A Polícia Civil apreendeu também nesta quinta-feira (2) armas de um núcleo do PCC que tinham sido compradas por meio de licenças para colecionadores.
Josmar Jozino
Colunista do UOL
04/06/2022
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| Durante os cumprimentos de mandado de busca e apreensão muitos ilícitos foram apreendidos-Imagem:Reprodução Band |
Com o documento falso obtido com a ajuda do policial, o criminoso, morto a tiros no ano passado, adquiriu uma das maiores empresas de ônibus da zona leste de São Paulo. A informação foi divulgada pelo repórter Fábio Diamante na edição desta quintafeira (2) no SBT Brasil.
O IIRGD fica na região central da capital paulista e é o departamento da Polícia Civil responsável pela emissão de carteiras de identidade em São Paulo. Foi lá que Cara Preta, com o auxílio do investigador, tirou o RG com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira.
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| Cara Preta foi assassinado em dezembro de 2021 no Tatuapé, zona leste paulistana |
Fontes policiais confirmaram à reportagem que o investigador foi afastado das funções e que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso. Ele também responde a processo no Tribunal do Júri por envolvimento em uma operação que terminou com a morte de dois inocentes.
Cara Preta foi assassinado em dezembro de 2021 no Tatuapé, zona leste paulistana. Ele era um grande fornecedor de armas e drogas para o PCC. A morte dele acirrou o conflito na organização criminosa. Noé Alves Schaun, 42, acusado de matá-lo, foi decapitado pelo "tribunal do crime" da facção.
Matéria Jornalística
Empresa de ônibus
Segundo policiais civis, foi com o nome falso de Eduardo Camargo de Oliveira que Cara Preta adquiriu a empresa de ônibus UPBUS Qualidade em Transportes Ltda. A companhia fechou contrato com a Prefeitura de São Paulo, através de licitação, no valor de R$ 574 milhões por ano.
A empresa opera 13 linhas de ônibus na zona leste de São Paulo. O capital social era de R$ 1 milhão quando foi aberta. Posteriormente, o valor foi aumentado para R$ 20 milhões. Policiais disseram que parentes de Cara Preta e ao menos seis integrantes do PCC são acionistas da UPBUS.
Cara Preta era investigado por lavagem de dinheiro havia um ano. Na manhã desta quinta-feira (2), policiais civis realizaram uma operação para desarticular o esquema da organização criminosa comandada pelo narcotraficante no passado.
Foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da UPBUS, e em endereços ligados aos sócios da empresa. Em um dos locais, os agentes apreenderam fuzis, pistolas, revólveres e submetralhadora. O armamento estava legalizado em nome de colecionadores.
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| Armas encontradas em poder de pessoa ligada a traficante-REPRODUÇÃO/RECORD TV |
Armas do PCC apreendidas foram compradas com licença para colecionador
A Polícia Civil apreendeu nesta quinta-feira (2) armas de um núcleo do PCC que tinham sido compradas por meio de licenças para colecionadores. O pequeno arsenal conta com fuzil, submetralhadora e pistolas que estavam em poder de pessoas ligadas a Anselmo Santa Fausta, chefe da facção morto em dezembro.
Segundo Genésio Léo Junior, delegado-chefe do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), a estratégia do grupo foi o uso de "laranjas" para conseguir a compra de armas de forma legal para CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores).
"Eu tenho passagem pela polícia, mas meu irmão não tem, meu cunhado não tem. Ele vai e tira o CAC de atirador, de colecionador, retira essas armas de forma legal, mas não necessariamente o meu irmão faz uso. Eu posso fazer uso", exemplificou o delegado-chefe em alusão à estratégia adotada pela facção.
A Polícia Civil suspeita que as armas estavam em nome de laranjas a serviço do PCC para a prática de assaltos e outros crimes contra o patrimônio. No endereço de outro alvo apontado como um dos sócios da UPBUS foram encontrados R$ 50 mil em espécie.
As armas, avaliadas em R$ 50 mil, foram encontradas na casa de uma pessoa com renda mensal de R$ 2.000, o que reforça a tese da atuação de laranjas no esquema.
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| Jardim Anália Franco se tornou epicentro de um conflito sangrento envolvendo o PCC - Imagem: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo |
O que diz a prefeitura
A empresa de ônibus continua funcionando normalmente. A Polícia Civil sustenta que Cara Preta adquiriu a empresa para lavar dinheiro do tráfico de drogas e diz que não pediu a interrupção do serviço de transporte público prestado pela UPBUS porque a medida iria prejudicar milhares de usuários.
Advogados da empresa não quiseram se manifestar. Já a Prefeitura de São Paulo divulgou nota esclarecendo que não foi informada a respeito do teor das investigações, mas que irá acompanhar o caso e colaborar com a polícia naquilo que for solicitada.
A nota diz ainda que a UPBUS é concessionária operadora do transporte público, após ter vencido processo licitatório.
Fonte: UOL/R7
Vídeo: Bandeirantes












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