06 janeiro 2019

SÓ PARA LEMBRAR O DORIA, MATÉRIA DE 2017 : Custo de preso em cadeia privada no AM é quase o dobro da média nacional

O custo que o Estado do Amazonas tem com seus presos em unidades geridas pela iniciativa privada é quase o dobro da média nacional.








DE SÃO PAULO
05/01/2017  17h53 - Atualizado às 18h1
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Chacina no Presidio Anísio Jobim onde, somando com outras duas cadeias da cidade, morreram 56 presos



O custo que o Estado do Amazonas tem com seus presos em unidades geridas pela iniciativa privada é quase o dobro da média nacional.

Segundo dados do governo Estadual do Amazonas, no ano de 2016, foram pagos R$ 301 milhões à Umanizzare por serviços em seis presídios no Estado. Em um deles, o Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), 56 presos morreram entre domingo (1º) e segunda-feira (2), no maior massacre carcerário desde as 111 mortes do Carandiru, em 1992.

No Amazonas, a empresa tem sob sua responsabilidade 6.099 detentos, o que representa um custo médio de R$ 4.112 ao mês. Isso sem levar em conta os investimentos do próprio Estado nos presídios.


Para se ter ideia, segundo o Ministério da Justiça, o custo mensal por preso no Brasil é em média de R$ 2.400. Eles estão, em sua imensa maioria, em unidades geridas pelos Estados.


No Estado de São Paulo, que tem a maior população carcerária do país, o custo é de cerca de R$ 1.400 mensais, segundo a secretaria paulista de Administração Penitenciária. Entre os presos está o líder do PCC, Marcola.


Fachada da penitenciária Anísio Jobim, em Manaus



Os gastos dos presídios amazonenses superam até mesmo as despesas dos presídios federais, que são de segurança máxima. Em média eles custam R$ 3.800 mil mensais por presos. Entre os presos destas cadeias está Fernandinho Beira-Mar, chefe do Comando Vermelho.

Para o Ministério Público de Contas do Amazonas, os gastos com a terceirização de serviços são exagerados frente ao "descontrole da segurança" e a "ineficiência da gestão". Por isso, desde junho de 2016, a entidade questiona o contrato do Estado com a Umanizzare. Nesta quarta-feira (4), encaminhou um pedido ao Tribunal de Contas de rompimento do contrato da empresa.

"A rebelião e o massacre evidenciam que, muito embora a administração estadual esteja pagando cifra milionária às empresas representadas, o quadro atual nas unidades prisionais é de absoluto descontrole", diz o pedido.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, também já tinha apontado a empresa como responsável pelas mortes. "A responsabilidade vai ser analisada pela força-tarefa que realiza a investigação, mas o presídio é terceirizado. De cara, basta verificar que houve falha da empresa. Não é possível que entre armas brancas e de fogo na unidade prisional", disse. "Quem tem a responsabilidade imediata e quem tinha de verificar a entrada das armas é a empresa que fazia a segurança", acrescentou.

Exército adentrando Unidade do semiaberto do Compaj



Segundo a Umanizzare, seu contrato com o governo do Estado contempla serviços como limpeza, fornecimento de alimentação, assistência material, acompanhamento jurídico e monitoramento eletrônico. Para a empresa, o comando das unidades, bem como a atribuição do uso da força cabe ao Estado de Amazonas.

Segundo o Ministério Público de Contas, no entanto, isso deve ser questionado na esfera judicial, já que a empresa tem em seus quadros agentes penitenciários terceirizados.

A Umanizzare diz ainda que seus trabalhos também têm como objetivo a remissão da pena de internos, o que traz a longo prazo economia ao Estado.

A Umanizzare é uma empresa com sede em São Paulo e também tem contratos em presídios do Tocantins.




Fonte: Folha de São Paulo