Comando Militar do Sudeste confirmou furto de 13 metralhadoras .50 e outras 8 de calibre 7,62 do Arsenal de Guerra do Exército. Sumiço foi verificado terça (10), durante inspeção. Segundo militares, armas são 'inservíveis' e não funcionam. Caso é apurado pela corporação.
Por Kleber Tomaz, Carlos Henrique Dias, g1 SP — São Paulo
14/10/2023
De acordo com a corporação, durante inspeção realizada na última terça-feira (10) no seu Arsenal de Guerra, os militares notaram o sumiço de 13 metralhadoras calibre .50 e de outras 8 metralhadoras de calibre 7,62. As metralhadoras .50 são conhecidas por terem poder de fogo e alcance para derrubar até aeronaves.
Por meio de nota, o Comando Militar do Sudeste (CMSE) informou que todas as armas levadas são "inservíveis", ou seja, não funcionavam, e passariam por manutenção. Além disso, o Exército informou que irá apurar internamente o que ocorreu por meio de um inquérito policial militar (leia abaixo a íntegra da nota).
Para efeitos comparativos, segundo o Instituto Sou da Paz, entidade sem fins lucrativos que faz estudos sobre armas e segurança pública, entre janeiro de 2015 a março de 2020, 27 armas do Exército foram roubadas, furtadas ou desviadas no Brasil.
Arsenal de Guerra de São Paulo em Barueri, Grande São Paulo - Foto: Reprodução/Exército brasileiro
"O último grande desvio do Exército havia sido o de 7 fuzis 762 desviado de um batalhão de Caçapava em 2009, também em São Paulo. Felizmente daquela vez, todas as armas foram recuperadas. O desvio de agora é muito mais grave, não só pela quantidade de armas levadas de uma vez, mas pela potência", disse ao g1 Bruno Langeani, gerente da área de sistema de Justiça e Segurança do Sou da Paz.
"Estas metralhadoras são armas automáticas que são usadas para perfurar blindagem. Seu desvio, mostra uma precariedade de controle dos arsenais. O Exército precisará de apoio das polícias para recuperar rapidamente estas armas, identificar e punir os responsáveis, mas principalmente corrigir os procedimentos de guarda, para prevenir outras ocorrências como esta", afirmou Bruno.
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| Polícia do Rio exibe metralhadora Browning .50 apreendida durante operação em 2018. Exército relatou desaparecimento de equipamento da mesma natureza nesta semana Foto: Fabio Motta/Estadão - 20-9-2018 |
O que diz o Exército
De acordo com os jornais "Notícias de Barueri" e "Metrópoles", militares que trabalham num paiol onde as armas furtadas estavam não podem voltar para casa após o desaparecimento do arsenal. Questionado pelo g1, o Exército não confirmou essas informações.
"Acerca do e-mail enviado, o Comando Militar do Sudeste informa que a investigação está em curso por meio de um inquérito policial militar e, em relação ao público interno, o Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) segue os procedimentos previstos para o caso", informa nota divulgada pelo CMSE, por meio de sua assessoria de imprensa.
Depois que o g1 voltou a questionar o Exército, pedindo mais detalhes do que ocorreu, foi encaminhado um novo comunicado:
"O Comando Militar do Sudeste informa que, no dia 10 de outubro de 2023, em uma inspeção do Arsenal de Guerra de São Paulo, foi verificada uma discrepância no controle de 13 (treze) metralhadoras calibre.50 e 8 (oito) de calibre 7,62, armamentos inservíveis que foram recolhidos para manutenção. Imediatamente, foram tomadas todas as providências administrativas com o objetivo de apurar as circunstâncias do fato, sendo instaurado um Inquérito Policial Militar".
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| Imagem aérea mostra estrutura do Arsenal de Guerra de São Paulo em Barueri - Foto: Reprodução/Exército brasileiro |
O g1 também pediu posicionamento ao Ministério da Defesa, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Metralhadoras como os modelos furtados do Exército em Barueri costumam ser desviadas e usadas por criminosos em ataques a carros-fortes e roubos a bancos no país. Esse tipo de arma é de uso restrito do Exército brasileiro.
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| Fuzis 7.62 roubados de quartel do Exército em Caçapava são recuperados - Foto: Lucas Lacas Ruiz/AE |
Exército mantém quase 500 militares aquartelados após sumiço de 21 metralhadoras
Militares estão sendo ouvidos na investigação, informou o Comando Militar do Sudeste
O Comando Militar do Sudeste informou neste sábado, 14, que mantém cerca de 480 militares aquartelados para a investigação do sumiço de 21 metralhadoras do Arsenal de Guerra de São Paulo em Barueri, na Grande São Paulo. “Os militares estão sendo ouvidos para que possamos identificar dados relevantes para a investigação”, diz a nota.
A ausência do armamento, 13 metralhadoras calibre .50 e 8 calibre 7,62 mm, foi notada durante uma inspeção no local na terça-feira, 10. “Os armamentos são inservíveis e estavam no Arsenal que é uma unidade técnica de manutenção, responsável também para iniciar o processo de desfazimento e destruição dos armamentos que tenham sua reparação inviabilizada”, informou o Exército.
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| Metralhadora .50, de uso restrito das Forças Armadas - Foto: Arte g1 |
Já o fuzil automático leve (FAL) de calibre 7,62 é adotado pelo Exército como armamento padrão de combate desde a década de 1960. “O FAL utiliza a munição 7,62x51mm NATO, que concede ao armamento uma alta precisão no engajamento dos alvos e grande letalidade”, descreve um estudo da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Rio. A análise acrescenta que a partir de 2017 teve início uma substituição gradual do FAL por um armamento de calibre 5,56 mm.
Fonte: G1/Jornal O Estado de São Paulo











Se estivessem sob vigia e escolta dos aevepes, seguindo o POP, no qap qrv stivi com toda certeza não seriam furtadas. :((((
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