Em janeiro do ano passado, 26 presos foram assassinados nessa penitenciária.
19.ago.2018 às 15h14
![]() |
| Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada na grande Natal - Bruno Santos/Folhapress |
SALVADOR - Quatro homens foram mortos no presídio Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal (RN). Os corpos, que tinham sinais de enforcamento, foram encontrados na madrugada deste domingo (19) pelos agentes penitenciários de plantão.
Até maio do ano passado, a unidade funcionava como um dos pavilhões da penitenciária de Alcaçuz, onde 26 presos foram mortos em janeiro do ano passado. Após o massacre, o pavilhão foi isolado por um muro e tornou-se uma unidade prisional independente.
Foram mortos Iuri Yorran Dantas Azevedo, 24, Rodrigo Alexandre Farias Araújo, 26, Thiago Lucas Oliveira Silva, 24, e Ytalo Nunes de Souza, 25. Em nota, a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos informou que a Polícia Civil apura as causas das mortes e destacou que elas podem estar relacionadas a brigas internas entre facções criminosas.
“As facções criminosas não se comunicam mais com o exterior da cadeia, o que tem provocado brigas internas”, informou a secretaria, por meio de nota.
O governo Robinson Faria (PSD) ainda informou que "segue firme no trabalho de aperfeiçoamento do sistema prisional, mantendo detentos presos, longe do convívio com a sociedade, sem fugas e sem acessos a celulares”. Em janeiro de 2017, a penitenciária de Alcaçuz teve um dos maiores massacres registrados em presídios brasileiros, com 26 mortos.
![]() |
| Presos auxiliam no transporte de mortos na chacina de janeiro de 2017 |
Desde o massacre de 2017, haviam sido registradas outras três mortes dentro do presídio —duas em fevereiro e uma em abril deste ano. O Rio Grande do Norte decretou estado de calamidade no sistema prisional em 2015 e, desde então, vem renovando o decreto a cada seis meses.
O Rio Grande do Norte é o estado mais violento do país, segundo o 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (9), com 68 mortes a cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. O estado tem uma polícia sucateada, que, em dezembro do ano passado, decretou greve, fazendo subir também casos de arrastões, roubos e assassinatos.
Em janeiro passado, um ano após os massacres e confrontos em série que mataram 126 detentos nos presídios do país, reportagem da Folha mostrou que quase nada havia mudado nas cadeias de Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. O cenário seguia de sistemas penitenciários superlotados, facções criminosas, infraestrutura precária, fugas e mortes.
Nem o alardeado grupo de trabalho anunciado pela ministra Cármen Lúcia (presidente do STF) como ação emergencial após aquela matança de 2017 mudou o quadro dos presídios no país.
![]() |
| Construção de muros com containers para separar as facções rivais/Avener Prado |
Entre os quatro países com maior população carcerária, também tínhamos em 2015 a terceira maior taxa de encarceramento por 100 mil habitantes (342) desde 2000, quando passamos os chineses (119). O índice é mais baixo que o dos americanos (698) e da Rússia (445), mas é o único que está em crescimento contínuo desde 1995.
![]() |
| Armas utilizadas pelos detentos em Alcaçus |
A média nacional, de 1,7 preso por vaga existente, subiria para 2,9.
A estimativa resulta do cruzamento dos dados extraídos do BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão) com números obtidos nas secretarias que administram os sistemas penitenciários estaduais. Só Paraíba e Rondônia não enviaram suas informações.
Somados, os 25 estados que se manifestaram registravam em abril cerca de 656 mil detidos nos regimes aberto, semiaberto e fechado, entre presos provisórios e definitivos. Os mandados acrescentariam outros 448 mil detentos.
Para calcular o potencial déficit, a reportagem coletou todos os mandados de prisão da base de dados do CNJ em março, desconsiderando recapturas, progressão ou regressão de regime e mandados duplicados da mesma pessoa. O número depurado foi somado ao contingente já preso.
Em 18 estados, o número de mandados supera a capacidade das unidades carcerárias. Mesmo se estivessem vazias, o potencial cumprimento das prisões resultaria em superlotação. AC, AL, AM, DF, RS, SC e TO escapam dessa situação.
Fonte: Folha de São Paulo









