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11 março 2026

EUA não vão considerar posição do Brasil sobre PCC e terrorismo, diz promotor Gakiya

Promotor que integra o Gaeco em Presidente Prudente (SP) esteve com assessores de Marco Rubio nos últimos meses.

Por Andréia Sadi, Isabela Leite

11/03/2026 

Gakiya alertou que, em vez de ajudar, a classificação de terrorismo pode criar barreiras
burocráticas e econômicas que hoje não existem - Imagem: Reprodução Globo News
O promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP) Lincoln Gakiya, afirmou em entrevista ao Estúdio I na tarde desta quarta-feira (11) que os Estados Unidos não irão levar em conta a posição do governo brasileiro sobre classificar PCC como organização terrorista.

Nos últimos meses, ele participou de encontros com assessores diretos do secretário de estado dos EUA, Marco Rubio. "Eles queriam conhecer o funcionamento do PCC", disse o promotor.

Gakya investiga a facção criminosa há 20 anos, vive há mais de dez anos sob escolta policial 24 horas por dia por causa das ameaças de morte recorrentes que recebe. Ele é ameaçado pela facção ao menos desde 2005.

Em 2025, representantes norte-americanos estiveram em Brasília (DF) e São Paulo (SP) para obter informações detalhadas sobre a ameaça do PCC e os impactos da facção não só para o Brasil, mas também internacionalmente.

Lincoln Gakiya demonstra apreensão em possível decisão americana

Nesta semana, Gakiya volta a se reunir com representantes do governo dos EUA para compartilhar informações sobre o crime organizado e a atuação do PCC. A conversa deve alinhar o que estará em pauta em um encontro do promotor com a DEA (Drug Enforcement Administration), FBI (Federal Bureau of Investigation) e Departamento de Estado dos EUA em Boston, no estado de Massachusetts, ainda neste mês.

Um levantamento obtido em primeira mão pela GloboNews e pelo g1 mostrou que o PCC se instalou em aos menos 28 países e se infiltrou em presídios no exterior para recrutar novos membros e expandir negócios com tráfico de drogas e armas, além da lavagem de dinheiro. No total, são 2.078 integrantes, a maioria dentro de prisões.

O relatório do Ministério Público de São Paulo tem sido apresentado a embaixadas e consulados fora do país para cooperação internacional no combate a crimes transnacionais em pelo menos quatro continentes.

Além da expansão para diferentes territórios, o que tem chamado a atenção das autoridades e investigadores brasileiros e também estrangeiros é o fato de os integrantes do PCC terem buscados outros países não só para viagens temporárias, mas também como moradia fixa e infiltração em cadeias, uma espécie de "marca registrada" da facção criminosa paulista.

O promotor Lincoln Gakiya falou nesta terça-feira (25) à CPI do Crime
Organizado, no Congresso - Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Organização terrorista

Gakiya reforçou sua postura de que o PCC não é uma organização terrorista, mas, sim, uma organização criminosa transnacional com características de máfia.

"O PCC nunca teve cunho ideológico ou político. Não tem ódio racial, religioso ou de etnia como objetivo", afirmou. O foco é puramente comercial: lucro e dominação territorial."

O promotor criticou o fato de o discurso político ter se apropriado do tema, criando a falsa ideia de que a classificação de terrorismo traria endurecimento de penas ou intervenção estrangeira milagrosa.

"O discurso político se apropriou desse tema. Então, parte da população, influenciada por uma corrente política, acha que classificar essas facções como terroristas vai nos auxiliar no endurecimento de penas ou na recuperação de ativos", disse. ""Outros acham que vai haver uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil para acabar com essas facções, o que, de fato, não é a realidade. (...) O que a gente precisa é de cooperação e atuação conjunta, não é meramente uma classificação e uma intervenção de ordem militar que vai auxiliar o combate."

Gakiya alertou que, em vez de ajudar, a classificação de terrorismo pode criar barreiras burocráticas e econômicas que hoje não existem.

Segundo ele, a troca de dados entre o Ministério Público brasileiro, o FBI e a DEA ocorre de forma fluida via cooperação policial. Se o PCC for rotulado como "grupo terrorista", essas informações poderiam subir para o nível "confidencial", passando à atribuição da CIA. Isso dificultaria o acesso direto dos investigadores brasileiros aos dados.

O promotor destacou que o Brasil poderia sofrer sanções econômicas e dificuldades de acesso a bancos multilaterais (como o Banco Mundial e o BID), além de abrir caminho para que os EUA autorizem ações militares fora de seu território para combater esses grupos.

"Quando você classifica uma organização como terrorista, você autoriza o governo americano a praticar, a executar ações militares fora do estado americano, e você também pode abrir aí um flanco para que o Brasil sofra algum tipo de sanção econômica e mesmo nas relações internacionais", afirmou.

"Ao contrário do que possam imaginar as pessoas, não é a classificação do PCC ou do Comando Vermelho como organizações terroristas que vai nos auxiliar, nós que estamos aqui no combate na ponta, a melhorar ou a ter mais eficiência nas investigações e no combate ao crime organizado."

Segundo GaKiya PCC é uma organização mafiosa, com atuação transnacional pratica atos de
natureza terrorista, como se viu em São Paulo nos ataques de 2006, sem objetivos políticos
ou ideológicos, como os de ódio racial, de etnia ou religioso -Imagem: Reprodução Xadrez Político

EUA discutem classificar PCC e CV como terroristas

O governo brasileiro tenta frear a discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho e o Primeiro PCC como organizações terroristas, pelo menos, até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington.

Segundo fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu por telefone ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar PCC e CV como grupos terroristas.

A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano tem um prazo de sete dias para fazer a análise. Lincoln Gakiya entende que o PCC e o Comando Vermelho não se tratam de organizações terroristas e que se tratam de organizações criminosas transnacionais, com características até de máfia.

"O PCC é uma organização mafiosa, com atuação transnacional em mais de 28 países, pratica atos de natureza terrorista, como se viu em São Paulo nos ataques de 2006. Mas não tem objetivos políticos ou ideológicos, como os de ódio racial, de etnia ou religioso. O objetivo é de dominação territorial e lucro com negócios ilícitos", aponta o promotor de justiça.

O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro quer mostrar, na reunião, como tem atuado no combate ao crime organizado no país.

Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Donald Trump. A ideia inicial era que o encontro ocorresse neste mês de março, mas diante da dificuldade de agendas, uma data ainda não foi acertada.

Fonte: G1

10 março 2026

Senappen diz que exceção dada por Mendonça a Vorcaro gera 'preocupação' para a segurança do Sistema Penal Federal

Ministro do STF permitiu que o banqueiro se reunisse com os seus advogados sem que houvesse a gravação dos encontros, o que viola o procedimento interno da penitenciária.

Por Eduardo Gonçalves — Brasília

10/03/2026 

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso na terça (18) pela PF - Imagem: Ana Paula Paiva/Valor
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, informou nesta terça-feira que se posicionou contra o pedido dos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro de não serem gravados durante as conversas com ele nas visitas à Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a secretaria, a medida representa um "fator de preocupação" para a Polícia Penal Federal, pois "impacta diretamente" no modelo de segurança adotado nas unidades federais.

Relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça atendeu parcialmente a um pedido da defesa de Vorcaro e autorizou que as conversas entre o preso e os advogados não fossem registradas, o que viola o protocolo interno do presídio. Mendonça também deu aval para os advogados fazerem visitas sem agendamento e a levarem papéis e anotações durante os encontros. Mendonça vetou a transferência para outro presídio em Brasília, o que também havia sido solicitado pela defesa.

Penitenciária Federal de Brasília inaugurada em 16/10/2018
Em nota, a Senappen destacou que o sistema penitenciário federal foi estruturado para abrigar presos com perfil de alta "periculosidade e articulação". O órgão alega que “alterações em protocolos operacionais que estruturam o funcionamento do sistema representam fator de preocupação pois impactam diretamente o modelo de segurança que orienta” o sistema penitenciário federal. O texto diz ainda que as restrições são fundamentais para “impedir comunicações indevidas com o exterior, interromper cadeias de comando de organizações criminosas e garantir a segurança das unidades, dos servidores que nelas atuam e da própria sociedade".

Reservadamente, policiais penais federais citam o receio de a decisão ser utilizada como precedente nos casos de chefes de organizações criminosas. Detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo, foram acusados de mandar matar três policiais penais federais como tentativa de intimidação.

Nesse contexto, a Senappen diz que vai cumprir a decisão de Mendonça, mas cogita recorrer para reverter a autorização.

Sala de visitas são monitoradas e com escutas, todos os diálogos são gravados de forma ininterrupta - Imagem: Senappen
Já a defesa de Daniel Vorcaro classificou que o banqueiro "jamais deveria estar preso" em Brasília. 

"A prisão é desnecessária, baseada em fatos pretéritos, e as supostas bravatas atribuídas a ele jamais se concretizaram. As condições em que se encontra atualmente são absolutamente desproporcionais. Trata-se de um regime de isolamento extremo que impõe sofrimento psicológico intenso a qualquer pessoa", enfatizou a nota assinada pelo advogado Roberto Podval.

"Além disso, o direito de comunicação reservada com seus advogados — sem gravação ou monitoramento — é uma garantia elementar do Estado de Direito e um mínimo que se espera de um país que se pretende democrático", acrescentou o defensor.

Imagem de Daniel Vorcaro na prisão após a passagem pelo sistema prisional de São Paulo,
e pelo setor de cadastro da U.P de Guarulhos - Imagem: Reprodução

Transferência a Brasília

Preso na última fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro chegou a Brasília na última sexta-feira sob forte esquema de segurança para ser transferido ao sistema penitenciário federal. A medida foi determinada por Mendonça, após a Polícia Federal apontar riscos à segurança pública e à integridade física do investigado, caso ele permanecesse em um presídio estadual.

O banqueiro deixou a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo. O desembarque na capital federal foi realizado com reforço de segurança da Polícia Penal Federal. Após deixar o aeroporto, Vorcaro foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal para exames.

Ele havia sido preso na quarta-feira em São Paulo. Na decisão que autorizou a transferência ao sistema federal, Mendonça afirmou que o caso se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 11.671/2008, que permite a inclusão de presos provisórios ou condenados em presídios federais quando a medida se justifica por interesse da segurança pública ou do próprio custodiado.

A Associação Nacional da Polícia Penal Federal manifestou preocupação com
pedidos apresentados pela defesa do empresário Daniel Vorcaro - Imagem:

O quer diz a ANPPF

A Associação Nacional da Polícia Penal Federal (ANPPF) emitiu nota, na segunda-feira (9), manifestando "preocupação diante de informações veiculadas na imprensa acerca de solicitações que buscam flexibilizar ou suspender o monitoramento ambiental e das comunicações nas penitenciárias federais." A associação ainda alega que enviou um ofício ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, expressando a mesma preocupação.

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que a direção da Penitenciária Federal de Brasília teria imposto a necessidade de agendamento para visitas dos advogados, além de condicionar os encontros a gravações de áudio e vídeo. A entrada com qualquer objeto, incluindo papel e caneta, também estaria vedada.

"O Sistema Penitenciário Federal (SPF) possui regime jurídico próprio, previsto em legislação federal, que estabelece diretrizes rígidas de segurança destinadas ao enfrentamento de organizações criminosas de alta complexidade. Entre esses mecanismos, estão o monitoramento de áreas comuns, a gravação das visitas em parlatório e o controle dos meios de comunicação, sempre com respeito aos limites legais e sob supervisão judicial", esclarece a entidade.

Daniel Vorcaro foi preso após a descoberta de uma milícia privada que estaria atuando para monitorar e silenciar opositores aos negócios do Master. Antes disso, ele utilizava tornozeleira eletrônica. Outro endurecimento ocorreu logo depois, quando Mendonça retirou o empresário da Penitenciária 2 de Potim (SP), de administração estadual, para a Penitenciária Federal de Brasília.

"Diante da relevância institucional do tema, a ANPPF reafirma sua posição pela manutenção e pelo fortalecimento das diretrizes de monitoramento ambiental e de comunicações no Sistema Penitenciário Federal, por se tratar de instrumento essencial de segurança pública, inteligência penitenciária e proteção do próprio processo judicial, sempre compatível com as garantias constitucionais", conclui a nota.

Fonte: Jornal O GLOBO

08 março 2026

Policiais penais femininas são destaque na Tropa de Elite do sistema prisional de SP

Profissionais integram os Grupamentos de Intervenção Rápida (GIRs), que atuam em situações de crises nas Unidade Prisionais do Estado de São Paulo.

Por: Secom/SP

08/03/202

No mês em que se celebra a força feminina, o reconhecimento evidencia o protagonismo das
mulheres que vêm conquistando espaço na corporação - Imagem: Divulgação/Governo de SP
Após um ano de criação da Polícia Penal do Estado de São Paulo (PPESP), as mulheres têm ganhado destaque na atuação nos Grupos de Intervenção Rápida (GIRs). Considerado a Tropa de Elite do sistema prisional paulista, o GIR desempenha papel essencial em situações críticas, quando há quebra da ordem nos estabelecimentos penais.

No mês em que se celebra a força feminina, o reconhecimento evidencia o protagonismo das mulheres que vêm conquistando espaço na corporação, demonstrando coragem, profissionalismo, preparo técnico e atuação estratégica e decisiva na linha de frente do sistema prisional, ocupando espaço em uma área historicamente marcada pela predominância masculina.

Maria José dos Santos André atua na segurança interna da Penitenciária Feminina Sandra Aparecida Lário Vianna, de Pirajuí, no interior do Estado, e participa das intervenções realizadas pelo grupo nos presídios da região. “Me sinto muito orgulhosa em fazer parte da Polícia Penal e do GIR, pois faço o que eu amo”, afirma.

Policiais do Grupos de Intervenção Rápida da Polícia Penal - Imagem: Divulgação/Governo de SP
Para ela, as mulheres que atuam no GIR são fortes, determinadas e comprometidas com a construção de uma sociedade mais segura e justa, exercendo suas funções com responsabilidade, equilíbrio e espírito de equipe.

Ana Paula Almeida de Miranda atua há 21 anos no sistema prisional e afirma que sua maior motivação é dar orgulho aos filhos. Para ela, integrar a Polícia Penal do Estado de São Paulo representa o exercício de uma função digna, fundamental para garantir a segurança da sociedade.

“Tenho muito orgulho de fazer parte da PPESP. É uma função que garante a segurança da sociedade e que exige coragem e resiliência. Muitas vezes julgam a nossa fragilidade, mas aquilo que consideram fraqueza é, na verdade, a nossa força”, destaca.

Dedicação e coragem

Histórias como as de Maria José e Ana Paula representam a dedicação e o compromisso das mulheres que integram a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e a Polícia Penal do Estado de São Paulo. Profissionais que, com preparo e coragem, contribuem diariamente para a manutenção da ordem no sistema prisional paulista e para a segurança da sociedade.

Fonte: Agência SP

Câmeras corporais, vigilância redobrada, profusão de advogados: como passagem a jato de Vorcaro chacoalhou a PII de Potim/SP

Dono do Banco Master ficou menos de 24 horas na Penitenciária II de Potim, no interior do estado, até ser transferido para unidade federal em Brasília.

Por Ullisses Campbell — São Paulo

08/03/2026 

P II de Potim foi sacudida pela curta presença do banqueiro recém chegado às suas instalações - Imagem: Reprodução
A passagem de menos de 24 horas do banqueiro Daniel Vorcaro pela Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, foi suficiente para alterar completamente a rotina da unidade e provocar um clima de tensão entre policiais penais, presos e advogados que circulam diariamente pela unidade. Apesar do curto período de permanência, o dono do Banco Master mobilizou um esquema de segurança incomum no sistema prisional paulista e gerou movimentação atípica no setor de atendimento jurídico local.

Segundo relatos de profissionais que estavam na penitenciária, a direção do presídio temia que Vorcaro pudesse sofrer algum atentado dentro da cadeia. O receio levou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a adotar medidas extraordinárias de segurança durante o período em que ele permaneceu custodiado no local.

De acordo com fontes da administração penitenciária, os policiais penais que tinham acesso ao pavilhão onde o banqueiro estava custodiado passaram a circular usando câmeras corporais acopladas ao uniforme, além de coletes à prova de bala. A utilização desse tipo de equipamento não é comum nas unidades prisionais paulistas e chamou a atenção de servidores que trabalham no espaço.

Complexo Penal de Potim, onde se localiza a Penitenciária II de Potim, no
interior de São Paulo - Imagem: Bruna Capasciutti/TV Vanguarda
Ao mesmo tempo, 20 novas câmeras de monitoramento foram instaladas às pressas no pavilhão onde Vorcaro estava custodiado junto com o cunhado, Fabiano Zettel. Ele também foi preso na operação que investiga o escândalo do Banco Master e, segundo a Polícia Federal, teria sido responsável por organizar o fluxo financeiro do esquema usado para intimidar e vigiar adversários de Vorcaro. Diferentemente do banqueiro, ele permaneceu na Penitenciária II de Potim, onde foi colocado em uma ala de seguro, separado da população carcerária.

O próprio diretor da penitenciária, Luciano José Pimenta, teria demonstrado forte apreensão com a permanência do banqueiro na unidade. Funcionários relatam que havia preocupação de que a presença de Vorcaro pudesse desencadear um episódio de violência dentro da prisão. Um servidor afirmou que a direção da unidade comemorou quando chegou a autorização para a transferência.

A presença do banqueiro também provocou confusão no setor de atendimento de advogados. Profissionais que aguardavam na fila para falar com seus clientes relataram que vários integrantes da defesa de Vorcaro foram atendidos com prioridade, o que gerou reclamações entre os demais advogados que estavam no presídio para visitar presos comuns.

Imagem de Daniel Vorcaro na prisão após a pssagem pelo setor de cadastro da U.P de Guarulhos - Imagem: Reprodução
Procurada, a Polícia Penal informou que a unidade opera dentro dos padrões de segurança e disciplina, cumprindo os procedimentos previstos na Lei de Execução Penal e nas normas da própria instituição. "A permanência de um dia do preso citado não alterou a rotina do presídio e de servidores", diz a nota enviada.

"Detalhes do uso de tecnologias e equipamentos não são divulgados por questão de segurança", completa o texto. Já o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo afirmou que o uso de câmeras corporais não faz parte da rotina da categoria.

Vorcaro chegou à Penitenciária II de Potim na quinta-feira, após ser preso novamente no âmbito da Operação Compliance Zero. Inicialmente, ele passaria pelo período padrão de isolamento de dez dias, etapa aplicada a novos detentos antes de eventual contato com outros presos. 

Daniel Vorcaro em aeroporto no interior de SP para pegar voo a Brasília

Na prática, porém, o banqueiro permaneceu na unidade por menos de um dia. Na madrugada de sexta-feira, por volta das 10h30, ele deixou o presídio sob escolta.

A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal. Vorcaro foi levado para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do sistema penitenciário da União. 

Eu acho que alguém derrubou uma algema.......
Segundo a PF, a medida foi necessária porque o banqueiro teria capacidade de mobilizar redes de influência e articulação com pessoas de prestígio no poder público e no setor privado, o que exigiria um ambiente prisional com maior nível de controle e monitoramento.

Fonte: Jornal O Globo

06 março 2026

Vorcaro aparece de cabelo raspado em fotos no sistema prisional de SP; O tratamento é igual à todos os presos; ele é preso!

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aparece sem barba e com o cabelo raspado em fotos tiradas na prisão, em São Paulo.

Josmar Jozino e Victoria Bechara 

Do UOL, em São Paulo

06/03/2026

Daniel Vorcaro na prisão durante registro para o cadastro de internos - Imagem: Obtida pelo UOL
Os registros foram feitos no sistema prisional de São Paulo. O banqueiro foi preso na quarta-feira e levado inicialmente à Superintendência da PF no bairro da Lapa, na capital paulista. À tarde, foi para o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, após passar por audiência de custódia. 

Na manhã de ontem, foi novamente transferido, desta vez para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo.

Defesa de Vorcaro manifestou "surpresa e indignação" com a divulgação das fotos. Em nota, os advogados afirmaram que vão pedir novamente a abertura de inquérito para apurar a divulgação de informações sigilosas. "Parece não haver limites para o vazamento de informações com objetivo de expor, desgastar e humilhar o cliente", afirmam.

Daniel Vorcaro na prisão durante registro para o cadastro de internos - Imagem: Obtida pelo UOL
Ele foi transferido hoje para um presídio federal de segurança máxima em Brasília. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou a mudança ontem, após um pedido da Polícia Federal.

PF alegou necessidade de garantir integridade física do preso. A corporação afirmou que a custódia em unidade prisional com regime de segurança diferenciado e monitoramento mais rigoroso também é necessária para "mitigar riscos institucionais associados à elevada sensibilidade da investigação"

Vorcaro a passeio nos Alpes Suiços - Imagem: Reprodução Redes Sociais
O caso "recomenda cautela redobrada", disse a PF. O pedido cita a "potencial capacidade do investigado de mobilizar redes de influência com aptidão para, direta ou indiretamente, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento das determinações judiciais."

Penitenciárias federais têm estrutura para garantir segurança e isolamento de líderes de organizações criminosas. Com regime mais rigoroso de controle de rotina, o sistema federal conta com poucas celas, onde cada preso fica isolado. Também conta com estrutura mais moderna para atendimento médico.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é transferido para Penitenciária Federal de Brasília, por
meio de um avião descaracterizado da Polícia Federal - Bruno Santos/Folhapress

Daniel Vorcaro é transferido de SP para Presídio Federal em Brasília

Fonte: UOL

Ladrão foge do Hospital HB usando rapel improvisado com lençóis (Tereza), em São José do Rio Preto/SP; vídeo

Caso ocorreu na noite de quinta-feira (5) em São José do Rio Preto (SP). g1 apurou que o homem foi condenado a prisão no regime semiaberto por tráfico de drogas e furto.

Por Desirèe Assis, Janaína de Paula, g1 Rio Preto e Araçatuba, TV TEM

06/03/2026

Luiz Fernando Fantini Manoel Matos foi condenado à prisão por tráfico de drogas e furto em
Rio Preto/SP  e estava internado no Hospital de Base de  - Imagem: Arquivo pessoal
Um preso de 43 anos, custodiado no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) "Dr. Javert de Andrade" de São Jose do Rio Preto, e que estava internado em um hospital fugiu pela janela usando um rapel improvisado com lençóis, na noite de quinta-feira (5), em São José do Rio Preto (SP).

Segundo apurado pela TV TEM, Luiz Fernando Fantini Manoel Matos improvisou o rapel com lençóis amarrados a uma cama no quarto. Dessa forma, ele conseguiu descer pelas paredes do segundo andar e acessar a área externa do prédio, sem ser contido.

O ladrão conseguiu abrir as algemas e se aproveitou talvez do isolamento e improvisou
a "tereza" com lençois da Unidade Hospitalar - Imagem: Redes Sociais
Um vídeo, gravado de dentro do quarto e obtido pela produtora de reportagem Janaína de Paula nesta sexta-feira (6), mostra a estrutura montada pelo detento. Assista abaixo.

O g1 apurou que Luiz foi condenado, no dia 12 de março de 2024, a cinco anos de prisão no regime semiaberto por tráfico de drogas. Ele também foi condenado, em novembro de 2025, a um ano e seis meses de prisão, também no regime semiaberto pelo crime de furto.

Em nota, o Hospital de Base (HB) informou que adotou as medidas cabíveis, como a formalização do boletim de ocorrência online e comunicação com as autoridades responsáveis. Contudo, não esclareceu o motivo da internação.

Antes de ser internado, ele estava preso no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Rio Preto. Luiz não foi localizado pela polícia até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1

05 março 2026

URGENTE: Mendonça determina transferência de Daniel Vorcaro para penitenciária federal em Brasília/DF

PF apontou riscos à integridade física do dono do Banco Master em presídio estadual no interior de SP.

Por Mariana Muniz — Brasília

05/03/2026

Ministro atendeu pedido da proópia Polícia Federal que vislumbrou que o custodiado poderia
correr riscos a sua ibntegridade fisíca na Unidade Prsional de Potim - Imagem: Senappen
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou nesta quinta-feira a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal em Brasília. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que apontou riscos à segurança pública e à integridade física do investigado caso ele permanecesse em presídio estadual.

Na decisão, Mendonça afirmou que o pedido se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 11.671/2008, que permite a inclusão de presos provisórios ou condenados em presídios federais quando a medida se justifica no interesse da segurança pública ou do próprio custodiado.

“Presente, in casu, a hipótese descrita no citado dispositivo legal, acolho o pedido formulado e determino a imediata transferência do investigado preso Daniel Bueno Vorcaro para a penitenciária federal indicada pela Polícia Federal”, escreveu o ministro.

Vorcaro foi preso no âmbito das investigações relacionadas ao chamado caso Master. Ao solicitar a transferência, a PF afirmou que o investigado possui “significativa capacidade de articulação e influência” em diferentes esferas do poder público e do setor privado, o que poderia gerar riscos à condução das apurações e ao cumprimento de determinações judiciais.

Daniel Vorcaro será transferido em medida de segurança para Penitenciária Federal de Brasília — Imagem: Ana Paula Paiva/Valor
Segundo os investigadores, a permanência do banqueiro em uma unidade estadual poderia facilitar interferências externas nas investigações. A corporação também argumentou que o sistema penitenciário federal dispõe de regime de segurança mais rigoroso e de monitoramento mais intenso, adequado à sensibilidade do caso.

Mendonça determinou que a Polícia Federal coordene, em diálogo com as direções das unidades prisionais envolvidas, a adoção das medidas necessárias para viabilizar a transferência com segurança. A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), a Procuradoria-Geral da República e a defesa do investigado também foram notificadas da decisão.

A investigação da Polícia Federal que levou à prisão de Vorcaro apura um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, com suspeitas de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo investigadores, o esquema teria utilizado estruturas do mercado financeiro para captar recursos e movimentar ativos de alto risco ou de baixa liquidez, além de operações que teriam servido para ocultar prejuízos e desviar recursos. A decisão também cita suspeitas de interlocução com servidores públicos e tentativas de interferir nas investigações.

A operação, chamada de Compliance Zero, já teve três fases. A primeira, deflagrada em novembro de 2025, investigou a suspeita de venda de carteiras de crédito sem lastro a outras instituições financeiras. A segunda, em janeiro deste ano, ampliou o foco para o uso de fundos de investimento ligados à gestora Reag para a circulação de recursos e aquisição de ativos considerados problemáticos. Já a terceira fase, autorizada agora pelo STF, inclui novas prisões e medidas cautelares contra investigados ligados ao caso.

Fonte: Jornal O GLOBO