Unidade de Mogi Guaçu, uma das mais cheias, tem 200 detentas a mais.
Divisão de camas é feita por ordem de chegada e muitas dormem no chão.
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| Estado de São Paulo tem mais de 12 mil presas (Foto: Reprodução/TV Globo |
Oito metros
quadrados para até quatro mulheres. Quando a penitenciária está cheia, duas
dormem
nas camas, as outras no chão. Essa quase sempre é a realidade: o número
de presas é maior do que as celas comportam. Das 10 penitenciárias femininas no
estado, sete estão superlotadas.
A penitenciária
Feminina da Capital tem atualmente 645 mulheres - 41 a mais do que a capacidade.
Na de Mogi Guaçu, a mais cheia do estado, são quase 200 mulheres a mais. O
Centro de Detenção Provisória de Franco da Rocha (CDP), na Grande São Paulo,
onde ficam as mulheres à espera da sentença, opera com 20% a mais da
capacidade.
A reportagem do
SP1 conseguiu autorização da Justiça para entrar no CDP de Franco da Rocha, mas
a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não deixou que fosse mostrada
a situação da detenção alegando questões de segurança.
Uma das
presas, porém, concedeu uma entrevista à equipe. Viviane está há quatro anos
presa no local à espera de condenação. Ela revela que não há acomodação para
todas as presas.
“Depende. Tem
cela que tem 13 tem cela que tem 12. Tem cela que tem 20. Depende. Varia muito.
É muita presa para pouco espaço".
“Agora nós
estamos em 20”, afirma. E como fazem para dormir? “Então, eu tenho a minha
cama, mas tem companheiras que dormem no chão”
A divisão, de
acordo com Viviane, é feita por ordem de chegada na unidade. “ Eu cheguei é
minha vez de subir. Ai tem a vez das
outras e assim vai por sequência. Tem uma listagem tipo agora é a vez da fulana
subir
Tráfico de
drogas
Pouco mais de
12 mil mulheres estão presas no estado hoje. 280 são estrangeiras, vindas de 52
países. Quase todas - 75% - estão na Penitenciária Feminina da Capital.
Aos 32 anos, a
sul-africana Robin paga a terceira pena por tráfico de drogas. Sete anos de
cadeia. Atrás das grades, já fez três cursos.
“Prisão ela é
ruim. É mas eu no meu caso pessoal, o que minha mãe tentou me ensinar, ser
uma boa mulher, uma mulher decente, uma mulher longe das drogas, longe do
álcool, longe de qualquer coisa errada eu aprendi aqui”.
“A vida, o
mundo, me ensinou da forma mais dura que existe, da forma mais dura que existe.
Eu não desejo este lugar para ninguém”, garante.
Ocupação
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| Quem trabalha recebe em média R$ 700 por mês (Foto: Reprodução/TV Globo) |
O estudo é uma das maneiras de fazer o tempo na
prisão valer alguma coisa. O trabalho também. A horta é o atalho da Taila para
deixar a prisão mais cedo.
“É um pedaço do paraíso no inferno. É bem dessa
forma. Eu particularmente se eu ficar sem serviço, se eu ficar lá dentro, eu me
sinto trancada, presa. Me sinto assim.
A cadeia não é um negócio legal, não é um negócio
da hora, porque se você não tiver força de vontade, se você não quiser a
mudança para sua vida, aqui dentro você só aprende o que não presta. Tudo o que
você não sabia se você não tiver força de vontade você vai aprender o que? As
coisas erradas.
Quem trabalha recebe em média R$ 700 por mês.
Dinheiro que vai, na maioria das vezes, para a família lá fora. E cada três
dias de trabalho significam um dia a menos na prisão. Mas nem todo mundo tem
esse direito.
“Se a mulher é presa provisória, não tem uma condenação
ainda, ela não tem trabalho. Ela não tem trabalho, ela não tem estudo. Algumas
penitenciarias têm essa possibilidade de trabalho, mas nem todas. Isso não é a
regra”, diz a defensora pública Maíra Coraci Diniz.
Quem fica parada, passa boa parte do dia
no pátio. É do pátio, pra cela, da cela pro refeitório. Na cozinha elas separam
em marmitas a comida que elas mesmas preparam.
Obesidade
Em uma unidade mostrada na reportagem, a dieta vem
com pouco sal, mas a comida é repetitiva. E o exercício, quase nenhum. Aí,
aparece outro problema: a obesidade.
“Tem arroz em grande quantidade, pão, você tem os
sucos que servem que são sucos muito adocicados. A vida sedentária com o alto
consumo de carboidratos é que provoca este problema de obesidade. E um problema
seríssimo do ponto de vista médico, porque obesidade é um pacote, né? Junto com
ela vem hipertensão arterial, diabetes, você pega meninas hipertensas lá com 30
anos de idade”, explica o médico e escritor, Dráuzio Varella.
Sobre a obesidade nos presídios, a Secretaria da
Administração Penitenciária disse que a comida é preparada de acordo com
recomendações do guia alimentar do Ministério da Saúde, e que as presas podem
fazer exercício durante o banho de sol.
No caso da superlotação, a secretaria informou que,
desde 2011, vem expandindo o número de presídios femininos e que duas novas
unidades, com 1.660 vagas, estão em construção no estado.
Fonte: G1
Sete das dez Penitenciárias de SP estão superlotas
Fonte: G1
Sete das dez Penitenciárias de SP estão superlotas








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