A decisão judicial, revogando a prisão preventiva de Marcola, atendeu ao pedido em habeas corpus impetrado pelo advogado Bruno Ferullo Rita, defensor do preso.
Josmar Jozino
Colunista do UOL
02/10/2023
Marcola, no entanto, não vai ser solto porque tem condenação de 338 anos a cumprir pelos crimes de roubos, homicídios, formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas e organização criminosa. Ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília.
Os dois policiais militares foram baleados em maio de 2006, em Jundiaí, no interior paulista. Os atentados ficaram conhecidos como "crimes de maio" e foram atribuídos ao PCC em represália ao isolamento de 765 presos da facção criminosa na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
No processo envolvendo os atentados contra os policiais militares, a 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entendeu que houve excesso de prazo no julgamento do caso pelo Tribunal do Júri.
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| Retaliação da facção se deu após o isolamento de 765 presos da facção criminosa na Penitenciária II de Presidente Venceslau, situada no Oeste Paulista, considerada de Segurança Máxima |
No entendimento dos desembargadores da 2ª Câmara de Direito Criminal, Marcola, por estes crimes, está preso há 16 anos, vem sofrendo constrangimento ilegal, pois "até o momento não houve julgamento e nem há data para que isso se realize".
A decisão judicial, revogando a prisão preventiva de Marcola, atendeu ao pedido em habeas corpus impetrado pelo advogado Bruno Ferullo Rita, defensor do preso.
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| Viatura da PM atacada na ponte dos Remedios. Um policial morreu (Foto: André Porto) |
A nota diz ainda que "não é crível que uma pessoa seja mantida presa preventivamente há mais de 16 anos, sendo que a demora no curso da relação processual não pode ser imputada à defesa técnica, afinal esta apenas exerce seu direito".
O benefício estendido a Marcola já havia sido concedido ao réu Adriano Bezerra Messias, em razão do excesso de prazo da prisão preventiva. No total 19 pessoas foram acusadas por homicídio, tentativa de homicídio, tráfico de drogas e associação ao tráfico.
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| Delegacia alvo de ataque (Foto: André Porto) |
As remoções foram feitas na semana do Dia das Mães, data considerada sagrada no sistema prisional. Os integrantes do PCC ficariam sem a visita e, de acordo com o MP-SP, colocou em prática a onda de atentados em todo o estado.
As investigações apontaram que o PCC matou 59 agentes públicos e comandou rebeliões em 74 presídios paulistas. Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, 505 pessoas foram mortas por grupos de extermínio como revide aos ataques da facção criminosa.
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| A cidade de Sao Paulo que nunca parou, ficou vazia durante a madrugada de 16 de maio de 2006. Na imagem, a avenida 23 de maio (Foto: André Porto) |
Segundo o MPE, em retaliação aos ataques do PCC "parte das forças de segurança estatal impôs, por conta própria, métodos não ortodoxos de revide, culminando com mais de 500 baixas de civis, isso tudo sob a complacência do Estado, que não adotou qualquer medida efetiva."
Fonte: UOL











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