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24 abril 2026

Mais 04 anos e Tarcísio quebra a SAP: Superlotação atinge maioria dos presídios do Oeste e Centro-Oeste paulista; vídeo

03 Unidades Prisionais do Oeste Paulista se encontram com população carcerária acima de 90% de suas capacidades, familiares reclamam e Defensoria Pública denuncia que não existe a ressocialização.

Tem Notícias 2ª Edição - Bauru/Marília

24/04/2026

Na Unidade Prisional de Getulina segundo denúncias em celas que comportam em média
10 presos, abrigam atualmente devido a superlotação 35 sentenciados cada uma delas- Imagem: Reprodução
Um levantamento do TN2 revela que 38 das 44 unidades prisionais de regime fechado do oeste e centro-oeste paulista operam acima da capacidade, com 23 mil presos a mais do que o sistema comporta. O cenário preocupa familiares, mobiliza a Defensoria Pública e expõe o desafio da ressocialização diante da superlotação.

Falta de higiene, má qualidade da alimentação e superlotação são algumas da reclamações mais frequentes de familiares e autoridades da Defensoria Pública.

Cresce o número de presos em São Paulo

Fonte: G1

Justiça condena Estado de SP por tortura em Semiaberto de Pres. Prudente em decisão inédita; e multa de R$258 mil

Exames apontaram lesões em 14 detentos e levaram à condenação do Estado de São Paulo por tortura coletiva. Decisão é considerada inédita e fixou indenização coletiva em R$ 258 mil.

Por Beatriz Jarins, Stephanie Fonseca, g1 Presidente Prudente e Região

24/04/2026 

Defensoria gravou presos feridos um dia depois de ação do Grupo de Intervenção Rápida
A condenação recente do Estado de São Paulo para a indenização coletiva de R$ 258 mil ocorreu após comprovação de lesões corporais sofridas por 14 detentos do Anexo de Semiaberto da Penitenciária de Presidente Prudente (SP), em 2015.

Proferida pela 1ª Vara da Fazenda Pública em abril deste ano, a sentença atende a uma ação civil pública da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Na decisão, a Justiça também destacou inconsistências no Relatório Informativo de Operação, elaborado pelo Grupo de Intervenção Rápida (GIR).

Conforme a sentença, as agressões aos detentos foram registradas em 28 de setembro de 2015. No entanto, o relatório sobre a operação foi elaborado apenas sete meses depois, em 12 de abril de 2016, e o documento ainda sofreu modificação em 19 de agosto do mesmo ano.

Segundo a Justiça, a demora para a elaboração do relatório compromete significativamente a confiabilidade das informações registradas. "A elaboração tardia de registro administrativo, desacompanhada de justificativa plausível, fragiliza a presunção de legitimidade e veracidade", pontua a decisão.

Início da investigação

A operação foi determinada por um juiz após um preso relatar ameaças de outros detentos, que o acusavam de pretender denunciá-los por posse de facas e celulares.

Com base apenas nesse depoimento, e sem investigação prévia, o GIR foi acionado e não encontrou os objetos, segundo a decisão. O próprio Grupo de Intervenção Rápida informou que não houve resistência dos presos. Os detentos apontados acabaram absolvidos.

Já os arquivos analisados pela Justiça reúnem informações e documentos que expõem a intimidade dos presos. Entre os registros, constavam relatos de humilhações, agressões e sofrimentos de natureza extremamente pessoal, além de laudos periciais.

Enquanto o Estado de São Paulo alegou em sua defesa que a ação do GIR foi legítima e pautada pelo uso proporcional da força, o conjunto de provas analisado pela Justiça apontou o contrário.

Preso cadeirante ferido na perna durante ação em presídio de Presidente Prudente - Imagem: Reprodução/Defensoria

Agressões sofridas

No caso, os laudos de exame de corpo de delito atestaram que 14 detentos sofreram lesões corporais de natureza leve, todas provocadas por "agente contundente". A quantidade de vítimas e a similaridade das lesões em um mesmo episódio reforçaram que não se tratou de uma situação isolada.

Conforme a decisão, as situações "indicam uma ação violenta generalizada e padronizada, incompatível com o uso diferenciado e proporcional da força".

De acordo com a ação, cerca de 240 presos foram submetidos a uma revista geral sob violência física e psicológica durante aproximadamente duas horas e meia. Ainda segundo o relato, cerca de 40 agentes do GIR teriam ingressado no local sem enfrentar resistência.

Além disso, de maneira considerada desproporcional, os agentes proferiram xingamentos, desferiram socos, chutes e golpes com cassetetes, inclusive com uso do chamado "corredor polonês", além de dispararem balas de borracha.

Entre os feridos estavam um idoso e um cadeirante, com lesões nas costas e nádegas. Ao final da operação, nenhum preso foi acusado de falta grave, tendo sido apreendidos apenas objetos como cachimbos artesanais, baralhos e uma moeda.

Defensoria gravou presos feridos um dia depois de ação do GIR

Decisão

A juíza responsável pelo caso destacou que a atuação extrapolou os limites legais e violou a integridade física e moral de pessoas sob custódia estatal, o que configura responsabilidade objetiva do Estado.

Diante dos fatos e análise das circunstâncias concretas, a Justiça decretou, por meio da Ação Civil, que o Estado foi condenado a pagar a indenização de R$ 258.115, pela extrema gravidade dos fatos e natureza institucional da violência.

O valor da indenização será revertido ao Fundo de Interesses Difusos (FID), voltado a políticas públicas de caráter coletivo.

A decisão é considerada inédita por ser a primeira ação com condenação indenizatória coletiva proposta pela Defensoria Pública por tortura em presídio. O episódio também foi internacionalizado e é apontado como o primeiro caso aceito pelo Comitê contra a Tortura da ONU contra o sistema prisional brasileiro.

Para a Justiça, a condenação tem dupla função: reparar o dano causado à coletividade e atuar de forma pedagógica, desestimulando a repetição de condutas semelhantes por agentes públicos.

Ao g1 e à TV TEM, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou, nesta sexta-feira (24), que o Estado de São Paulo ainda não foi intimado da decisão.

Segundo consta no documento, o Estado pode recorrer da decisão em até 15 dias úteis, a contar a partir da data da publicação, em 8 de abril deste ano.

Fonte: G1

Privatiza que melhora: Terceirizados de Penitenciária no PR cobravam R$ 10 mil para entrada de celulares em celas; vídeo

Quatro pessoas foram presas. Luiz Carlos Ferreira Drehmer, o principal suspeito, segue foragido.

Por Bruno Fernandes, g1 PR e RPC Foz do Iguaçu

24/04/2026

43 celulares foram apreendidos durante operação - Foto: Polícia Civil do Paraná
Quatro pessoas foram presas em uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de corrupção dentro da Cadeia Pública de Pato Branco, no sudoeste do Paraná. Segundo a investigação, terceirizados da unidade cobravam até R$ 10 mil via Pix de cada preso para permitir a entrada ilegal de celulares.

O principal suspeito, Luiz Carlos Ferreira Drehmer, de 38 anos, está foragido. A identidade dos demais envolvidos e presos não foi divulgada.

A ação foi realizada na manhã desta quinta-feira (23) e cumpriu quatro mandados de prisão e 21 de busca e apreensão.

Suspeito Luiz Carlos Ferreira Drehmer, de 38 anos, apontado como principal envolvido
no esquema segue foragido - Foto: Polícia Civil do Paraná
Os alvos incluem monitores de ressocialização prisional, detentos e familiares envolvidos no esquema. Com um dos suspeitos foram apreendidos 43 celulares.

“É uma investigação que apura a entrada irregular de celulares no Depen de Pato Branco. Identificamos um monitor que recebia valores de presos e familiares e, em troca, levava aparelhos para dentro da cadeia. O valor chegava a R$ 10 mil por celular”, explicou a delegada Aline Simadon.

A investigação, conduzida pelo Núcleo de Investigações Qualificadas (NIQ) da 5ª Subdivisão Policial, começou após denúncia do próprio Departamento de Polícia Penal (Depen-PR).

A polícia teve acesso ao extrato bancário dos envolvidos no esquema e identificaram que, em apenas uma das contas, foi movimentado mais de R$ 90 mil. Segundo a investigação, o esquema teve início em 2025.

Quatro suspeitos são presos por faciliar acesso de presos a celulares

Os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, facilitação da entrada de aparelhos de comunicação em unidade prisional e associação criminosa.

A operação, batizada de “Repugna”, contou com o apoio do Depen-PR, do Núcleo de Operações com Cães e de equipes policiais da região Sudoeste.

Fonte: G1/PR

22 abril 2026

Ex-cabo da Rota é principal suspeito de vazar informações sigilosas ao PCC

Um cabo que atuou na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é o principal alvo de um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas de operações da Polícia Militar para narcotraficantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Josmar Jozino

Colunista do UOL

21/04/2026

Policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) de São Paulo - Imagem: Danilo Verpa/Folhapress
Segundo as investigações, mantidas em segredo de Justiça, o cabo atuava na agência de inteligência da Rota. Denúncias feitas à PM apontam que o militar foi o que mais repassou informações sobre ações policiais aos grandes traficantes de drogas do PCC.

Ainda de acordo com a denúncia recebida pela PM, foram beneficiados com o vazamento das informações os narcotraficantes assassinados Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, Cláudio Marcos de Almeida, o Django, e Sílvio Luiz Ferreira, o Cebola, este último foragido da Justiça.

Os três criminosos eram acionistas da empresa de ônibus UPBUs, da zona leste, alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado), órgão do MP-SP (Ministério Público Estadual), por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.

Proibido de frequentar o quartel

As denúncias indicam ainda que o cabo protegia os negócios e os interesses dos criminosos. Ele também é suspeito de participar de festas na casa de integrantes do PCC em uma cidade do interior paulista, onde os frequentadores andavam de moto aquática em um rio próximo.

Por causa das suspeitas de ter vazado as informações, o cabo foi desligado da agência de inteligência e transferido para outro departamento da Polícia Militar. Ele também foi proibido de circular no quartel da Rota.

O então cabo da PM, foi proibido de circular no Quartel, cujo Prédio da Rota se localiza na
região da Luz, Centro da cidade de São Paulo — Foto: Divulgação/Rota/Facebook

A Justiça Militar mandou abrir um novo IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar se foi o cabo quem vazou ao PCC, por R$ 5 milhões, um áudio com o teor da conversa de um informante com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um policial penal e PMs no quartel da Rota. O cabo e mais seis militares são investigados.

O outro IPM havia sido instaurado em outubro de 2024, mas acabou arquivado e tinha como alvo principal o cabo e os outros seis policiais militares que atuaram no serviço de inteligência da Rota. Um deles está preso no Presídio Militar Romão Gomes.

A reunião com o informante aconteceu em 6 de outubro de 2021. Ele foi ouvido por Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente. Um policial penal da mesma região, da estrita confiança do promotor de Justiça, acompanhou a conversa, assim como alguns PMs da Rota.

O MP-SP e a Corregedoria da Polícia Militar apuraram que o PCC pagou R$ 5 milhões para ter acesso ao áudio. O vazamento das informações sigilosas impediu as prisões dos narcotraficantes ligados ao PCC e de líderes da organização criminosa. Até agora ninguém sabe quem recebeu o dinheiro.

Fonte: UOL

Vídeo: Jornal da Band

Foragido há cinco meses, policial penal de Marília/SP segue sem receber salários

Acusado de tentativa de homicídio o policial penal Gilson Junior dos Santos pode ser demitido por abandono de cargo.

POR ALCYR NETTO

21/04/2026

Individuo que já seria um desafeto antigo de Gilson, provocou de todas as maneiras o
 polícial penal dentro do supermercado - Imagem: Reprodução
O policial penal Gilson Junior dos Santos, de 50 anos, permanece foragido da Justiça há mais de cinco meses, acusado de tentar matar um vizinho a dentro de um supermercado no bairro Palmital, zona norte de Marília. Ele está com o pagamento dos salários bloqueado.

A Polícia Penal do Estado de São Paulo confirmou a medida administrativa e informou que o servidor responde a um processo que pode resultar em demissão. Desde 16 de novembro de 2025 — dia seguinte ao tiroteio no interior do estabelecimento — Gilson não comparece ao posto de trabalho na unidade prisional de Getulina.

O  policial penal Gilson junior dos Santos foi indentificado como sendo o atirador - Imagem: Redes Sociais
Diante da ausência prolongada, a Polícia Penal informou, em nota recente, que “não houve pagamento de salários ao servidor, tendo em vista que foi solicitado o bloqueio administrativo dos vencimentos em razão da ausência de efetivo exercício.” 

Além de responder na esfera criminal, o agente enfrenta consequências administrativas. A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que a apuração disciplinar está em andamento e que, ao final do processo, podem ser aplicadas penalidades previstas em lei, “inclusive eventual demissão por abandono de cargo.”

Policiais militares chegaram ao local poucos minutos após o crime Imagem: Carlos Rodrigues/Marília Notícia

Tentativa de homicídio

A tentativa de homicídio foi registrada na noite de 15 de novembro de 2025, em um supermercado localizado na avenida República, na zona norte de Marília. Gilson efetuou três disparos contra o vizinho, Johnny da Silva Sarmento, que foi atingido no abdome e nas costas.

Imagens de câmeras de segurança registraram pânico entre clientes e funcionários. Após os disparos, o policial penal ainda teria chutado a vítima, que já estava caída, antes de fugir de carro. Johnny foi socorrido em estado grave e submetido a cirurgia de urgência no Hospital das Clínicas de Marília. O crime teria sido motivado por uma rixa antiga entre os vizinhos, que acumulavam mais de 10 anos de desentendimentos e ameaças mútuas.

Jonny Silva Sarmento, de 35 anos, foi baleado três vezes, sendo duas no abdômen
e uma nas costas, no interior do supermercado – Reprodução/Redes Sociais

Denúncia do MP

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou o policial por tentativa de homicídio qualificado, com quatro agravantes: motivo fútil, perigo comum (devido ao uso de arma de fogo em local com intensa circulação de pessoas), recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito, uma pistola nove milímetros.

A Justiça decretou a prisão preventiva de Gilson, mas as diligências para localizá-lo não tiveram sucesso até o momento.

Vídeo da ocorrência dentro do supermercado

Outro lado

O advogado de Gilson, Jader Gaudêncio Filho, contesta a denúncia do Ministério Público e sustenta que as imagens de segurança indicam que não houve tentativa de homicídio. Segundo a defesa, o policial agiu em legítima defesa após voltar a ser ameaçado e provocado pela vítima dentro do supermercado, com registros prévios de boletins de ocorrência por ameaça.

O defensor argumenta que a última imagem do episódio é esclarecedora: se o agente realmente quisesse matar a vítima, teria efetuado mais disparos enquanto ela estava no chão, e não apenas desferido um chute antes de fugir.

Fonte: Marília Notícias

21 abril 2026

Lincoln Gakiya detalha prática da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM, em favor da facção

Gravação ilegal e vazamentos para o PCC: entenda como relato de promotor reforça suspeitas sobre ex-comandante da PM-SP.

Por Aline Ribeiro — Rio de Janeiro

21/04/2026 

O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho, em reunião
com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) - Foto: Marcelo S. Camargo/GESP
Um depoimento sigiloso do promotor de Justiça Lincoln Gakiya à Corregedoria da Polícia Militar (PM) detalha o funcionamento do núcleo de vazamento da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da instituição, em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC), e contribuiu para a queda do ex-comandante-geral da PM de São Paulo coronel José Augusto Coutinho, que deixou o cargo na semana passada. Segundo o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os vazamentos que beneficiaram a facção foram informados a Coutinho, então chefe da Rota.

Principal nome do combate ao PCC no país, Gakiya relatou ter comunicado pessoalmente ao ex-chefe da tropa de elite da PM sobre um vazamento na Rota que teria contribuído para a fuga do, na época, número 1 da facção paulista na rua, Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta. 

Na mesma ocasião, o promotor contou a Coutinho sobre uma gravação ilegal, feita por PMs da Rota, de uma reunião dos agentes com o promotor, vendida posteriormente a Tuta por R$ 5 milhões. Um documento com o teor do depoimento, de março deste ano, foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e também foi obtido pelo GLOBO.

O ex-comandante-geral da Polícia Militar de SP, Coronel José Augusto Coutinho — Foto: Divulgação
Segundo a Procuradoria de Justiça Militar do Ministério Público de São Paulo, Coutinho pode responder por prevaricação e condescendência criminosa, tipificações do Código Penal Militar, por não ter tomado providências e ter se omitido diante de irregularidades praticadas por subordinados.

Na reunião com Coutinho, ocorrida em 30 de novembro de 2021 na sede do Ministério Público de São Paulo, Gakiya, inclusive, reproduziu áudios entre Tuta e uma testemunha protegida implicando a tropa. O ex-comandante-geral da PM, segundo o relato de Gakiya, não apenas deixou de tomar medidas, mas negou que a informação tivesse partido de PMs da Rota. Ele acusou um integrante (policial penal) da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de ser o responsável pelo vazamento.

Em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar, Gakiya foi categórico ao defender um policial penal que participou da reunião gravada, realizada em 6 de outubro de 2021 no quartel da Rota. Segundo o promotor, o agente é de sua “estrita confiança” e não teve qualquer participação no vazamento. Para ele, a responsabilidade recai sobre integrantes da própria Rota.

A troca no comando da PM foi oficializada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na última quinta-feira. Tarcísio negou, porém, que a saída de Coutinho tenha qualquer relação com a investigação. Segundo o governador, o ex-comandante geral pediu para ir para a reserva. Em seu lugar, assumiu, pela primeira vez na história da PM, uma mulher, a coronel Glauce Anselmo Cavalli.

— Não tem nada a ver. O coronel Coutinho tem uma reputação ilibada, é uma pessoa que sempre prestou excelente serviço na Polícia Militar. Essas trocas são comuns. Eu acho que o coronel cumpriu muito bem o papel dele, a missão — disse Tarcísio.

Principal nome do combate ao PCC no país, Gakiya relatou ter comunicado pessoalmente ao
ex-chefe da tropa de elite da PM sobre um vazamento na Rota - Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Outra citação

No dia seguinte, outro depoimento prestado à Corregedoria por um sargento preso sob acusação de ligação com o PCC veio a público e também colocou Coutinho no centro das apurações sobre o elo entre policiais e a facção criminosa. Segundo o relato, prestado em janeiro, Coutinho teria tentado convencer o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário a permanecer na Rota, mesmo após pressão para que fosse transferido. A conversa teria ocorrido em setembro de 2020, ainda quando Coutinho comandava a unidade.

No depoimento à Corregedoria, Romano afirmou que Coutinho minimizou o fato de ele fazer “bico” fora da corporação — prática proibida pela PM — mesmo sabendo que havia criminosos envolvidos. O sargento foi preso em 4 de fevereiro por fazer segurança privada para diretores da Transwolff, empresa afastada do serviço de ônibus na capital após a Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em abril de 2024.

Em nota, o escritório Fernando José da Costa Advogados, que faz a defesa de Coutinho, afirma que o coronel é idôneo e que, até o momento, não teve acesso aos autos da investigação. “Não obstante, reitera a absoluta idoneidade de sua conduta, destacando que se trata de oficial da Polícia Militar com 34 anos de carreira, sem jamais ter sido alvo de qualquer processo ou investigação por irregularidades ao longo de sua trajetória profissional”, diz o trecho.

Já a Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo diz que não comenta investigações em curso conduzidas pela Corregedoria “tendo em vista o sigilo legal que recai sobre os procedimentos de Polícia Judiciária Militar, conforme previsto na legislação penal-militar”.

“A Instituição ressalta que eventuais apurações são conduzidas com rigor técnico, observância ao devido processo legal e respeito às garantias individuais e reitera seu compromisso com a legalidade, a transparência e a apuração de eventuais irregularidades, adotando as medidas cabíveis sempre que houver indícios de desvios de conduta”, também afirmou.



Venda de gravação

Segundo o depoimento de Gakiya, Tuta pagou R$ 5 milhões para obter a gravação ilegal de uma reunião ultra-secreta ocorrida em 6 de outubro de 2021, dentro da própria sede da Rota. O encontro contou com a presença do promotor e de uma testemunha protegida que detalhou o funcionamento interno da facção. O conteúdo foi desviado por policiais militares e vendido ao criminoso.

Gakiya detalha que a mesma testemunha protegida ouvida pela investigação informou às forças de segurança sobre o plano do PCC para matar o promotor e o então senador Sergio Moro. Em fevereiro de 2023, a testemunha identificou o criminoso Janeferson Aparecido Mariano, o Nefo, como o responsável por organizar esses atentados. Essa denúncia deu origem a uma investigação conjunta com a Polícia Federal, que culminou na deflagração da Operação Sequaz, em março de 2023, que resultou na prisão de Nefo. e outros envolvidos.

Segundo as investigações, o envolvimento de policiais da Rota com a cúpula do PCC funcionava como um estruturado núcleo de vazamentos de inteligência. O esquema, que contava com oito policiais militares, incluía desde a venda de informações privilegiadas, com o repasse de detalhes de operações que seriam realizadas e dados de viaturas descaracterizadas, até a proteção de criminosos, garantindo a impunidade de aliados.

PCC movimentou R$ 1,2 bilhão com tráfico de drogas; Justiça mandou prender 18 de nova cúpula - Clique na imagem para ampliar
O monitoramento já havia permitido que Tuta escapasse às pressas de um apartamento vigiado durante a Operação Sharks, em 2020, após ser alertado por um contato dentro do batalhão sobre sua prisão iminente. Na ocasião, os agentes da Rota eram responsáveis pelo cumprimento dos mandados de busca e apreensão e também de prisão.

Segundo o promotor, em áudios obtidos pela investigação e apresentados a Coutinho, o próprio Tuta afirma que o policial militar da Rota responsável pela venda da gravação era o mesmo agente que o havia alertado sobre sua prisão iminente na Operação Sharks. Nesses registros, Tuta detalha o pagamento parcelado aos policiais e menciona a existência de um grupo de WhatsApp entre militares e o informante, do qual constavam até planilhas financeiras da facção.

Os PMs da Rota faziam a segurança de integrantes e advogados da facção, segundo Antônio Vinicius Gritzbach, delator do PCC que acabou assassinado. O colaborador informou que eles eram sócios de empresas de ônibus que foram investigadas em desdobramentos da Operação Sharks e, posteriormente, na Operação Fim de Linha. O papel dos PMs era evitar que esses líderes fossem presos.

Fonte: Jornal O GLOBO

Vídeo: Jornal da Band

Wall Street Journal: PCC virou organização criminosa global e remodelou fluxo de cocaína para os EUA

Jornal americano destaca expansão de facção criminosa e uso de logística sofisticada, alianças com máfias europeias e tecnologia avançada para dominar rotas do tráfico em direção a países como Portugal, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Por O GLOBO — Rio de Janeiro

21/04/2026

Reportagem do jornal 'The Wall Street Journal' destaca atuação da facção criminosa PCC. — Foto: Reprodução/WSJ
Uma reportagem do Wall Street Journal publicada neste domingo detalha como o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa nascida no sistema prisional paulista, transformou-se em uma organização global do narcotráfico, com impacto direto nas rotas internacionais de cocaína e nos esforços de combate ao crime organizado.

Segundo a análise, o grupo deixou de atuar apenas no Brasil para operar como uma “multinacional do crime”, com estrutura comparável à de uma corporação. Fundado em 1993 após o massacre do Carandiru, o PCC evoluiu de uma irmandade carcerária para uma rede internacional com presença em diversos continentes.

Marcola, um dos nomes mais importantes do PCC, sendo levado a um hospital
de Brasília para exames de rotina — Foto: Jorge William / Agência O Globo
Um dos pilares dessa expansão é o controle logístico do tráfico. O Porto de Santos, o maior da América Latina, tornou-se o principal ponto de saída da droga rumo à Europa. A organização utiliza técnicas como o “rip-on/rip-off”, em que a cocaína é inserida em contêineres de empresas legítimas sem o conhecimento dos exportadores. Além disso, diversificou suas operações para portos do Nordeste e para Paranaguá, explorando áreas com menor rigor de fiscalização.

A reportagem destaca ainda a aliança estratégica com a máfia italiana 'Ndrangheta. Nesse modelo, o PCC atua como fornecedor em larga escala, enquanto o grupo europeu é responsável pela distribuição no continente. 

Bandeiras pretas de janelas de celas de Carandiru cinco dias depois do massacre de 2 de outubro de 1992 — Foto: Cláudio Rossi
A diferença de preços é um dos motores dessa parceria: um quilo de cocaína comprado por cerca de US$ 2 mil a US$ 3 mil (entre R$ 10 mil e R$ 15 mil) na fronteira com a Bolívia pode alcançar mais de € 30 mil (cerca de R$ 175 mil) no mercado atacadista europeu.

Internamente, o PCC funciona de forma descentralizada, estruturado em departamentos conhecidos como “sintonias”. Entre eles estão a Sintonia dos Outros Estados, responsável pela expansão territorial; a Sintonia da Geral, que coordena ações globais; e a Sintonia Financeira, que cuida da lavagem de dinheiro — hoje com uso intensivo de criptomoedas para dificultar o rastreamento.

Operação Carbono Oculto no Norte e Nordeste contra o PCC — Foto: Divulgação/SSPPI
Outra rota relevante descrita é a da África Ocidental. Países como Guiné-Bissau e Cabo Verde são utilizados como pontos intermediários, onde a droga é armazenada antes de seguir para a Europa, frequentemente escondida em carregamentos de frutas ou madeira. 

Portugal aparece como um ponto estratégico de entrada, favorecido pela língua e por laços comerciais, além de ser citado como base para operações logísticas e lavagem de dinheiro.

O nível de profissionalização da facção também chama atenção. O PCC passou a contratar especialistas, como mergulhadores para fixar cargas de droga em cascos de navios e hackers para invadir sistemas portuários e manipular registros de carga.

Operação Carbono Oculto no Norte e Nordeste contra o PCC — Foto: Divulgação/SSPPI
De acordo com o jornal, o modelo de negócios do grupo se assemelha a uma “franquia”, em que membros pagam contribuições e seguem regras internas, mas mantêm autonomia operacional. Essa flexibilidade contribuiu para sua rápida expansão internacional.

O impacto dessa atuação já é sentido em diversos países. Regiões como Paraguai e Equador enfrentam aumento da violência associado à disputa por rotas ligadas ao grupo. Ao mesmo tempo, autoridades enfrentam dificuldades para conter a organização, já que líderes continuam a comandar operações a partir de presídios de segurança máxima, utilizando sistemas de comunicação que driblam o controle estatal.

Operação Carbono Oculto no Norte e Nordeste contra o PCC — Foto: Divulgação/SSPPI
Fonte: Jornal O GLOBO