Essa medida seria a mesma de promover cortes salariais, mas sem risco de gerar uma deflação, segundo Guedes.
Por Redação Jornal de Brasília
Publicado 2 horas atrás em
06/04/2020
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| Na conversa com os parlamentares, Guedes afirmou que a economia com o congelamento de salários por dois anos seria a mesma que a obtida com eventuais cortes salariais |
O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez neste domingo, 5, um alerta para o risco de deflação no Brasil em função da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em videoconferência com parlamentares da bancada do DEM no Congresso, Guedes afirmou, conforme fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, que os salários de servidores públicos não devem ser cortados.
“Há risco deflacionário, portanto, não devemos cortar salário de funcionários públicos”, disse Guedes aos parlamentares. “O presidente (Jair Bolsonaro) nem aceita falar disso, mas o setor público tem de dar o exemplo, deveríamos congelar os salários durante dois anos.”
O ministro já vem defendendo há tempos o congelamento dos vencimentos dos servidores. No Fórum Econômico de Davos, em janeiro, disse que a iniciativa, que consta da proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que tramita no Congresso, seria importante para controlar a situação fiscal do País.
Na conversa com os parlamentares, Guedes afirmou que a economia com o congelamento de salários por dois anos seria a mesma que a obtida com eventuais cortes salariais. A diferença é que não haveria o risco deflacionário.
No Congresso, ganharam força nas últimas semanas propostas de corte de salários do funcionalismo público. O próprio presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM), defendeu que todos os poderes dessem sua contribuição neste momento de crise.
Um estudo do economista Matheus Garcia, do Movimento Livres, indica que uma redução de 30% no salário do funcionalismo federal, estadual e municipal bancaria um programa de renda mínima de R$ 200 mensais para 55 milhões de pessoas.
Na reunião deste domingo, porém, Guedes alertou para o risco de deflação. Os dados mais recentes do Banco Central mostram que, no mercado financeiro, a projeção média para o IPCA (o índice oficial de preços) para 2020 já está em 2,94%. Há pelo menos uma instituição, no entanto, que já projeta inflação de apenas 1,17% este ano e, com a redução da atividade econômica, a tendência é que as revisões para baixo continuem.
Participaram da videoconferência com Guedes os deputados federais do DEM Efraim Filho (PB), Kim Kataguiri (SP), Pedro Paulo (RJ), Pedro Lupion (PR) e Alexandre Leite (SP), entre outros. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não estava presente.
Duração da crise
Guedes estimou, durante a videoconferência, que a crise provocada pelo novo coronavírus durará três ou quatro meses, segundo fontes que participaram da reunião. Mas o ministro afirmou que a crise de três ou quatro meses não pode ser transformada “numa crise de três ou quatro anos”. Neste contexto, ele defendeu a manutenção da agenda de reformas estruturantes.Em um momento da videoconferência, Guedes disse que os parlamentares estavam reclamando da qualidade do áudio do ministro, que transmitia a partir da Granja do Torto, em Brasília. “Para vocês verem como está precário o nível de investimento no Brasil”, disse Guedes, conforme as fontes.
Fonte: JORNAL DE BRASÍLIA
Contraponto:
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| Os governos deverão aceitar um papel maior na economia. Eles precisam começar a ver os serviços públicos como um investimento, e não mais como um gasto |
Tradução do Conversa Afiada - trechos de editorial do jornal Financial Times (uma espécie de bíblia dos banqueiros da Europa), publicado neste sábado 04/ 04/2020, de título "vírus expõe a fragilidade do contrato social"
Se há alguma consequência "positiva" da pandemia da Covid-19 é que ela criou uma espécie de "sentimento de união" em muitos países. Mas o vírus, assim como as duras medidas econômicas necessárias para combatê-lo, também deixaram à mostra as desigualdades de nossas sociedades - e também criaram novos problemas sociais.
Após derrotar a doença, uma nova questão que todos os governos deverão enfrentar brevemente é se os atuais sentimentos de "união" e "propósito comum" poderão contribuir para o bem da sociedade após a crise - afinal, assim como os líderes ocidentais aprenderam com a Grande Depressão de 1929 e com a Segunda Guerra Mundial, ao exigir "sacrifício coletivo" do povo é necessário oferecer, também, um contrato social que beneficie a todos.
A atual crise, entretanto, expõe como os países ricos não conseguiram cumprir esse ideal. A luta para conter a pandemia deixou claro como os sistemas de saúde pública estão sucateados. As fragilidades das economias nacionais também se tornam evidentes, à medida em que os governos se desdobram para tentar impedir falências em massa das empresas e altas record nas taxas de desemprego. (...)
As medidas de paralisação da economia impõem um alto custo àqueles que já estão mais fragilizados. Da noite para o dia, milhões de pessoas perderam seus empregos em setores como hotelaria, lazer e outros serviços relacionados. (...) Além disso, as pessoas em empregos mal-remunerados que ainda estão liberadas para o trabalho continuam a arriscar suas vidas - como técnicos do setor de saúde, repositores e estoquistas de supermercados, profissionais de limpeza e motoboys.
A ajuda financeira dos governos para a economia, ainda que necessária, poderá piorar a situação. Muitos países que permitiram o surgimento de um mercado de trabalho precarizado e mal-regulado perceberam a dificuldade que é canalizar corretamente os recursos para ajudar as pessoas em condições tão instáveis. (...)
Reformas radicais, que revertam a direção tomada nas últimas quatro décadas, deverão ser discutidas. Os governos deverão aceitar um papel maior na economia. Eles precisam começar a ver os serviços públicos como um investimento, e não mais como um gasto, e também buscar soluções para tornar o mercado de trabalho menos precário. A redistribuição de riquezas voltará ao centro dos debates e os privilégios dos mais ricos deverão ser questionados. Medidas até recentemente consideradas excêntricas, como a renda básica universal e a taxação de grandes fortunas, também precisam ser consideradas.
As medidas não-convencionais que muitos governos estão tomando para garantir a segurança das empresas e dos trabalhadores durante a atual crise são, muitas vezes, comparadas à "economia de guerra" - algo que os países do ocidente não experimentam desde a Segunda Guerra. A analogia pode ser ainda mais profunda.
Os líderes que venceram a Guerra não esperaram o fim do conflito para planejar o que viria pela frente. Franklin Roosevelt e Winston Churchill criaram a "Carta do Atlântico", que estabeleceu as fundações para a ONU, em 1941. O Reino Unido publicou o "Relatório Beveridge", seu comprometimento a um estado de bem-estar social, em 1942. Em 1944, a Conferência de Brenton Woods forjou a estrutura financeira mundial do pós-guerra. Hoje, nós precisamos do mesmo tipo de visão. (...)"
Resumo da tradução: "Reformas radicais, que revertam a direção tomada nas últimas quatro décadas, deverão ser discutidas. Os governos deverão aceitar um papel maior na economia. Eles precisam começar a ver os serviços públicos como um investimento, e não mais como um gasto, e também buscar soluções para tornar o mercado de trabalho menos precário. A redistribuição de riquezas voltará ao centro dos debates e os privilégios dos mais ricos deverão ser questionados. Medidas até recentemente consideradas excêntricas, como a renda básica universal e a taxação de grandes fortunas, também precisam ser consideradas."









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