01 janeiro 2018

CABEÇAS ROLARAM: Rebelião deixa 9 detentos mortos e 14 feridos em presídio de Aparecida de Goiânia/GO

Assassinatos ocorreram após confronto entre os próprios presos, diz Seap; corpos foram carbonizados. Motim foi provocado por invasão de grupo a alas rivais.



Por Sílvio Túlio e Vanessa Martins, G1 GO
01/01/2018 16h18  
Atualizado as 23:40

Colchões foram queimados, formando uma grande nuvem negra de fumaça
 (Foto: Mariana Boldrin/TV Anhanguera)




Detentos do regime semiaberto fizeram uma rebelião na tarde desta segunda-feira (1º) na Colônia Agroindustrial, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital.

Em nota divulgada nesta noite, a Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) informou que nove presos morreram, 14 ficaram feridos e 106 conseguiram fugir da unidade.

Houve crime de homicídio entre os presos

A quantidade de óbitos já havia sido passada ao G1 pelo coronel Divino Alves, comandante da Polícia Militar de Goiás. Ainda conforme a Seap, uma rixa entre grupos rivais provocou o motim e os homicídios. Durante o confronto, eles atearam fogo à cadeia e os corpos foram carbonizados. A perícia realiza o trabalho de identificação.

A Seap destacou ainda que 106 presos fugiram no momento da rebelião, sendo que 29 já foram recapturados. Outros 127 deixaram o presídio por conta da confusão, mas retornaram voluntariamente quando a situação se acalmou.

A rebelião começou por volta das 14h00 e foi controlada duas horas depois.


Rebelião em presídio deixa celas destruídas em Aparecida de Goiânia
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)


Feridos

O Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (Huapa) informou que recebeu 11 presos feridos durante a rebelião. Entre eles, "nove encontram-se estáveis, apesar de terem sofrido diferentes tipos de lesões".

Outros dois têm estado de saúde considerado grave: um deles "encontra-se entubado e sedado após ter sofrido queimaduras e ter sido intoxicado por fumaça"; já o segundo "está com uma bala alojada no ombro esquerdo e vai passar por tomografia para análise da forma de tratamento adequada".

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Já o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), disse que recebeu outros dois feridos e ambos estão conscientes, orientados, respirando espontaneamente e passando por avaliação médica.


"A Polícia Militar e o Sistema Prisional estão envolvidos nessa situação visando a normalidade do sistema", disse o comandante.

Rixa entre alas

A Seap informou que a rebelião foi provocada depois que presos da ala C invadiram a ala B, onde ficam detentos rivais. Neste momento, a unidade prisional foi incendiada.

Os bombeiros foram acionados para atuar no combate ao fogo, que formou uma grande nuvem de fumaça.
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Agentes do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) atuam no local com apoio do Batalhão de Choque e do Grupo de Radiopatrulha Aérea (Graer), ambos da vinculados à Polícia Militar. Por volta das 16h, a situação foi controlada.

Reclamações



Corpos dos presos depois de dominada a situação


                               
Parentes de detentos da Colônia Agroindustrial estiveram na porta do presídio durante a rebelião para saber se algum deles havia se ferido. A mãe de um dos presos conseguiu ver o filho, mas muitas ficaram desesperadas por informações.

Na ocasião, os familiares disseram que os presos pedem por melhores condições de alimentação e higiene na penitenciária. “O lanche da manhã não dá para todos. A água desce três, quatro vezes por dia. Os caras ficam com coceira, bicheira aí dentro”, afirmou uma das parentes.

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A avó de um dos detentos comentou que soube que o neto estava passando por dificuldades devido à falta de estrutura do local. “Faz quatro dias que eles estão sem água, sem beber nada, sem comer”, reclamou.

Procurada pelo G1, a assessoria da SSPAP informou que só irá se posicionar a respeito das reclamações durante entrevista coletiva na terça-feira (2).




Fonte: G1

Fotos: Wattsapp

Videos: Wattsapp