O investigador da Polícia Civil Caio Oliveira Rezende Abreu foi preso preventivamente por suspeita de ajudar um suposto esquema que planejava ataques a autoridades de segurança pública em Uberlândia.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia, o policial teria avisado aos integrantes do esquema sobre a primeira fase da operação horas antes de ela ser deflagrada, em junho. O celular usado para trocar mensagens com os suspeitos foi apreendido.
Além disso, o policial foi flagrado fazendo trabalho de escolta para um dos investigados. Conforme o Gaeco, a Justiça afastou ele do cargo na Delegacia Especializada em Homicídios e determinou o recolhimento das armas dele.
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| Armas de fogo apreendidas na casa do policial - Foto: Gaeco Uberlândia |
Um dos endereços investigados é um apartamento no Bairro Fundinho. No local, armas de fogo foram apreendidas.
Ainda segundo o Gaeco, o policial civil foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pelos crimes de organização criminosa e por divulgar informações sigilosas de investigações.
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| Prédio de policial civil investigado na segunda fase da Operação Eríneas em Uberlândia - Foto: Google Street View |
Operação 'Erínias'
Em junho, 10 pessoas foram presas na primeira fase da operação 'Erínias'. A ação desarticulou a quadrilha investigada por planejar, de dentro de presídio, o assassinato de delegado, promotor e investigador, entre outros agentes de segurança pública.
Entre os alvos da primeira fase estavam o influenciador Lohan Ramires e um ex-policial militar. Todos foram presos de forma temporária, mas acabaram liberados da prisão em julho.
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| Lohan Ramires e Marlon Batista estão entre os investigados da operação 'Erínias' - Foto: @lohanramires/Redes Sociais e Sejusp |
As investigações descobriram que os criminosos se organizaram dentro do Presídio Jacy de Assis e montaram o plano para atacar as autoridades. Nos dias anteriores à operação, parte da quadrilha deixou o presídio.
Por meio de uma carta, descoberta pelos investigadores, o líder da organização criminosa deu ordem para a execução dos alvos. Leonardo Diego Silva Dias, que denunciou o esquema, foi assassinado em agosto.
Depois da primeira fase da operação, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu uma denúncia à Justiça com 20 réus. Com o decorrer das investigações, mais três pessoas foram denunciadas, incluindo o policial civil.
A denúncia
Leonardo Diego Silva Dias foi morto na chácara da família, na região metropolitana de BH, no fim de agosto. O g1 teve acesso ao vídeo onde ele revelou o esquema ao MPMG no mês de maio e citou os nomes de detentos alvos da operação Erínias, realizada em junho.
Leonardo Diego Silva Dias foi o responsável por denunciar ao Gaeco o plano de presidiários para matar delegado, promotor e policiais de Uberlândia.
O g1 teve acesso ao depoimento formal que ele prestou em maio dando detalhes sobre o esquema e afirmando que tinha medo de ser assassinado. Três meses após a declaração, ele foi morto a tiros na chácara da família em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo o MPMG, Leonardo revelou a existência de uma carta dentro do presídio contendo as ameaças e detalhou a participação dos detentos. A denúncia foi investigada na operação 'Erínias', que terminou com a denúncia de 20 pessoas à Justiça.
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| Leonardo Diego Silva Dias, durante oitiva em maio em Uberlândia - Foto: g1 |
Plano para matar autoridades
Leonardo Dias contou ao Gaeco que o plano tinha como alvo quatro alvos: delegado, investigador, promotor e outra autoridade de força de segurança de Uberlândia. Conforme o detento, os investigados alegavam que eram perseguidos pelos alvos.
"Eles falou [sic] que o promotor persegue muito eles, persegue o Lohan, persegue o Leandro, persegue ele [Marcelo]", detalhou.
Dias era companheiro de cela de Marcelo Gonçalves de Carvalho, por isso teve acesso a detalhes do plano. “Ele tinha muita confiança em mim. Deu carta de emprego. Me deu até o apartamento dele para eu ficar”.
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Grande quantidade de fuzis e pistolas apreendidos durante operação em Uberlândia (foto de arquivo de março de 2020) que faz parte da investigação da Operação 'Balada' - Foto: Polícia Militar/Divulgação |
Leonardo afirmou ao Gaeco que além de Marcelo - investigado por tráfico de drogas, corrupção, homicídios, extorsões, roubos, receptações, estelionatos e lavagem de dinheiro, o plano contava com as participações do influenciador Lohan Ramires - condenado a mais de 18 anos de prisão por tráfico de drogas, associação criminosa e falsidade ideológica - e de Leandro Diogo Naves - preso em 2021 durante a operação
'Balada' suspeito de integrar uma facção criminosa ligada ao tráfico de armas.
O trio, segundo ele, mandava dinheiro para um homem com o apelido de “Mão Branca”.
“Mandaram dinheiro para um preso de vulgo Mão Branca, que eu não conheço, já mandaram um fuzil e vão mandar outro. Ele está de [prisão] domiciliar e está tendo apoio de mais dois, o [...] e o 'Gugu'”, revelou.
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| Crimes foram planejados enqunto os acusados eram custodiados do antigo Presídio Jacy de Assis, atual Presídio Uberlândia I |
'Tá para acontecer'
Em relação aos valores, o ex-detento afirmou que o grupo já havia repassado mais de R$ 200 mil para que o crime ocorresse. "Tá pra acontecer. Dinheiro tá sendo entregue em mão, não estão movimentando nada em banco".
O depoimento foi em maio. Quase um mês depois que a operação 'Erínias' foi realizada. Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão e 12 de busca e apreensão há época.
Outro nome citado por Leonardo foi o de Marlon Batista Nunes, um ex-policial militar investigado na operação, que era a pessoa mais próxima do "Mão Branca". Todos os quatro citados nominalmente pelo ex-detento foram alvos da operação.
Blogueiro de Uberlândia foi preso em operação do Gaeco
Ameaça de morte
Ainda de acordo com Leonardo, antes mesmo de revelar o suposto esquema, ele já estava decretado a morte por uma facção criminosa.
"Forneci informações de onde estava um telefone e um carregador solar, mas aí foram na mesma hora e pegaram o celular. Me tirou do bloco da [facção criminosa]. Só que automaticamente eu já fui decretado [de morte]", contou.
Fonte: G1
Sr não fosse a participação de agentes públicos com o crime organizado, não teríamos tantas " biqueiras " nas esquinas, e consequentemente um excesso de criminosos agindo contra a população. O mal não combatido hoje, será aquele que afetará os próprios agentes públicos e familiares. Prisão para os bandidos infiltrados.
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