Aline Alves Bugni, de 31 anos, foi morta na noite deste domingo (27), após uma discussão com o marido, Felipe Arthur Bugni, de 40 anos. Segundo familiares, vítima já havia relatado agressões e dizia ter medo de se separar. Pai da vítima foi agredido por Felipe após acionar a polícia.
Por Abraão Cruz, TV Globo e g1SP
27/09/2026
Atualizada as 15:30
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| O policial penal Arthur Bugni foi preso por suspeita de matar esposa Aline Bugni - Imagem: Arquivo pessoal |
O marido dela, Felipe Arthur Bugni, de 40 anos, foi detido e levado para a Delegacia de Cajamar. A ocorrência ainda estava em andamento na noite deste domingo.
Segundo relatos de vizinhos, Aline e Felipe passaram o dia discutindo. À noite, durante a briga, o policial penal teria atirado contra a mulher.
Policial penal foi preso suspeito de matar esposa em SP
Aline e Felipe eram casados havia cerca de dez anos e tinham uma filha de 9 anos.De acordo com relatos de familiares, Aline já havia contado que sofria agressões do marido. Ela também teria manifestado a pessoas próximas o desejo de se separar, mas dizia ter medo.
O pai de Aline foi quem chamou a Polícia Militar após os disparos.
Depois de atirar contra a esposa, segundo as informações iniciais, Felipe teria agredido o sogro. Ele ficou ferido no rosto, com sangramento no nariz, e foi levado para um hospital.A Polícia Civil deve investigar as circunstâncias do crime e ouvir familiares e testemunhas. Na Delegacia de Cajamar, o policial chegou a alegar suicídio.
O delegado do caso diz que não conseguiu coletar dados suficientes para registrar o crime como feminicídio.
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| Felipe é investigado por suspeita de matar a esposa, Aline. Tiago, irmão dela diz que cunhado sempre foi muito ciumento com a irmã - Imagem: Reprodução/Arquivo e TV Globo |
Ciúmes e comportamento abusivo
Segundo Tiago Silva, o policial penal tinha comportamento possessivo em relação à mulher.
"Ele [Felipe] tinha um ciúme possessivo dela [Aline]. Até quando ela chegava do serviço, ele ia no ponto de ônibus buscar ela. Ele é abusivo, é um cara briguento. Ele já brigou com a rua inteira, ele já ameaçou todo mundo da rua", falou Tiago Silva à Globo.
Após a morte da irmã, Tiago e o pai, José dos Santos, de 65 anos, foram agredidos e ameaçados por Felipe, de acordo com o registro policial. Segundo eles, o marido de Aline não deixava ela ter contato com a família dela.
Os parentes relataram que a professora já tinha manifestado vontade de se separar por causa do comportamento agressivo de Felipe. Eles também negaram que a mulher queria se matar.
"Ela não largava dele porque ela tinha medo de morrer. E aconteceu. Infelizmente aconteceu. Infelizmente uma hora ou outra eu vi que isso ia acontecer porque ela tinha medo dele. Eu saí da casa do meu pai porque ele me ameaçava. Minha irmã sempre prezou pela vida. Minha irmã, ela trabalhava, ela amava a filha dela", lembrou o irmão.
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| Tiago e José, respectivamente, irmão e pai de Aline. Os dois foram agredidos por Felipe, marido da professora - Imagem: Lucas Jozino/TV Globo |
Filha ouviu o tiro
De acordo com a polícia, a filha do casal também estava em casa no momento em que ocorreu o disparo. O boletim de ocorrência informa que a criança não viu o que aconteceu, mas ouviu o barulho do tiro, entrou no quarto e viu a mãe morta.
A criança então chamou o avô, que mora no mesmo terreno, mas na casa debaixo da dela. O homem acionou as autoridades, que foram ao local.
Avô chamou GCM antes
Horas antes da morte de Aline, José já havia chamado a Guarda Civil Municipal (GCM). Ele afirmou que Felipe havia jogado spray de pimenta contra a porta e a janela da residência dele. Os guardas foram ao endereço, orientaram os envolvidos e deixaram o local.
Depois, segundo o pai, ele ouviu o genro dizer para Aline Alves Bugni e a filha que ele teria "os piores pesadelos da sua vida". Em seguida, ouviu Felipe Arthur Bugni ligar o som bem alto. Depois, foi chamado pela neta, que informou que a mãe estava morta.
José disse ainda que ele e o filho foram agredidos com socos no rosto por Felipe enquanto os agentes da PM estavam no imóvel da filha.
À TV Globo, Tiago afirmou: "Ele bateu num senhor de quase 70 anos. Eu peço que seja feita a justiça. Não é porque ele é policial que ele é melhor do que ninguém."
O irmão de Aline ainda falou que ele e o pai foram ameaçados de morte por Felipe. "Eu vou te matar, seu lixo" e "não quero esse lixo dentro da minha casa" foram as frases que o policial penal falou, segundo Tiago.
Felipe deu outra versão sobre a agressão ao sogro. Disse que José o chamou de assassino e lhe deu um soco primeiro e que ele revidou. Também negou tê-lo ameaçado.
Além das armas, dois celulares de Felipe também foram apreendidos para análise. A Polícia Civil não arbitrou fiança porque, segundo o despacho, a soma das penas dos crimes do flagrante ultrapassa quatro anos.
Alta de feminicídios
O estado de São Paulo registrou alta nos casos de feminicídio e no número de mortes decorrentes de intervenção policial nos três primeiros meses de 2026, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.
Nos primeiros três meses do ano, uma mulher foi morta em um feminicídio a cada 25 horas no estado. Foram registrados 86 casos, alta de 41% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 72% na comparação com o mesmo período de 2022, início da atual gestão estadual. É o maior número de casos de casos para um primeiro trimestre desde o início da série histórica.
Fonte: G1









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