23 fevereiro 2026

Policial penal pediu ajuda a Tarcísio de Freitas antes de tirar a própria vida; hoje mais um PP tira a vida em Araraquara, após licença negada

Levantamento aponta 112 mortes autoprovocadas de policiais penais ativos entre 2020 e 2024; só em São Paulo foram 30 casos, hoje mais um lamentavelmente tirou a própria vida na cidade de Araraquara, teve a licença negada.

Por Ricardo Mello 

23/02/2026 

Mesmo pedindo socorro na página oficial do governador, não houve sequer o olhar de nenhum
assessor para a súplica de ajuda do policial penal que estava doente e sofrendo de depressão - Imagem: Reprodução
No dia 15 de novembro de 2025, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicou nas redes sociais uma homenagem à esposa. Entre centenas de comentários, um deles deveria ter chamado sua atenção. O policial Luiz Henrique Ribeiro, que completava 23 anos na Polícia Penal, em profunda depressão, pediu ajuda para conseguir tratar sua doença. Com três filhos, um deles com apenas 7 anos, Luiz Henrique apelou ao governador como último recurso:

“Vi o quanto o Sr. fala da sua família, então ajuda a minha, sou funcionário público há 23 anos e estou precisando de ajuda urgente para tratamento de duas doenças que têm cura. Estou numa depressão profunda, mal saio do quarto, ajuda por amor de Deus. Mandei mensagem desde 2023 no início das doenças e nada foi respondido. É por isso que há tantas tentativas contra a própria vida de tantos servidores, pois mesmo com vergonha e que se humilham a ajuda não vem!”


O Policial Penal pediu socorro em rede social do governador de São Paulo - Imagem: Reprodução
Seu comentário nunca foi respondido. Nenhuma ação foi tomada. Menos de três meses depois, no dia 9 de fevereiro de 2026, Ribeiro morreu após uma tentativa contra a própria vida. Ele estava afastado da Penitenciária de Marília e tentava tratar uma doença que o mantinha acordado por noites inteiras. Medicações não faziam efeito. Mudanças de médicos não traziam alívio. O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE) estava sucateado demais para oferecer o tratamento que ele desesperadamente procurava.

O caso de Luiz está longe de ser único. O Boletim do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES) 2025 mapeou 112 mortes autoprovocadas de policiais penais ativos entre 2020 e 2024 em todo o Brasil. São Paulo concentra 30 desses casos. Na comparação entre 2023 e 2024, todas as demais instituições de segurança pública registraram queda no número de suicídios; apenas a Polícia Penal teve aumento.

O Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal) contabilizou pelo menos cinco casos em 2025. A morte de Ribeiro é o primeiro confirmado em 2026, sinal de que a epidemia acelera.

“Depressão, ansiedade e outros problemas psiquiátricos são comuns no sistema prisional de São Paulo. O adoecimento é provocado pelas condições insalubres dos presídios, o risco permanente à vida e pelo excesso de trabalho”, relata Fábio Jabá, presidente do Sindicato.

Instituto de Assistência Medica do Servidor, o Iamspe está falido, vez que após sucessivos governos
não depositarem sua cota parte, desviam as cotas pagas pelos servidores para outras despesas - Imagem: Reprodução

Assistência de saúde em colapso

Servidores públicos paulistas que procuram o IAMSPE encontram longas filas, demoras e não conseguem a ajuda necessária. O estado mais rico da federação não oferece assistência psicológica e psiquiátrica de qualidade para seus servidores. Os números de afastamento entre policiais penais revelam a gravidade: aproximadamente 10% do efetivo total está afastado. Desses, metade é motivada por problemas de saúde mental. Policiais que deveriam estar em funções estão em casa, lutando contra depressão, ansiedade e transtornos que o sistema causa, mas não consegue tratar.

Jabá é direto ao diagnosticar o problema. “Os policiais penais sofrem na pele o sucateamento do sistema prisional e a desvalorização profissional. Eles vivem em constante tensão, trabalhando com defasagem de servidores, em presídios insalubres e recebendo ameaças constantes de facções criminosas. É urgente implementar medidas eficazes para cuidar da saúde mental desses servidores.”

Profissão Perigo

A profissão de policial penal é a segunda mais perigosa do mundo e a mais perigosa entre as carreiras de segurança pública. Segundo estudo do Instituto de Psicologia da USP, publicado em 2010, a expectativa de vida de um trabalhador do sistema prisional é de apenas 45 anos, quase três décadas a menos que a média da população. Isso se deve a péssimas condições de infraestrutura, extensa jornada sem compensação adequada e estresse amplificado pela falta de suporte psicológico. Quinze anos depois, a situação piorou.

Em São Paulo, que abriga a maior população carcerária do país — 224.795 detentos em 18 de fevereiro, a falta de servidores é um problema crônico agravado nos últimos anos pelo excesso de afastamentos e falta de contratações. O Estado possui 23.500 servidores ativos na Polícia Penal. Com base no total de presos, o número deveria ser de, pelo menos, 44,9 mil. O cálculo segue a recomendação da ONU e do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que indica um policial penal para cada cinco presos.

Policial penal do miolo, a segunda profissão mais perigosa do mundo, apenas com um HT,
uma caneta ou com a palavra pode segurar um pavilhão ou raio inteiro - Imagem: Arquivo Leandro

Hoje, os presídios paulistas têm um policial para cada quase 10 detentos (9,5). “Cada policial penal faz o serviço de dois. A conta não fecha e o problema tende a se agravar, uma vez que o Estado não faz reposição das vagas perdidas por aposentadoria, desistência e afastamento por doenças, e o concurso previsto foi suspenso pela Justiça”, denuncia Jabá.

Na avaliação do sindicalista, implementar um programa de atenção plena à saúde dos policiais penais é tarefa urgente. “Não é um luxo. Não é um benefício corporativista. É uma questão de sobrevivência. Enquanto policiais penais morrem, o governo segue em silêncio. O apelo de Luiz Henrique Ribeiro ao governador Tarcísio de Freitas nunca foi respondido. Não há programa estruturado de saúde mental. Não há investimento em psicólogos e psiquiatras. Não há plano de contingência para uma crise que já custou dezenas de vidas.”

São Paulo tem recursos e capacidade técnica. Mas falta vontade política para reconhecer que seus policiais penais estão morrendo pela falta de cuidado básico com saúde mental. Cada suicídio é um fracasso do Estado. Cada apelo ignorado é uma oportunidade perdida de salvar uma vida. Luiz Henrique Ribeiro pediu ajuda. Ninguém respondeu. Agora, ele virou uma estatística. A pergunta que fica é: quantas mortes ainda serão necessárias para que Tarcísio finalmente aja?

Sap diz que tentou contato blablablablablablablablablablablablablablablabla.....kkkkkkkkkkkk

Posicionamento oficial do governo

A Secretaria de Administração Penitenciária apresentou, por meio de nota, solidariedade aos familiares e informou que tentou contato com o servidor sem resposta. A secretaria lista serviços de saúde mental oferecidos: atendimentos presenciais e online desde 2006, novo programa psicológico online com 1.139 atendimentos em 2024, palestras sobre prevenção de suicídio e visitas domiciliares.

A nota esclarece que delega ao IAMSPE a responsabilidade pela saúde mental dos servidores e diz que foram feitos 621.968 teleatendimentos de saúde mental e afirma que o instituto disponibilizará um novo edital de contratação de consultas ambulatoriais com especialista para a primeira quinzena de março.

A reportagem questionou sobre o déficit de servidores, mas a SAP não respondeu.

Confira a íntegra da nota enviada ao ICL

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) se solidariza com a dor dos familiares e colegas do Policial Penal mencionado. Foram feitas diversas tentativas de agendamento de visita ao servidor, em razão de sua licença saúde psiquiátrica, intermediadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidente (Cipa) da unidade prisional, sem que houvesse resposta desse servidor.

Desde 2006, oferece atendimentos presenciais e online em seus Serviços Regionais de Qualidade de Vida, por meio da Coordenadoria de Saúde do Sistema Penitenciário, sendo realizados 732 atendimentos em 2025.

No ano passado, foi criado o Programa de Atendimentos Psicológicos na modalidade online disponível a todos os servidores desta Pasta, com a finalidade de ampliar o alcance e cuidado. Foram realizados 1.139 atendimentos de servidores.

A SAP desenvolve ações com funcionários, como palestras temáticas e gravação de vídeos sobre prevenção de suicídio, além de distribuir material informativo e promover visitas técnicas domiciliares sob demanda.

O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo oferece teleatendimento de saúde mental com psicólogos e psiquiatras altamente especializados. Já foram realizados 621.968 atendimentos. O Iamspe também disponibilizará um novo edital de contratação de consultas ambulatoriais com especialista para a primeira quinzena de março.

O Iamspe oferece atendimento presencial em 78 hospitais gerais em São Paulo, que podem transferir pacientes em emergências psiquiátricas ao serviço especializado, além de teleatendimento on-line de saúde mental com 685 psicólogos e 11 psiquiatras. A primeira avaliação ocorre em até 24h.

É possível ser atendido no Hospital Geral conveniado e eles transferem para o especializado ou para o HSPE. Porém, é oferecido teleatendimento on-line com psicólogos e psiquiatrias.

Fonte: ICL - NOTÍCIAS

Contraponto:

E na data de hoje após ver sua licença médica negada, outro servidor, policial penal desistiu de tudo e tomou uma atitude drástica atentando contra a sua própria vida também na cidade de Araraquara - Imagem: Diário Oficial

Até quando está tragédia anunciada ira persistir?

E por uma infeliz coincidência, na data da publicação dessa matéria, como se viesse o destino corroborar as tragédias anunciadas que têm sido publicadas nos sites de Sindicatos, matérias de Blogs e em Podcasts direcionados a categoria dos políciais penais, na data de hoje, o policial penal Rodrigo Moreira de Lima, em uma atitude trágica e derradeira também atentou de forma fatal contra a propria vida. 

Depressão, falta de reconhcimento, baixos salários, lei da mordaça na Polícia Penal, falta de servidores com quadro de pessoal totalmente fragilizado e sem perspectivas imediatas de reposições, fazendo com que cada servidor tenha que se desdobrar por dois ou três outros servidores, cargas horárias e plantões em muitas vezes sem hora de encerramento e perseguições e punições para quem diz não ou denuncia tais atos e pressões de Diretores. 

Esse mesmo tema foi discutido na Alesp recentemente, (e pode ser lida clicando aqui) no ano de 2023, momento em que o tema foi abordado em audiência pública na Alesp por iniciativa de Carlos Giannazi (PSOL), mas a abrangência do tema foi para além do MP, uma vez que o assédio moral é ainda uma prática recorrente em vários setores do serviço público, como o sistema prisional, por exemplo. 

Carlos Neves, do Sindicato dos Policiais Penais e Trabalhadores do Sistema Penitenciário (Sindcop), naquele momento relatou que perdeu, nos últimos 30 dias, três colegas por suicídio. Ele disse que, no sistema prisional, o assédio contra as mulheres é muito forte, mas é velado. Já contra os homens, é algo praticamente normal, institucionalizado. 

A carga de trabalho é excessiva - há um déficit de 14 mil funcionários -, e todas as atribuições têm de ser cumpridas, não importa quantas pessoas haja. "Existe uma cultura de que temos de ser fortes, não podemos pedir água, e o que acontece fica entre nós. Falta apoio psicológico e psiquiátrico, e, quando a vítima tem a coragem de denunciar, nós não temos como fazer com que o agressor seja punido."

Tarcísio De Freitas mente, mente tanto que nem sente!


Da data dessa Audiência Pública até os dias atuais posso afirmar de forma categórica que esse déficit funcional aumentou de forma exponecial, e a curto prazo a categoria se vê em um túnel sem fim e sem luz, sem nenhuma possibilidade de ter um alivio ou alento no quesito reforço, sem contar o ranço da Administração Pública que trata os Servidores da Segurança Pública apenas como cabos eleitorais durante as campanhas e pleitos políticos.

Que coincidentemente também, esse é um ano político em que este mesmo governador que massacra a Segurança Pública de São Paulo e que uma de suas prinicpais plataformas de governo é essa mesma categoria que foi espezinhada, massacrada, perseguida, abandonada e por fim desdenhada por Tarcísio de Freitas, citando como exemplo a ida do governador a Comissão de Segurança Pública do Congresso Nacional, onde usando óleo de perobsa na sua cara feia e mentindo de forma categórica, afirmou de maneira acintosa e mentirosa que havia dado 45% de reajustes salarias para as Polícias em SP. 

Utilizando para tal calculo do fantasioso percentual na verdade, o reajuste concedido a PC, PM e Agentes Penitenciários na época, pelo ex governador João Doria em seu derradeiro ano de governo com índices de 20% c, somados as parcas e miseráveis reposições inflacionárias dadas desde o ano de 2023 pelo atual mandatário do Palácio dos Bandeirantes. 

Leandro Leandro.

Um comentário:

  1. Que Deus tenha misericórdia e conforte toda os familiares e amigos desse irmão que sucumbiu, com certeza o criador ira perdoa-lo, essa doença é terrivel, só quem passou sabe como é dificil, agora esses senhores ai que estão no poder, podem ter certeza o acerto de contas dos senhores logo chegara e o criador é quem pesara na balança da verdade, as mentiras e hipocrisias que os senhores cometem.

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