Proposta coloca na Constituição sistema único de segurança pública com atuação descentralizada entre União, estados e municípios. PEC ainda vai ao Senado.
Por Luiz Felipe Barbiéri, Paloma Rodrigues, g1 e TV Globo — Brasília
04/03/2026
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| A Polícia Penal sai fortalecida da votação da Pec da Segurança Pública, vez que foi inserida no SUSP - Imagem: Reprodução |
Eram necessários 308 votos para a aprovação. O placar foi de 487 a 15 no primeiro turno e 461 a 14 no segundo.
A proposta segue para análise do Senado.
Inicialmente, o projeto previa a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes cometidos com violência ou ameaça, mas esse trecho foi retirado do texto.
O relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), acolheu pedidos da base governista e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e decidiu discutir a questão em outra matéria.
“O que o presidente fez foi trazer a proposta de que essa discussão em si pode se dar em paralelo do redesenho da estrutura de segurança pública do país”, afirmou.
O texto, que seria votado em uma comissão especial na manhã desta quarta, foi levado para votação diretamente no plenário, por decisão de Motta.
Governo e oposição cederam
O texto foi desidratado em pontos que eram do interesse tanto governo quanto oposição.
Por um lado, o relator cedeu a apelos da base governista para retirar a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves.
Esta foi uma mudança que passou diretamente pelo presidente da Casa, Hugo Motta, que convenceu o relator a retirar o ponto do texto e colocá-lo em uma nova PEC para tramitar apenas após o ano eleitoral.
Apesar da resistência de Mendonça Filho, Motta foi apoiado por outros líderes partidários durante uma reunião realizada na noite desta terça-feira (3). Líderes do centrão afirmaram que a mudança na maioridade penal contaminaria o debate e não teria aprovação certa no Senado, o que poderia deixar o desgaste apenas para a Câmara.
Por outro lado, o governo também teve que ceder. Um dos pontos que compunha o esqueleto da PEC era a coordenação da segurança pública pela União.
Mas a oposição e governadores resistiram à mudança e o relator deixou o ponto fora do texto, mantendo o compartilhamento de responsabilidades com estados e o Distrito Federal.
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| Fachada do Congresso Nacional - Imagem: Leonardo Sá/Agência Senado |
O que diz o projeto
A proposta estabelece na Constituição o 'Sistema Único de Segurança', que tem como objetivo integrar o combate ao crime organizado entre os entes.
Além disso, divide a responsabilidade sobre a segurança pública entre a União, Estados, Distrito Federal e municípios, bem como organização, garantias, direitos e deveres dos órgãos do sistema socioeducativo.
O projeto inclui na Constituição o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. A União deverá repassar a Estados e municípios 50% de cada fundo.
A proposta também atribui de forma expressa à Polícia Federal o combate a crimes cometidos por organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional.
O texto inclui ainda polícias municipais no rol de órgãos responsáveis pela segurança pública.
Presidente do Sindcop e diretor da Ageppen Brasil acompanharam a votação
Veja o que foi incluido na proposta:
Novas competências da União: competência privativa de legislar sobre "polícia federal e da polícia rodoviária federal" e "normas gerais da atividade de inteligência".
Crimes violentos: obrigatoriedade de prisão em estabelecimento penal estadual ou federal de segurança máxima ou de natureza especial; proibição ou restrição de progressão de regime, liberdade provisória, com ou sem fiança; restrição ou proibição de conversão de pena de prisão em outras medidas e concessão de saída temporária; expropriação de todo e qualquer bem, direito ou valor de conteúdo econômico envolvido com as atividades criminosas.
Competência da PRF: amplia a competência para atuação em hidrovias e ferrovias. Atualmente, o texto é restrito a rodovias. Também poderão atuar para exercer o policiamento ostensivo na proteção de bens, serviços e instalações federais e daqueles de interesse da União; prestar auxílio aos órgãos de segurança pública estaduais ou distritais, quando requerido por seus Governadores; atuar em cooperação com os demais órgãos integrantes do sistema único de segurança pública em estado de calamidade pública ou em caso de desastres.
Nova polícia: criação das polícias municipais comunitárias, organizadas em carreiras, para a realização de ações de policiamento ostensivo e comunitário, desde que o município atenda a critérios mínimos, como capacidade financeira.
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| A Polícia Penal sai fortalecida da votação da Pec da Segurança Pública, vez que foi inserida no SUSP - Imagem: SAP-SP |
O que muda para a Polícia Penal
O principal ganho para a Polícia Penal com a PEC 18/25 (Clique aqui para ler na íntegra a PEC) é a consolidação de seu papel constitucional. Ao integrar formalmente o SUSP e ter suas atribuições exclusivas reconhecidas, a carreira ganha mais segurança jurídica .
Esse fortalecimento é visto como essencial para o enfrentamento ao crime organizado. A proposta parte do princípio de que é no sistema prisional que as facções criminosas muitas vezes se estruturam. Portanto, ter uma polícia penal forte, integrada nacionalmente e com recursos garantidos é fundamental para desarticular essas organizações a partir de dentro .
Além disso, a definição de normas gerais para o sistema penitenciário, a cargo da União, pode ajudar a reduzir as disparidades entre os estados, promovendo um padrão mínimo de atuação e gestão carcerária em todo o Brasil.
Em resumo, para a Polícia Penal, a PEC representa a chance de se consolidar definitivamente como um dos pilares do sistema de segurança pública, com atribuições claras, participação em uma política nacional integrada e a garantia de recursos para seu aparelhamento e modernização .
Fonte: G1















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