Mãe de assaltante desabafa após filho ser agredido
por vítima: 'Nada justifica'
Dupla
foi agredida ao tentar roubar a carga de um caminhão em Praia Grande, no
litoral paulista. Familiares dos criminosos queriam registrar boletim de lesão
corporal, mas não conseguiram.
Por G1 Santos
A mãe de um dos
suspeitos de tentar roubar a carga de um caminhão e ser agredido pelas vítimas
do assalto, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, diz estar
"revoltada" e preocupada com o filho, cujo o caso repercutiu nas
redes sociais. Na delegacia, ela tentou fazer um boletim de ocorrência de lesão
corporal, mas não conseguiu.
O caso ocorreu na
quinta-feira (6). Erick Thadeu Pariz de Oliveira, de 23 anos, e Gregory Perciliano
de Jesus, de 20, tentaram roubar com uma arma falsa um veículo no bairro
Quietude. Não conseguiram,
foram imobilizados, agredidos e desarmados pelas vítimas. Em seguida, acabaram
presos pela Polícia Militar.
"Quando soube
o que aconteceu, fui à delegacia ver meu filho. Cheguei lá e ele estava muito
machucado. Ele foi espancado. Tentei registrar um boletim de ocorrência de
lesão corporal. Nada justifica", disse a funcionária pública Iris
Perciciliano, de 38 anos. Ela é mãe de Gregory, que já foi preso em 2014 por
tráfico de drogas.
O delegado, responsável pela ocorrência, Alexandre Comin, informou que
não faria o boletim, uma vez que as vítimas atuaram em legítima defesa e por
terem sido ameaçadas por uma arma, que não sabiam que era falsa (simulacro).
"Eu estou revoltada. Meu sentimento é de revolta, pois meu filho pode
morrer por causa dos ferimentos".
Iris entende que Gregory cometeu um crime. "O
que ele [o filho] fez não é certo, mas ele foi espancado. Isso não é legítima
defesa mesmo. O ferimento no rosto do meu filho parece que quebrou algo, está
muito feio. E o delegado ainda postou o caso na internet. Não é ético",
desabafa. Por isso, ela quis representar contra as vítimas do crime do próprio
filho e contra o delegado.
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| Erick Thadeu e Gregory Perciliano foram presos ao tentarem roubar carga de caminhão (Foto: G1 Santos) |
Humilhação
A esposa de Erick, Vanessa de Jesus Oliveira Silva,
de 24 anos, disse também não concordar com a atitude do marido, nem com as
agressões contra ele. "Depois que o delegado negou o boletim, as vítimas
ficaram rindo da nossa cara. Eu me senti humilhada. Que violência é essa deles?
Não vai a lugar nenhum", definiu.
Ela também alega que o delegado postou em uma rede
social um comentário sobre o caso. O comentário repercutiu na internet.
"As pessoas estão nos difamando e nos ofendendo. Isso não é certo. A gente
quer tomar uma providência, pois fomos tratados como cachorro. É uma falta de
respeito. Cadê os direitos humanos?".
Na manhã desta sexta-feira (7), os familiares foram
até o Fórum de Praia Grande para acompanhar a audiência de custódia dos dois
rapazes presos. No local, eles foram informados que a audição ocorreria no
Fórum de Santos. Eles disseram que vão representar contra o delegado no
Ministério Público Estadual.
O caso
Erick e Gregory tentaram roubar a carga de um caminhão na Rua Gastão de
Souza Oliveira, segundo a Polícia Civil. Eles estavam armados. As vítimas
conseguiram reagir, lutaram com os assaltantes e os imobilizaram até a chegada
da Polícia Militar. O caso foi encaminhado à Delegacia Sede da cidade, onde os
dois foram presos em flagrante.
O delegado Alexandre Comin, responsável pela
ocorrência, reafirmou que atendeu os familiares da dupla, mas explicou a eles
que não faria um boletim de ocorrência de lesão corporal em favor dos dois,
pois as vítimas agiram em legítima defesa. "[Ás vítimas] estão respaldadas
pela lei", afirmou. Sobre a postagem na rede social, ele não quis
comentar.
O caso foi registrado como roubo a patrimônio e segue
em investigação. Comin ainda disse que os suspeitos foram submetidos a
atendimento médico e a exame no Instituto Médico Legal (IML) de Santos, que o
liberaram para permanecer presos. Ambos foram encaminhados à Cadeia Pública.
Fonte: G1
TV Tribuna









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