Registros de áudio e planilhas financeiras apreendidas revelam não apenas a proximidade de suspeitos com oficiais da corporação, mas também o registro de repasses de valores em espécie.
Por Bruno Tavares, TV Globo e g1 SP — São Paulo
21/07/2026
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| Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo Imagem: Divulgação/MP |
Registros de áudio e planilhas financeiras apreendidas revelam não apenas a proximidade de suspeitos com oficiais da corporação, mas também o registro de repasses de valores em espécie.
➡️ A operação desta terça mira uma organização financeira clandestina que atuava como o braço logístico do crime organizado e atendia desde criminosos comuns até chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com os relatórios de Polícia Judiciária que compõem o inquérito policial, a relação entre figuras centrais da investigação — em especial o empresário Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza — e o alto escalão da PM era estreita e utilizada para assegurar trânsito, blindagem e apoios estratégicos.
Em mensagens analisadas pelos investigadores, os interlocutores discutem abertamente a influência e a facilidade de acesso a comandantes e diretores da Polícia Militar.
Os PM citados não são alvos da operação desta terça nem foram denunciados ou acusados formalmente no caso.
*o coronel PM Pereira Martins, apontado nos autos como diretor de ensino da corporação, com registros de tratativas diretas e aberturas de canais particulares solicitadas por Cléber Azevedo em setembro de 2023;
*o coronel PM José Augusto Coutinho, identificado como o comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e do Comando de Policiamento de Choque durante o período analisado;
*e o coronel "Patrício", nome que figura de forma recorrente em planilhas de controle financeiro do grupo voltadas ao gerenciamento de despesas e vantagens indevidas.
O coronel José Augusto Coutinho foi comandante-geral da Polícia Militar paulista. Ele deixou o cargo em abril deste ano, após ser citado em um inquérito da Corregedoria que investigava a atuação de policiais na escolta de uma empresa de ônibus ligada ao PCC.
O g1 tenta contato com a defesa do coronel José Augusto Coutinho.
'Ticketagem'
Relatórios financeiros produzidos pela investigação detalham esquemas de circulação de dinheiro ilícito. Nas planilhas, os investigados chamavam os repasses de "ticketagem".
"Em uma planilha datada de dezembro de 2019, enviada por uma colaboradora identificada com o prenome 'Ellen' a Cléber Azevedo, há o registro explícito do pagamento de R$ 1.000,00 direcionado ao Coronel Patrício, demonstrando a injeção de recursos em espécie no esquema", diz um dos relatórios financeiros.
Para os investigadores, os pagamentos mapeados e a proximidade com oficiais comandantes não eram casuais, mas evidências de um canal estruturado de influência. O uso de nomes de oficiais em planilhas de controle de despesas reforça a suspeita de que os criminosos buscavam atrapalhar fiscalizações e obter vantagens competitivas e institucionais por meio de intermediários e contatos privilegiados dentro da PM.
Fonte: G1







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