27 julho 2017

PCC CRIA CÉLULAS DE INTELIGÊNCIA PARA MATAR AGENTES PENITENCIÁRIOS

Para cada assassinato, é criada uma célula específica.


Flávio Costa Do UOL, em São Paulo 27/07/201704h00


Agentes mortos a mando do PCC
















O PCC (Primeiro Comando da Capital) montou células de inteligência para matar três agentes penitenciários federais. Baseadas inicialmente em São Paulo, Estado de origem da maior facção criminosa do país de acordo com a PF (Polícia Federal), essas células são chamadas de "sintonia restrita" e possuíam uma lista de servidores do sistema penitenciário federal com seus respectivos endereços.

O nome "restrito" vem do fato de que, quando o membro do PCC recebe esta tarefa, fica escalado exclusivamente para ela. São pessoas que, quando participam destas missões, tentam não falar pelo celular, para evitar rastreamento. "Para obter as informações e alcançar seus objetivos, a facção também conta com uma rede de infiltrados no sistema estatal", afirma um agente da PF.

"Esta rede de infiltrados é formada por policiais, funcionários do Poder Executivo e até membros de entidades de direitos humanos'".

 Desbaratar esses grupos tornou-se uma prioridade para os órgãos de segurança pública, apurou o UOL, que entrevistou seis pessoas que atuam no esclarecimento das mortes dos agentes, sob a condição de sigilo.

Para cada assassinato, é criada uma célula específica para executar o plano, informou um membro do MPF (Ministério Público Federal). A atividade é respaldada e gerenciada por líderes da facção que estão detidos em presídios paulistas.

A sintonia restrita é um grupo criado recentemente pelo PCC, subordinado diretamente à cúpula da facção. Seus integrantes se desvinculam da chamada "sintonia geral" e ficam subordinados à "sintonia geral fora do ar", o que indica que deixaram de exercer as atividades normais do PCC, a exemplo do tráfico de drogas.



Membros da Sintonia Geral 

Eles não precisam pagar a "cebola", a mensalidade obrigatória para membros da facção. "Eles não falam com qualquer um da organização. Por isso é tão difícil localizá-los", afirma uma fonte ligada às investigações.

O que é a sintonia restrita? "Sintonias" são como chamadas os diversos comandos do PCC. "A sintonia restrita é um escalão entre a cúpula e os executores. Em geral, os executores falam com a sintonia restrita [para receber ordens]. É quem aparece como mandante nas investigações, pela dificuldade de se chegar aos líderes", afirma o membro do MPF. "A sintonia 'restrita' é, digamos, uma área de inteligência."

 Membro do MPF ouvido pela reportagem

O assassinato de um servidor público, quando decidido pela cúpula do PCC, é considerado como "uma missão para aqueles que foram escolhidos a executar". O membro da facção é afastado de outras atividades criminosas até que esta missão esteja cumprida. Além de São Paulo, há sintonias restritas em Paraná e no Ceará, apurou a reportagem.

"Um dos papéis deste grupo é analisar e indicar os alvos mais fáceis de serem alcançados, através de um acompanhamento da rotina dos agentes."

Agente da PF ouvido pela reportagem "Cabe ao grupo também organizar toda a logística do atentado, como alugar casas na região em que será cometido o crime e estabelecer rotas de fugas", diz um funcionário federal.




Alvos: Agentes Penitenciários












Durante os preparativos para a morte de um dos agentes penitenciários federais, um dos membros da sintonia restrita conseguiu acesso direto às informações de caráter reservado às forças da segurança pública, por meio de uma senha de um funcionário público.

"Ele entrou no sistema da polícia para checar placas de carros e outras informações", disse outra fonte ligada às investigações. Além de levantamento de endereços de agentes, os membros responsáveis pelo planeamento das mortes tentaram se aproximar de seus alvos, em pelo menos uma ocasião.
 "Antes da primeira morte, eles alugaram uma casa ao lado de outro agente e chegaram a conversar com ele, tentando uma aproximação.

 Esse agente só não foi morto porque viajou na época em que o crime seria cometido", acrescenta. O Gaeco do MP paulista (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) deflagrou em dezembro passado uma operação que prendeu quatro membros do PCC que formavam uma dessas células de inteligência. Essa sintonia tinha como alvo policiais militares e civis, bem como agentes penitenciários do Estado de São Paulo.

Reportagem veiculada pelo "Jornal da Band", em abril deste ano, mostrou que um dos suspeitos chegou a fazer um curso de detetive. Ele instalou câmeras em frente às casas de prováveis vítimas.




Fonte: UOL

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