidos e escusos, e com fins financeiros, que visam a destruição e privatização de todo o Sistema Penitenciário em terras paulistas. 

E chegamos a ter que presenciar anomalias de publicações da SAP em proibir servidores até mesmo de fazer uso de camisas que façam menção a Polícia Penal, verdadeiro ataque a luta de todos os servidores que trabalharam e perseguiram tal aprovação em Brasília, após quase 20 anos de luta incansável, de perdas pelo caminho, de viagens longas e desgastantes, mas que hoje tudo não passam de história,  e que não as esqueceremos. 

E tenho certeza, saberemos dar as respostas aos atuais mandatários na melhor hora, e continuar a trabalhar para que seja de fato aprovada na Alesp, que seja instituída e enfim se torne uma realidade, para os quase 40.000 servidores do Sistema e também nas mais de 170 Unidades Prisionais do estado.

Em homenagem a todos aqueles que estiveram na Luta pela aprovação da Polícia Penal no Brasil,  naqueles, que no dia a dia nas UPs, resistem em trabalhar de forma honesta, digna e profissional, coloco abaixo o poema Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, 

Creio que retrata bem as nossas lutas, desafios, insistência, além da nossa incansável determinação em combater a tudo e a todos que visam a precarização, o desrespeito, a não valorização e a covardia com que atacam os valorosos profissionais do Sistema Prisional:

Canção do Tamoio

Não chores, meu filho;
 Não chores, que a vida
 É luta renhida:
 Viver é lutar.
 A vida é combate,
 Que os fracos abate,
 Que os fortes, os bravos
 Só pode exaltar.

         II

 Um dia vivemos!
 O homem que é forte
 Não teme da morte;
 Só teme fugir;
 No arco que entesa
 Tem certa uma presa,
 Quer seja tapuia,
 Condor ou tapir.

         III

 O forte, o cobarde
 Seus feitos inveja
 De o ver na peleja
 Garboso e feroz;
 E os tímidos velhos
 Nos graves conselhos,
 Curvadas as frontes,
 Escutam-lhe a voz!

        IV

 Domina, se vive;
 Se morre, descansa
 Dos seus na lembrança,
 Na voz do porvir.
 Não cures da vida!
 Sê bravo, sê forte!
 Não fujas da morte,
 Que a morte há de vir!

         V

 E pois que és meu filho,
 Meus brios reveste;
 Tamoio nasceste,
 Valente serás.
 Sê duro guerreiro,
 Robusto, fragueiro,
 Brasão dos tamoios
 Na guerra e na paz.

        VI

 Teu grito de guerra
 Retumbe aos ouvidos
 D’imigos transidos
 Por vil comoção;
 E tremam d’ouvi-lo
 Pior que o sibilo
 Das setas ligeiras,
 Pior que o trovão.

         VII

 E a mãe nessas tabas,
 Querendo calados
 Os filhos criados
 Na lei do terror;
 Teu nome lhes diga,
 Que a gente inimiga
 Talvez não escute
 Sem pranto, sem dor!

         VIII

 Porém se a fortuna,
 Traindo teus passos,
 Te arroja nos laços
 Do inimigo falaz!
 Na última hora
 Teus feitos memora,
 Tranquilo nos gestos,
 Impávido, audaz.

         IX

 E cai como o tronco
 Do raio tocado,
 Partido, rojado
 Por larga extensão;
 Assim morre o forte!
 No passo da morte
 Triunfa, conquista
 Mais alto brasão.

         X

 As armas ensaia,
 Penetra na vida:
 Pesada ou querida,
 Viver é lutar.
 Se o duro combate
 Os fracos abate,
 Aos fortes, aos bravos,
 Só pode exaltar.

Gonçalves Dias