17 janeiro 2026

'Dei bobeira', disse delegada presa por suspeita de elo com o PCC após atuar como advogada em audiência de custódia

Namorado da servidora, apontado como uma das lideranças de facção na Região Norte do país, participou de sua posse no Palácio dos Bandeirantes em 19 de dezembro.

Por O Globo — Rio de Janeiro

17/01/2026 

Layla Ayub, advogada que havia sido recém-empossada delegada, foi presa por suspeita
de ligação com o PCC - Imagem: Reprodução/Redes sociais
A delegada Layla Ayub, presa nesta sexta-feira (16) por suspeitas de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), disse a corregedores que "deu bobeira" ao atuar como advogada de um integrante de facção dias após a posse no cargo público. 

Layla participou no dia 28 de dezembro de uma audiência de custódia de presos no Pará. Além disso, ela era namorada de um homem chamado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, que já havia sido condenado por pertencer à facção criminosa e estava em liberdade condicional.

Layla foi interrogada durante cinco horas por delegados da Corregedoria da Polícia, a quem relatou a "bobeira", segundo informações obtidas pelo Estadão. Investigadores disseram ao jornal que a delegada está "raivosa" com o ex-marido, que é delegado no Pará. 

A delegada Layla Lima Ayub e o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, apontado como
um dos chefes do PCC em Roraima - Imagem: Reprodução/Facebook


As primeiras informações sobre o suposto elo da mulher com o crime organizado chegaram às autoridades de forma anônima. No entanto, ela acredita que o ex-companheiro teria impulsionado as denúncias ao transmitir dados sobre a atuação dela em defesa de faccionados.

Durante o interrogatório, Layla disse que já havia pedido o cancelamento de sua matrícula na OAB, o que ainda não teria sido oficializado. Ela reconheceu que, mesmo assim, foi à audiência de custódia.

— Dei bobeira — disse.

Layla atuava como advogada no Pará, mas estava morando em São Paulo. De acordo com investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ela não só tinha clientes faccionados como visitava muitos presos integrantes do PCC em Marabá, no Pará, ainda que não tivesse procuração para representar esses detentos, e isso foi um dos fatores que chamou a atenção dos promotores.

Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, foi preso em flagrante em 2021 — Imagem: Arquivo
A outra suspeita em relação a ela foi o relacionamento com Dedel, que era um dos líderes do PCC na Região Norte. Ele estava em liberdade condicional e não podia deixar a comarca de Marabá, mas saiu da cidade para morar em São Paulo com Layla. O GLOBO tenta encontrar as defesas.

Layla era policial militar do Espírito Santo, depois se casou com um delegado e se mudou para o Pará. Lá, tirou o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e começou a atuar como advogada criminal. Ela conheceu Jardel quando ainda estava casada.

Segundo o Estadão, no interrogatório, a mulher não se julgou inocente, mas ressalvou: — Não errei sozinha.

A delegada Layla Lima Ayub e o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, apontado como
um dos chefes do PCC em Roraima - Imagem: Reprodução/Redes sociais
O secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a investigação social não falhou porque, na época em que ela prestou e foi aprovada no concurso, “não havia nenhum apontamento contra ela”. Ele ponderou que ela ainda estava em estágio probatório, na Academia da Polícia Civil, e que as investigações seguiram durante esse período, quando foram descobertas as relações dela.

— Eu não queria estar aqui nesse momento, eu queria estar com mais um aluno na academia porque a gente está precisando de delegado, mas a pessoa está num estágio probatório de três anos, e por três anos pode ser investigado. Na primeira investigação, não tinha nenhum apontamento — falou.

Jardel chegou a acompanhar Layla durante sua posse como delegada, no dia 19 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou da posse de 524 novos delegados da Polícia Civil.

Ainda de acordo com as investigações do MP-SP, Layla e Jardel estavam planejando adquirir uma padaria na Zona Leste de São Paulo, que poderia ser usada para lavagem de capitais.

O casal foi preso temporariamente na manhã desta sexta-feira em uma pensão onde viviam no Jardim Bonfiglioli, Zona Oeste da capital. A prisão tem prazo de 30 dias, e nesse prazo o MP poderá pedir para a Justiça a renovação da prisão.

Chefe do PCC namorado de delegada ensinava técnicas de tortura para jovens da facção em Roraima

Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como 'Dedel', foi enviado de São Paulo para fortalecer atuação da facção no estado. Layla Lima Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção, exercendo irregularmente o cargo de advogada.

Namorado da delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo por advogar para o Primeiro Comando da Capital (PCC), Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, ensinava técnicas de tortura para jovens da facção em Roraima.

Um vídeo publicado nas redes sociais mostra Jardel, que é conhecido como "Dedel" e "Vrau Nelas", mostrando a jovens como bater nas mãos com pedaço de madeira durante uma tortura. O vídeo foi postado com a legenda "Aqui o chicote estala". (Veja o vídeo acima).

Dedel foi preso em Roraima em 2021 por recrutar adolescentes para uma facção criminosa, durante uma operação da Polícia Federal. A investigação apontou que ele publicava fotos nas redes sociais fazendo um gesto com três dedos, em referência ao PCC. Atualmente, Jardel está solto.

Depois de preso, Jardel deu entrada no maior presídio do estado, a Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc). Em 2022, foi julgado e condenado a oito anos em regime semiaberto.

Jardel recebeu o benefício da saída temporária em maio de 2023. Em outubro, não retornou à Pamc, e em dezembro, foi preso no município de Marabá, no Pará.

Fonte: Jornal O Globo

3 comentários:

  1. Notícias relacionadas a SAP nada!?!?
    esse blog já foi bom.

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    1. Enquanto o coronelato estiver na SAP só vem notícias pouco animadoras, no Diário Oficial só vemos exonerações e aberturas de PADs, e nenhuma notícia de respeito e de valorizações dos servidores e dos PPs em geral, infelizmente não tem, e quando tiver pode acreditar que eu iriei postar sim, além de ser Polícia Penal inativo, sou admirador dos Policiais Penais e dos servidores da SAP, todos heróis esquecidos pela Administração Tarcísio. A começar pela Administração da própria SAP, independente de ser um decisão do próprio governador, mas temos bons quadros dentro da carreira e que poderiam muito bem estar ali na Direção da SAP, trabalhando em prol da SAP e auxiliando de forma irrestrita a DGPP.

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    2. Tomou de graça! Kkkkk.

      Realmente, PCC não tem nada a ver com o sistema prisional paulista, né? Essa molecada que chegou ontem... Difícil!

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