Mais da metade dos integrantes em posição de liderança está preso; 5 homens estão jurados de morte. Organização criminosa conta até com setor voltado à comunicação digital; 'associados' à facção também aparecem em relatório
Jornal Folha de São Paulo
22.fev.2026
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| Marcola segue como lider máximo da facção, juntamente com seus outros 14 homens que o auxiliam na Sintonia Final - Imagem: Reprodução |
Além disso, o gráfico também mostra pessoas associadas e ex-integrantes da cúpula, hoje jurados de morte —ou "decretados", no jargão da facção. Considerados todos esses, há um total de cem nomes no documento, dos quais 62 estão presos.
É a primeira vez que um organograma do PCC destaca o papel dos associados, que não passam pelo ritual de batismo da facção nem têm dedicação exclusiva a ela, no funcionamento da organização. O organograma, elaborado pelo Dipol (Departamento de Inteligência da Polícia Civil), foi divulgado inicialmente pelo SBT News e confirmado pela Folha.
Ele mostra, por exemplo, que do total de 15 homens apontados como integrantes da Sintonia Final, cúpula máxima de comando, há apenas um em liberdade. Trata-se de Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão. Em 2019, ele foi apontado como um dos participantes do massacre que deixou 55 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus.
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| Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão, é o único dos 15 homens apontados como integrantes da Sintonia Final, cúpula máxima de comando, ainda em liberdade - Imagem: Reprodução |
Entre os setores subordinados diretamente à cúpula da facção no organograma estão as sintonias que organizam as áreas de controle territorial da facção, o tráfico internacional de drogas, a disciplina dentro de presídios, o setor jurídico, um setor de comunicação digital e até um departamento responsável por auditoria interna da facção.
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| Sintonia Final da Rua - Imagem: Reprodução |
Dois deles têm mandados de prisão em aberto e são considerados foragidos. É o caso de Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, que já foi sócio da empresa de ônibus UPBus e é o único alvo da Operação Fim da Linha que não foi preso. Ele está foragido desde 2014.
Além da Sintonia Final de Rua, o organograma identifica quatro pessoas em subdivisões regionais separadas apenas na região da Baixada Santista: a Sintonia Final da Baixada, que coordena atividades principalmente em Santos, Guarujá, Cubatão e São Vicente, e a FM-BX (Família da Baixada, que corresponde aos pontos de venda de drogas na região).
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| Sintonia Restrita que responde diretamente ao líderes máximo da facção - Imagem: Reprodução |
A sintonia ou quadro dos 14, por sua vez, é identificada como uma "instância de elite dentro da estrutura do PCC". Segundo a Polícia Civil, é uma "instância deliberativa para julgar, sancionar e fiscalizar o cumprimento das normas dentro da facção, especialmente no âmbito 'das ruas'".
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| Sintonia e Resumo Final dos 14 - Imagem: Reprodução |
O Setor do Raio-X é responsável pela fiscalização interna, segundo a Polícia Civil. É "uma espécie de 'serviço de auditoria' do grupo, criada para inspecionar, investigar e avaliar o comportamento dos integrantes da organização", de acordo com o documento.
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| Associados a facção sem batismo - Imagem: Reprodução |
Líderes e associados ao PCC
Alguns dos nomes que aparecem no novo organograma da facção criminosa, feito pela Polícia Civil de SP
Mohamad Hussein Mourad, o Primo
Dono da produtora de combustíveis Copape e da distribuidora Aster, foi o principal alvo da Operação Carbono Oculto e está foragido desde agosto de 2025. O MPSP aponta que ele coordena uma rede de empresas que lava dinheiro da facção; a defesa dele nega.
Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão
Apontado como um dos autores de um ataque que deixou 55 mortos num presídio em Manaus, foi transferido à época para a penitenciária federal de Brasília; é a primeira vez que é apontado como integrante da Sintonia Final
Sergio Luiz de Freitas Filho, o Mijão
Foragido, é apontado como recrutador de criminosos para a Sintonia Restrita Tática e como mandante de planos para assassinar um promotor do MPSP em Campinas (SP), frustrados em 2025
Silvio Luiz Ferreira, o Cebola
Apontado como integrante das sintonias do Progresso e da Final de Rua; foi sócio da empresa de ônibus UPBus, alvo da Operação Fim da Linha
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| Sintonia de Redes Sociais e Raio X - Imagem: Reprodução |
O Setor do Raio-X é responsável pela fiscalização interna, segundo a Polícia Civil. É "uma espécie de 'serviço de auditoria' do grupo, criada para inspecionar, investigar e avaliar o comportamento dos integrantes da organização", de acordo com o documento.
Já a Sintonia Interna seria a "estrutura de comando responsável pelo controle das operações dentro do sistema prisional e das unidades controladas". O documento informa que ela é considerada "a espinha dorsal operacional do PCC dentro das prisões e territórios controlados, garantindo que a disciplina e a hierarquia sejam respeitadas".
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| Sintonia Final do Sistema responde diretamente aos líderes - Imagem: Reprodução |
A Sintonia Interna da Internet e Redes Sociais é responsável por vários tipos de comunicação online, segundo o documento. Ela coordena contatos entre integrantes da facção —por meio de aplicativos, rede sociais e e-mails criptografados— e também fiscaliza o uso de redes sociais, monitorando publicações que possam expor a facção.
Há ainda a Sintonia do Progresso —normalmente associada ao tráfico de drogas, é focada em logística e estratégias de crescimento da facção, segundo a Polícia Civil—, o setor da Padaria (ou financeiro) e a Sintonia Final dos Estados e Países, responsáveis pela coordenação regional e internacional.
Conforme levantamento divulgado pelo Ministério Público de São Paulo no ano passado, o PCC já alcançou ao menos 28 países. Alemanha, Irlanda, Turquia e Japão são os novos locais onde a facção foi detectada, em relação a um levantamento anterior. O faturamento total é estimado em cerca de R$ 1 bilhão por ano.
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| Membros do PCC que passaram a fazer oposição a Marcola foram decretados pela Facção - Imagem: Reprodução |
Nomes que já apareceram ao lado de Marcola na cúpula da facção, em outros mapeamentos da hierarquia da facção, hoje estão entre os "decretados" à morte.
É o caso de Roberto Soriano (o Tiriça), Wanderson Nilton Paula Lima (Andinho) e Abel Pacheco de Andrade (Vida Loka). Desde 2024, eles passaram a se opor a Marcola no que é considerado o maior racha na cúpula do PCC em duas décadas. Todos estão presos no sistema federal.
Clique aqui para ver o Organograma completo e atualizado do PCC segundo as autoridades
Fonte: Jornal Folha de São Paulo



















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