11 setembro 2026

Ministério Público denuncia policial penal por homicídio qualificado em Araçatuba/SP

Promotoria sustenta que Robert Ronald Ramos Vieira foi surpreendido e morto com três tiros quando caminhava com a companheira; MP pede perícia detalhada de vídeo e apuração sobre eventual atuação do acusado como segurança privado.

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

11 de setembro de 2026

Ocorrência se deu em uma área do município onde se localiza o comércio "Fuzuê Bar" - Imagem: Reprodução 
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) denunciou nesta terça-feira (8) o policial penal Gledson David Corassa pela morte de Robert Ronald Ramos Vieira, ocorrida na noite de 30 de agosto, nas proximidades do Fuzuê Bar, no Jardim Brasil, em Araçatuba. A Promotoria atribui ao acusado a prática de homicídio qualificado por emprego de meio que resultou perigo comum e por recurso que dificultou a defesa da vítima.

A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho à 2ª Vara Criminal da Comarca de Araçatuba, no processo nº 1508620-19.2026.8.26.0388. O Ministério Público requer que o policial penal seja processado e, posteriormente, submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A denúncia representa a acusação formal apresentada pelo Ministério Público. O policial penal ainda será submetido às etapas do processo criminal e tem direito à ampla defesa e ao contraditório.

Crime ocorreu na noite de 30 de agosto

De acordo com a denúncia, o crime aconteceu por volta das 19h54 do dia 30 de agosto, em via pública, nas proximidades do Fuzuê Bar, na Rua Pedro Álvares Cabral, no Jardim Brasil.

O Ministério Público relata que Robert estava acompanhado da companheira e participava de um evento festivo. Em determinado momento, segundo a acusação, ele foi até seu veículo, pegou um simulacro de arma de fogo e o colocou na cintura, sob as roupas.

Ainda conforme a versão apresentada pela Promotoria, o policial penal estava de folga e portava uma pistola Taurus TS9 calibre 9 milímetros quando foi ao encontro de Robert.

Câmera de segurança filmou o ocorrido

MP afirma que vítima estava rendida

A dinâmica descrita na denúncia traz novos elementos sobre o episódio. Segundo o Ministério Público, Robert estaria caminhando abraçado com a companheira quando foi abordado.

A Promotoria sustenta que a vítima estava “completamente rendida” e não teria apresentado reação ou movimento ameaçador quando o policial penal efetuou três disparos.

Robert foi socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas morreu antes de ser submetido a procedimento cirúrgico. A arma utilizada nos disparos foi apreendida e deverá ser submetida à perícia.

Essas circunstâncias fazem parte da tese apresentada pelo Ministério Público e ainda serão analisadas no decorrer do processo, com possibilidade de contestação pela defesa.

Promotoria aponta duas qualificadoras

Na denúncia, o promotor Adelmo Pinho enquadrou o acusado no artigo 121, parágrafo 2º, incisos III e IV, do Código Penal.

A primeira qualificadora apontada decorre, segundo a acusação, do fato de os disparos terem ocorrido em via pública, diante de um estabelecimento comercial em funcionamento e na presença de diversas pessoas, o que teria colocado terceiros em risco.

A segunda está relacionada ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Para a Promotoria, Robert foi surpreendido enquanto caminhava com a companheira, sem participar diretamente de uma briga e sem possibilidade real de reação ou defesa eficaz.

A Corporação da Polícia Penal acompanhou o desenrolar dos fatos e esteve presente até
mesmo depois da Audiência de Custódia que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva - Imagem: Reprodução

Vídeo deverá passar por perícia

Além de oferecer a denúncia, o Ministério Público pediu uma série de providências para aprofundar a investigação das circunstâncias do crime.

Entre elas está o envio de um vídeo registrado por câmera de segurança ao Instituto de Criminalística de Araçatuba. O promotor requer que as imagens sejam ampliadas, principalmente a partir do momento em que ocorre a abordagem do acusado à vítima.

Também foi solicitado que imagem e áudio sejam reproduzidos em câmera lenta, com o objetivo de melhorar a visualização e a audição do que aconteceu. A própria denúncia informa que a dinâmica dos fatos foi registrada por câmeras de segurança.

MP quer saber se policial fazia segurança em bares

Outro ponto que deverá ser apurado é se o policial penal realizava atividade de segurança privada em algum estabelecimento da região.

O Ministério Público requereu que a Polícia Civil faça diligências em bares próximos ao local do crime para verificar se o denunciado trabalhava como segurança para algum deles.

A Promotoria também pediu à Secretaria de Administração Penitenciária o prontuário funcional do acusado e informações sobre eventual falta disciplinar ou de outra natureza durante o exercício da função.

Câmera filmaram de outro ângulo

Passagem pela Polícia Militar também será apurada

O promotor solicitou ainda que a Polícia Militar informe se Gledson já pertenceu à corporação, mesmo que temporariamente. Em caso positivo, o MP quer saber as razões do desligamento e ter acesso ao prontuário correspondente.

Também foram requeridos documentos de outro processo, a juntada dos laudos periciais ainda pendentes e a busca por eventuais novas imagens de câmeras de segurança existentes nas proximidades do local do crime.

Ministério Público pede julgamento pelo Tribunal do Júri

Ao final da denúncia, o Ministério Público pede que Gledson David Corassa seja processado, pronunciado e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento dos crimes dolosos contra a vida.

A Promotoria indicou cinco testemunhas para serem ouvidas durante a instrução criminal.

A apresentação da denúncia não representa condenação. Caberá agora à Justiça analisar a acusação, enquanto as circunstâncias do caso serão discutidas durante o processo, assegurados ao denunciado o contraditório e a ampla defesa.

Fonte: Portal Nossa Cidade

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