08 julho 2019

VÍDEO : PF prende italianos mafiosos da Ndrangheta no litoral de SP, suspeitos de integrar máfia da cocaína

Pai e filho foram presos em cobertura de prédio em Praia Grande; máfia é responsável por 40% dos embarques globais de cocaína.






Folha de São Paulo
8.jul.2019 às 11h18

Dólares apreendidos em cobertura de italianos em Praia Grande, em SP - Divulgação/PF



SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu, na manhã desta segunda-feira (8), dois homens suspeitos de fazer parte da máfia italiana. Eles foram detidos em Praia Grande, no litoral sul paulista.

As investigações apontaram que os suspeitos integram um braço na América do Sul do grupo conhecido como Ndrangueta (lê-se Andrágta ou Andragueta).

Segundo a PF, o grupo mafioso, que está baseado na região da Calábria (na região Sul da Itália), seria o responsável pelo controle de cerca de 40% dos embarques globais de cocaína, sendo também o principal importador da droga para a Europa.

   
                        


Os policiais informaram que a dupla foi presa em uma cobertura de um prédio. No local, foram encontrados armas, documentos falsos, dinheiro em espécie e veículos. Eles não resistiram à prisão e estão detidos em um local não revelado por motivo de segurança.

A ordem de prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da representação da Polícia Federal junto à Interpol que contou também com a cooperação da polícia italiana.

Armas apreendidas na ação policial (foto: PF/Divulgação)




PRESOS


Um dos presos já foi condenado pela Justiça italiana pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico –a pena foi fixada em 14 anos de prisão.

O segundo detido, que é filho do primeiro criminoso, ocupava ao menos três apartamentos na cobertura do prédio de alto padrão, no litoral paulista.

Bolsas esportivas abrigavam cocaína que iria ara a Europa em contêineres de papel e proteina de soja. Divulgação



Pai e filho estavam foragidos desde 2014. Usando documentos falsos, a dupla chegou a viver em Portugal e na Argentina antes de fixar moradia no Brasil.

A PF informou que a cobertura usada como esconderijo possuía um sofisticado sistema de vigilância, com câmera em 360 graus instalada na área externa, o que possibilitava a identificação de todas as pessoas que acessavam o prédio.

A operação foi conduzida pela Polícia Federal do Paraná e batizada de Barão Invisível.

Bolsas esportivas abrigavam cocaína que iria para a Europa em contêineres de papel e proteina de soja. Divulgação



Assisi é considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo. Em 2016, o jornal Corriere Della Calabria publicou reportagem em que classificava como ‘o fantasma da Calábria que enche a Itália de cocaína’.

Em entrevista coletiva à imprensa, o superintendente da PF no Paraná, Luciano Flores, afirmou que ele é ‘um dos principais elos da máfia italiana Ndrangheta, e estava no Brasil há bastante tempo, ha duas décadas foragido’. “Procurado pela Interpol, já residiu em outros países, como em Portugal, onde chegou a ser preso e fugiu. Passaportes falsos e e documentos falsos foram apreendidos na residência onde morava no litoral de São Paulo”.

Foto: Reprodução/Corriere Della Calabria

“Foram apreendidos diversas moedas estrangeiras como dólar, euro e uma quantidade significativa em reais. Foram apreendidos três armas de fogo, identificadas paredes falsas nos apartamentos, mais de que ele fazia uso em uma cobertura de luxo no litoral de SP. Tudo preparado para esconder drogas, armas, muito dinheiro para que ele pudesse fugir em eventual abordagem policial”, afirma.

Em razão dos aparatos de contrainteligência do italiano, Flores diz que foi necessária uma ‘operação bastante complexa’ para efetuar a prisão de Assisi e seu filho.

“Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da Representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação à Polícia Italiana”, afirma a PF.




Fonte: Folha de São Paulo
Vídeo: Youtube Repórter Beto Ribeiro