06 setembro 2017

Então, eu resolvi prestar um concurso público para ser agente penitenciária com 18 anos de idade, seguindo o conselho da minha mãe…

A mulher livre do século 21
A liberdade da mulher consiste em o quanto ela é bem resolvida, o controle das emoções e as atitudes certas na hora certa.


Carcereiras

Então, eu resolvi prestar um concurso público para ser agente penitenciária com 18 anos de idade, seguindo o conselho da minha mãe…


Entrar bem e sair sem adoecer é um desafio difícil e é preciso uma vigilância constante
 que nem sempre é possível.








Então, eu resolvi prestar um concurso público para ser agente penitenciária com 18 anos de idade, seguindo o conselho da minha mãe, que também era agente há pelo menos 12 anos na época.

Ela era uma guerreira, que criou os seus dois filhos sozinha, e eu precisava ajudá-la.

Na época eu cursava a faculdade com muita dificuldade para pagar.

Logo, penso que seria muito mais fácil a minha adaptação, já que eu tinha em casa alguém para me passar na teoria um “know how” necessário pra chegar sem sofrer tanto os martírios de quem começa a trabalhar em um lugar tão pesado, sem saber de nada que acontece lá dentro.

E foi mesmo importante, ter esse conhecimento foi primordial, mas não para saber lidar  apenas com as presas. A famosa frase: “o mal do guarda é o outro guarda” não parece fazer sentido algum, mas quando você esta lá dentro entende o porquê.

Poucos são os colegas que querem te ensinar a trabalhar correto, pois fazer o padrão é impossível. Os mínimos procedimentos de segurança, ensinados na escola ou escritos nas portarias e leis nem sempre podem ser cumpridos por falta de estrutura, como por exemplo, a abertura de uma cela com outra colega no apoio na porta externa (cortina).

Muitas das vezes abrimos a cela fingindo ter alguém lá.

Demonstrar medo, nem pensar, nossa integridade física depende apenas da moral e da coragem.

Dentro do presídio a arma principal é a caneta.

Os assédios morais que partem da chefia é um capitulo a parte.

Da mesma forma que não se pode abaixar a cabeça para o preso, se baixarmos a cabeça para uma ordem absurda por exemplo, nunca mais você será vista com respeito e dignidade e por isso será alvo fácil de abusos. Em contra partida você sofrerá as consequências e as represálias por desafiar o autoritarismo, mas, pressão por pressão, melhor você mostrar logo a que veio.

16 anos de sistema penitenciário, não são 16 dias. Imagina, a minha mãe que se aposentou com 23 anos? Imagina quem cumpre os 30 anos.

Aprendemos a ter frieza e controle emocional nos momentos de crise, porém, essa couraça nos fez ter um olhar da vida muito peculiar (intenso, protetor e opressor) mas tentando sempre se preocupar em manter a doçura e o equilíbrio no nosso cotidiano.

As cicatrizes psicológicas se não forem bem tratadas podem ter como consequência o abuso do álcool, drogas ou medicamentoso.

Entrar bem e sair sem adoecer é um desafio difícil e é preciso uma vigilância constante que nem sempre é possível.

Assim eu acredito que seja na vida também. Principalmente para nós mulheres que temos que estar o tempo todo provando nossa capacidade, sem demonstrar medo, enfrentando as crises com muito mais força exterior do que internamente.

Uma vez que sabemos que uma linha de fraqueza que pode escapar, pode colocar tudo a perder e o desequilíbrio surgir como uma enxurrada.

Em compensação temos que ter uma válvula de escape e muitas vezes recorrer ajuda. O que não significa fraqueza e sim humildade e sabedoria.

Ludmila Abrante

Fonte: ALIBERDADEDAMULHER.WORDPRESS.COM


Parabéns a Nossa Companheira Agepen Ludmila Abrante. Independência é isso, fazer o que se quer fazer. Não importa onde e nem como, basta apenas querer.