SOMOS A POLÍCIA PENAL

Profissionais invisíveis que garantes a segurança da sociedade.

QUREMOS QUE NOSSOS DIREITOS SEJAM RESPEITADOS

Arriscamos nossas vidas para garantir a segurança de todos.

SOMOS GUERREIROS E INCANSÁVEIS

Lutamos pelos direitos de todos os servidores públicos.

ACREDITAMOS NUM PAIS MENOS DESIGUAL

Não compactuamos com os demsandos dos governos.

QUEREMOS QUE HAJA JUSTIÇA SOCIAL

Somente assim haverá segurança pública real.

30 julho 2026

Policial penal é condenado a 23 anos de prisão por matar cantor sertanejo durante churrasco em Votuporanga/SP

Rodrigo Marques foi condenado nesta quarta-feira (29) por matar Gustavo Henrique Soares Caporalini em Votuporanga (SP). Cabe recurso.

Por g1 Rio Preto e Araçatuba

30/07/2026

Rodrigo Marques (à esquerda) e Gustavo Caporalini (à direita); policial penal assassinou
cantor sertanejo em Votuporanga (SP) - Imagem: Arquivo pessoal
O policial penal Rodrigo Marques foi condenado nesta quarta-feira (29) a 23 anos, sete meses e seis dias de prisão por matar o cantor sertanejo Gustavo Henrique Soares Caporalini, de 39 anos, durante um churrasco em Votuporanga (SP).

O julgamento ocorreu no Fórum da cidade das 8h às 20h, e o réu terá de cumprir a pena em regime fechado por homicídio qualificado contra o cantor e por lesão corporal contra a ex-esposa. Cabe recurso. Ao g1, o advogado de defesa de Rodrigo informou que irá recorrer da decisão.

Rodrigo Marques, de 42 anos na época, preso após assassinato em Votuporanga (SP) - Imagem: Arquivo pessoal
Quanto às duas tentativas de homicídio contra os tios de Caporalini, o agente penitenciário foi absolvido.

O crime ocorreu no dia 25 de fevereiro de 2024 e, segundo a denúncia do Ministério Público, foi motivado por ciúmes após Rodrigo descobrir um suposto relacionamento entre a ex-esposa dele e o cantor.

Rodrigo Marques, de 42 anos, era na época policial penal e foi preso em Campina Verde (MG) - Imagem: Arquivo pessoal
Na ocasião, ele fez pelo menos sete disparos contra o cantor, perseguiu a vítima até o interior da residência e continuou atirando mesmo depois de Gustavo já ter caído no chão. 

Ainda conforme a denúncia, o agente penitenciário também atirou contra dois tios do cantor, que entraram em luta corporal para impedir novos disparos. Os dois sobreviveram.

Gustavo Caporalini foi alvejado dentro da própria casa em Votuporanga (SP) - Imagem: Arquivo pessoal
Rodrigo havia sido denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de meio cruel e por colocar outras pessoas em risco, já que o crime ocorreu durante uma confraternização familiar.

Segundo a denúncia, além dos pais e tios da vítima, havia cinco crianças e adolescentes na residência no momento dos disparos. Além do homicídio, Rodrigo responde por duas tentativas de homicídio contra os tios da vítima e por lesão corporal praticada contra a ex-esposa em contexto de violência doméstica.

Segundo a Polícia Civil, Rodrigo não aceitava o fim do relacionamento de 17 anos com a ex-esposa e teria descoberto mensagens trocadas entre ela e o cantor. Horas antes do assassinato, ele foi até a casa da mulher, agrediu-a e a ameaçou, dizendo que mataria tanto ela quanto Gustavo.

A Polícia Militar de Minas Gerais apreendeu o, veículo, a arma e o policial penal foragido
da cidade de Votuporanga após cometer assassinato no município
Rodrigo fugiu após os disparos, mas foi preso no mesmo dia em Campina Verde (MG). À polícia, ele confessou o assassinato.

Fonte: G1

29 julho 2026

Quem era Tarso Esdra, policial penal morto a tiros: 'Não media esforços para ajudar', diz irmã; vídeo

Tarso Esdra de Moura, de 44 anos, estava afastado das funções de unidade prisional de Aguaí (SP) devido a problemas de saúde. Ele foi encontrado morto às margens da rodovia; Polícia Civil investiga o caso como homicídio.

Por g1 São Carlos e Araraquara

29/07/2026

Tarso Esdra de Moura, de 44 anos, foi encontrado morto com marcas de tiro no domingo (26),
em São Paulo. Ele trabalhava na unidade prisional de Aguaí - Imagem: Redes sociais
Um irmão dedicado, um pai amoroso e um trabalhador incansável. É assim que a família lembra de Tarso Esdra de Moura , 44 anos, policial penal da unidade prisinoal de Aguaí (SP). Ele foi encontrado morto com marcas de tiros e sinais de violência, no domingo (26), às margens da Rodovia Raposo Tavares, na Zona Oeste de São Paulo.

O corpo do policial penal foi sepultado nesta quarta-feira (29), no Cemitério Vila Rio, em Guarulhos. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a família da vítima registrou o desaparecimento do policial penal no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no domingo (26).

Policial  penal foi encontrado morto às margens da Rodovia Raposo Tavares; Polícia Civil
investiga o caso como homicídio - Imagem: Divulgação
O caso é investigado por meio de Inquérito Policial instaurado pelo DHPP, que realiza diligências para esclarecer os fatos.

Segundo o relato da irmã, Talita Priscila, Tarso trabalhou em Aguaí e dedicou a vida a cuidar de quem amava, sem medir esforços para ajudar os outros e garantir um futuro melhor para o filho autista de 3 anos.

A família conta que Tarso sonhava em oferecer uma vida melhor ao menino e também aos pais. Não media esforços para ajudar quem precisasse.

"Ele sonhava ter uma vida melhor, se desdobrava para dar o melhor para o filho e meus pais. Não media esforço para ajudar os outros, para ele não tinha hora nem distância quando alguém precisava de ajuda", disse a irmã.

Carreira e família

De acordo com a família, depois de Tarso ser aprovado no concurso da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), construiu a carreira como policial penal, se casou e, 10 anos depois, realizou outro grande sonho e se tornou pai. O filho, hoje com 3 anos, era a sua maior motivação.

Segundo a irmã, o policial penal carregou desde cedo o peso das responsabilidades. Segundo ela, Tarso começou a trabalhar ainda jovem para ajudar na renda da família.

Nos últimos meses, a rotina da família havia mudado. O filho precisava de tratamento especializado por ser autista, o que fez Tarso retornar para Guarulhos, já que o atendimento não existia em Aguaí.

Além disso, ele estava afastado do trabalho por motivos de saúde e se recuperava de uma cirurgia no braço.

"Sua memória será, para mim, a de uma pessoa que sofreu, lutou, fez coisas boas e viveu sua vida com dignidade", afirmou.

Talita informou que o irmão fazia planos para o futuro, e a intenção era voltar a morar perto da família, em Aguaí, até o fim deste ano.

O policial penal Tarso Esdra de Moura, trabalhava na unidade prisional de Aguaí,
no interior de São Paulo - Imagem: Divulgação

Homicídio

O policial penal Tarso Esdra de Moura, de 44 anos, foi encontrado morto na noite de domingo (26), às margens da Rodovia Raposo Tavares, na Zona Oeste de São Paulo. Ele era servidor na unidade prisional de Aguaí, no interior do estado, e estava afastado das atividades funcionais por problemas de saúde.

Segundo a família, ele era considerado desaparecido desde o domingo. O corpo foi localizado por volta das 20h e apresentava ferimentos provocados por arma de fogo, além de outros sinais de violência, como hematomas.

Segundo a SSP, policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e encontraram a vítima, já sem vida, com ferimentos causados por arma de fogo. A perícia foi acionada e o caso foi registrado no 89º Distrito Policial (Jardim Taboão).

As circunstâncias do crime são investigadas pela Polícia Civil.

Segundo o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo, Sifuspesp, O DHPP informou que um suspeito já foi preso e um segundo suspeito deve ser preso a qualquer momento. Ambos são apontados como autores do crime. 

Segundo as informações que chegaram, um dos participantes do homicídio
do policial penal foi preso ainda na noite de 27/07/2026

Fonte: G1

MP denuncia quatro suspeitos de integrar núcleo do PCC acusado de monitorar Promotor Gakiya e Coordenador da SAP/SP

Segundo o Gaeco, grupo levantava endereços, rotinas, trajetos e informações sobre familiares do promotor Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina para repassar à 'Sintonia Restrita' da facção. O setor é apontado como responsável por planejar atentados.

Por Bruno Tavares, Isabela Leite, TV Globo, GloboNews e g1 SP — São Paulo

28/07/2026

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da
Secretaria de Administração Penitenciária - Imagem: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta participação em uma organização criminosa armada ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo a investigação, monitorava autoridades públicas para subsidiar possíveis atentados.

Entre os alvos do grupo estariam o coordenador da Coordenadoria das Unidades Prisionais da Região Oeste (Croeste), Roberto Medina, e o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Lincoln Gakiya.

Os denunciados são:

Victor Hugo da Silva, conhecido como "VH" ou "Falcão";

Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício";

Sérgio Garcia da Silva, o "Messi";

Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado".

A denúncia foi apresentada pelo Gaeco na última sexta-feira (24) e protocolada na Justiça na segunda-feira (27).

Dos quatro denunciados, dois já estão presos por outros processos relacionados ao tráfico de drogas. Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha", e Sérgio Garcia da Silva, o "Messi", cumprem prisão na Penitenciária de Avaré I, no interior paulista.

Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão", e Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado", respondem em liberdade. Na denúncia, o MP-SP pediu a prisão preventiva dos dois, sob o argumento de que eles poderiam continuar atuando em favor da organização criminosa.

O g1 não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos denunciados até a última atualização desta matéria.

Jefferson Santana ('Proibido'); Diego Lima (Lima); Wellison Almeida ('Corinthinha');
Victor Silva ('Falcão'); e Sergio Silva ('Messi') estão presos por tráfico - Imagem: Reprodução

Atuação

Segundo o MP-SP, o grupo atuava de forma coordenada na coleta de informações sobre autoridades públicas, como endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e dados de familiares.

O objetivo, de acordo com a acusação, era encaminhar esse material à chamada "Sintonia Restrita" do PCC, setor da facção apontado como responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra agentes públicos.

A Promotoria afirma que Victor Hugo era responsável por monitorar Roberto Medina em Presidente Venceslau, no interior paulista. Wellison, preso em outro processo por tráfico de drogas, receberia essas informações e faria o repasse à cúpula da facção.

Já Sérgio seria encarregado de levantar dados sobre a rotina do promotor Lincoln Gakiya em Presidente Prudente, enquanto Adilson teria atuado como interlocutor do grupo e auxiliado na exclusão de diálogos e na destruição de vestígios digitais.

Em outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou o plano do PCC. Na ocasião, oito homens passaram a ser investigados por suspeita de participação na elaboração do plano para tentar matar o promotor e o coordenador dos presídios.

Cinco dos investigados foram presos, entre julho e setembro de 2025, por tráfico de drogas. A partir da prisão deles e da apreensão de seus celulares, descobriu-se o plano para matar Gakiya e Medina. O serviço de inteligência da polícia conseguiu ter acesso a informações que davam conta da intenção dos criminosos de executarem as autoridades (leia mais abaixo).

Provas

De acordo com a denúncia, a investigação encontrou mensagens, registros de geolocalização, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e outros documentos relacionados ao monitoramento das vítimas.

Também foram identificados, segundo o MP-SP, indícios de vínculos dos investigados com atividades do PCC, incluindo tráfico de drogas e de armas.

O MP-SP sustenta que os quatro integravam, desde ao menos junho de 2025, uma estrutura organizada do PCC com divisão de tarefas voltada à prática de diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, delitos patrimoniais, crimes envolvendo armas de fogo e ações contra agentes públicos.

Os promotores decidiram não denunciar o grupo pelo crime de ameaça. Segundo a peça acusatória, apesar da gravidade das condutas investigadas, não houve ameaças diretas às vítimas por palavras, escritos ou gestos, razão pela qual entenderam que os fatos se enquadram, neste momento, no crime de integração de organização criminosa armada.

Vídeo mostra como integrantes do PCC traçaram trajeto percorrido por Medina

Plano

Em outubro, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou um plano do PCC para executar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina, ambos com atuação na região de Presidente Prudente (SP).

De acordo com as investigações, os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro do condomínio onde vive o promotor e usaram até drones para monitorar por meses a rotina dele e de Medina.

As ordens para os ataques partiram de dentro de presídios federais e seriam executadas por integrantes da facção em liberdade.

Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista. O caso é investigado pelo Gaeco e pela Seccional de Presidente Prudente.

Fonte: G1

28 julho 2026

Policial penal é encontrado morto com marcas de tiros na Rodovia Raposo Tavares, em SP

Homem de 44 anos, lotado em unidade prisional de Aguaí, foi encontrado morto às margens da rodovia; Polícia Civil investiga o caso como homicídio.

Por Abraão Cruz
28/07/2026

O policial penal Tarso Esdra de Mora tinha 44 anos de idade e estava afsstado de sus
atividades profissionais por problemas de saúde segundo consta em seu pronturário - Imagem: Redes Sociais
O policial penal Tarso Esdra de Moura, de 44 anos, foi encontrado morto na noite deste domingo (26), às margens da Rodovia Raposo Tavares, na Zona Oeste de São Paulo. Ele era servidor na unidade prisional de Aguaí, no interior do estado, e estava afastado das atividades funcionais por problemas de saúde.

Segundo informações preliminares, familiares haviam perdido contato e ele era considerado desaparecido desde o domingo. O corpo foi localizado por volta das 20h e apresentava ferimentos provocados por arma de fogo, além de outros sinais de violência, como hematomas.

Policial penal foi encontrado morto às margens da Rodovia Raposo Tavares; Polícia Civil
investiga o caso como homicídio. — Foto: Divulgação
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil investiga um homicídio ocorrido na Rodovia Raposo Tavares, na Zona Oeste da capital.

Ainda segundo a SSP, policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e encontraram a vítima, um homem de 44 anos, já sem vida, com ferimentos causados por arma de fogo. A perícia foi acionada e o caso foi registrado no 89º Distrito Policial (Jardim Taboão).

As circunstâncias do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil.

Segundo as informações que chegaram um dos participantes do homicidio do
policial penal foi preso ainda na noite de 27/~07/2026
Segundo comentários nas redes sociais o homicídio se deu por conta de brigas e discussões por bicos trabalhistas e que segundo afirmam, poeém sem provas, que o policial penal tenha sido morto por vigilantes patrimoniais. E que ainda, um deles teria sido preso na noite do dia 27 de Julho sob a acusação de ter participado do crime. 

Mas iremos aguardar novas noticias e assim que possivel atualizar essa matéria.

Fonte: G1

26 julho 2026

Viagens, favores e suspeitas de propinas: bastidores da relação entre coronéis da PM e membros do PCC; vídeo

Trocas de mensagens analisadas pelo MP revelam proximidade entre policiais e suspeitos de integrar esquema de lavagem de dinheiro da facção.

Por Fantástico

26/07/2026 

Viagens, favores e suspeitas de propinas: os bastidores da relação entre coronéis da PM
e integrantes do PCC - Imagem: Reprodução/TV Globo
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e analisadas pelo Ministério Público de São Paulo revelam uma série de contatos entre oficiais da Polícia Militar, incluindo coronéis da reserva, e investigados por suposta atuação em esquemas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As conversas incluem convites para viagens, hospedagens em colônias de férias da corporação, pedidos de favores e indícios de pagamentos de propina, segundo os investigadores.

O material foi encontrado pela Polícia Federal durante uma investigação sobre doleiros. Ao identificar possíveis vínculos entre policiais e suspeitos ligados à facção criminosa, a PF encaminhou as informações ao Ministério Público paulista, que aprofundou as apurações.

No centro da investigação está o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, aposentado da PM desde 2019. De acordo com o relatório do MP, ele mantinha contato frequente com Cleber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, investigados por envolvimento com o PCC. Os promotores afirmam que o oficial seria um "grande amigo" dos dois e apontam indícios de que ele atuava para facilitar o acesso do grupo a integrantes da corporação.

Em mensagem, coronel convida participantes para uma estadia na colônia de
férias de oficiais da PM - Imagem: Reprodução/TV Globo

Convites para colônias de férias

Uma das conversas analisadas ocorreu em setembro de 2020, em um grupo de mensagens chamado "Viajar Gente Linda". Nela, o coronel convida participantes para uma estadia na colônia de férias de oficiais da PM em Campos do Jordão. O convite foi aceito por Cleber Azevedo dos Santos, que, segundo a investigação, já era alvo de apurações por suspeita de ligação com a facção criminosa.

Dois anos depois, em setembro de 2022, novas mensagens mostram conversas entre Pereira Martins e Robson Martins de Souza sobre uma reserva na colônia de férias de Boraceia, no litoral paulista. Segundo o MP, os diálogos reforçam a proximidade entre os investigados e o oficial da reserva.

"Podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais", diz um coronel da PM a um suposto integrante do PCC


Em outra conversa, de 2023, Cleber envia ao coronel a foto de um oficial da PM e pergunta se ele o conhecia. Pereira Martins responde que o policial era seu amigo e se oferece para fazer contato diretamente. Para os investigadores, a mensagem reforça a suspeita de que o coronel utilizava sua rede de relacionamentos na corporação em benefício do grupo investigado.

Ainda segundo a apuração, Cleber é apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema, mantendo contato tanto com integrantes da cúpula do PCC quanto com policiais militares. Já Robson seria responsável pela articulação de pagamentos de propina a agentes públicos. Ambos foram presos nesta semana em operação das autoridades.

Suspeito informa sobre foto de uma sacola com dinheiro e valor de R$ 270 mil - Imagem: Reprodução/TV Globo

Dinheiro e suspeita de propina

Uma das mensagens consideradas mais relevantes pelos investigadores foi registrada em outubro de 2022. Após uma conversa sobre coronéis da PM, um integrante do grupo envia a foto de uma sacola com dinheiro e informa o valor de R$ 270 mil. A Polícia Federal avalia a hipótese de que os recursos pudessem ser destinados ao coronel Pereira Martins e ao coronel José Augusto Coutinho.

A investigação também aponta que parte dos recursos teria origem em um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia comerciantes da região do Brás, na capital paulista. Segundo o MP, valores provenientes do tráfico de drogas, operações com criptomoedas e golpes seriam transferidos por meios digitais e posteriormente sacados em espécie para dar aparência de legalidade aos recursos.

Coronel Coutinho também é citado

Coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, é citado
em investigação que apura relação de agentes com integrantes do PCC - Imagem: Reprodução/TV Globo
O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e ex-comandante da Rota, também aparece nas investigações. Em mensagens analisadas pela PF, suspeitos fazem referências ao oficial. Os investigadores apontam ainda uma possível ligação entre Coutinho e um doleiro conhecido como Amin, atualmente foragido.

A defesa de Coutinho afirmou que as menções ao coronel são "meramente incidentais e indiretas" e que não há atribuição de qualquer conduta ilícita ao oficial. Segundo os advogados, a inocência dele será comprovada ao longo das investigações.

Além do caso atual, Coutinho já era investigado pela Corregedoria da PM em outros procedimentos relacionados ao PCC. Um deles apura a suspeita de que policiais tenham prestado segurança privada a uma empresa de ônibus ligada à facção. Outro investiga um possível vazamento de informações que teria permitido a fuga de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como uma das principais lideranças da organização criminosa fora dos presídios.

Conversas analisadas pelos investigadores incluem ainda referências a supostos
pagamentos a policiais civis - Imagem: Reprodução/TV Globo

Polícia Civil também é mencionada

As conversas analisadas pelos investigadores incluem ainda referências a supostos pagamentos a policiais civis. Em uma troca de mensagens, Robson pede dinheiro vivo para realizar pagamentos relacionados a delegacias identificadas por números. Em outra conversa, Cleber menciona a necessidade de obter R$ 100 mil para pagar policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Há também um áudio de 2022 em que ele relata a cobrança de R$ 300 mil envolvendo uma investigação contra Robson.

O que dizem os investigados

A defesa de Cleber Azevedo dos Santos afirmou que ele nunca atuou como operador financeiro do PCC e negou qualquer envolvimento dos policiais citados com suas empresas ou influência na resolução de problemas empresariais. O advogado de Robson Martins de Souza não respondeu aos contatos feitos pela reportagem.

O Ministério Público informou que a investigação sobre os policiais continua em andamento e que não comentará o caso neste momento. Já a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e que eventuais responsabilidades serão investigadas com rigor. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos.

Fonte: Fantástico

22 julho 2026

Estados adotam escuta em presídios locais para combater facções, e governo Lula prevê expansão

No Ceará, 12 advogados foram presos após o monitoramento por meio de parlatórios. Executivo federal quer escuta entre detentos e visitantes em ao menos 138 unidades pelo país; OAB critica.

22.jul.2026 

Raquel Lopes

No Ceará, o monitoramento começou em novembro de 2025, no presídio de segurança
máxima do Complexo Penitenciário de Aquiraz -Imagem: Ilustrativa
Estados como Goiás e Ceará adotaram o monitoramento das conversas de lideranças de facções criminosas nos parlatórios de determinados presídios estaduais. A medida, prevista na Lei Raul Jungmann (Lei Antifacção), deverá ser expandida pelo governo Lula (PT).

Os parlatórios são áreas reservadas dos presídios destinadas ao contato entre presos e visitantes, como advogados e familiares. Esses espaços garantem a comunicação sem contato físico direto e sob regras específicas de segurança.

As escutas têm permitido às forças de segurança identificar ordens para homicídios, extorsões e outros crimes articulados por lideranças que continuam exercendo influência mesmo dentro das unidades prisionais, impactando diretamente a segurança pública fora do sistema.

No Ceará, o monitoramento começou em novembro de 2025, no presídio de segurança máxima do Complexo Penitenciário de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza.

Sistema para captar conversas entre presos e advogados é instalado no Ceará, tecnologia foi adotada
a partir de pedido formalizado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) Imagem: Divulgação/MPCE
As escutas subsidiaram investigações que culminaram, em junho deste ano, na Operação Mensageiros do Crime, do Ministério Público do Ceará. Foram cumpridos mandados de prisão contra 12 advogados suspeitos de atuar como intermediários de organizações criminosas.

Segundo o promotor de Justiça Oscar Stefano, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ceará, integrantes de facções criminosas se aproveitavam da prerrogativa de visitas sem limitação de quantidade para utilizar advogados como intermediários na transmissão de recados.

Segundo o promotor, alguns desses advogados também atuaram na cooptação de integrantes de facções rivais para o Comando Vermelho e, em alguns casos, recebiam cerca de R$ 500 por visita.

Esse movimento contribuiu para o fortalecimento da facção no Ceará, que hoje exerce influência sobre cerca de 85% a 90% do território do estado. A expansão se intensificou a partir de meados de 2025, com a migração de integrantes e lideranças de grupos rivais, como a Guardiões do Estado e a Massa Carcerária.

 O procurador-geral de Justiça, Haley Carvalho, esteve na unidade para verificar de perto
a implantação do sistema - Imagem: Divulgação/MPCE
"A importância do monitoramento nos parlatórios é fundamental para desarticular a capacidade de comando do crime organizado, uma vez que a comunicação é essencial para a coordenação de atividades ilícitas [fora do sistema]", disse o promotor.

As apurações tiveram início após decisão do Tribunal de Justiça do Ceará, em novembro de 2025, que autorizou a captação de áudio e vídeo nos parlatórios da unidade de segurança máxima.

Segundo o secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará, Luís Mauro Albuquerque Araújo, o sistema prisional faz um filtro prévio das conversas e encaminha apenas diálogos com indícios de crimes.

O monitoramento é restrito aos 118 presos da unidade de seguranças máxima considerados lideranças de organizações criminosas pelo serviço de inteligência. "Os alvos são indivíduos identificados como lideranças cujo grau de nocividade à sociedade e a ligação com o crime organizado já foram comprovados", afirmou.

Secretário Mauro Albiquerque explica como funcionao sistema


A experiência cearense teve como referência o modelo implementado em Goiás, onde as escutas nos parlatórios começaram em 2020.

Segundo o diretor-geral da Polícia Penal de Goiás, Josimar Pires Nicolau do Nascimento, o sistema funciona em duas unidades de segurança máxima, uma em Goiânia e outra em Planaltina, com capacidade para 390 presos e ocupação atual inferior a 150 internos.

De acordo com ele, a permanência nessas unidades segue critérios objetivos, como condenação por organização criminosa, tempo de pena, histórico de transferências entre presídios e informações produzidas pelo setor de inteligência.

As escutas também resultaram em investigações relevantes. Em 2022, a Polícia Civil de Goiás deflagrou a Operação Gravatas e prendeu 16 advogados sob suspeita de integrar ou colaborar com organizações criminosas.

OAB atuará no STF em defesa do sigilo profissional da advocacia - Imagem: Raul Spinassé/CFOAB
Há resistência de alguns setores, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A entidade é contrária à interceptação, gravação ou qualquer outra forma de monitoramento das comunicações entre advogados e clientes em parlatórios ou por meios virtuais.

"O sigilo profissional é garantia indispensável ao devido processo legal e ao direito de defesa. O sigilo profissional é uma garantia do cidadão e da sociedade. Os órgãos estatais devem utilizar outros meios de investigação", disse a OAB em nota.

Pela Lei Raul Jungmann, aprovada em março de 2026, conversas em parlatórios ou por videoconferência entre integrantes de facções, milícias ou grupos paramilitares e seus visitantes poderão ser monitoradas a pedido da polícia, do Ministério Público ou da administração penitenciária.

Se o diálogo for entre advogado e cliente, porém, a gravação dependerá de autorização judicial e de indícios de que o profissional esteja colaborando com a organização criminosa.

Segundo o secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, o sistema prisional está passando por uma mudança cultural e estratégica focada no isolamento e no controle rigoroso de lideranças de facções criminosas.

A gravação de atendimentos entre visitantes e presos em parlatórios antes era utilizada apenas nas cinco unidades do sistema penitenciário federal.

A intenção é elevar o padrão de segurança e implementar o monitoramento nos parlatórios em 138 unidades de todos os estados brasileiros, onde as lideranças devem estar concentradas.

Detentos caminham no Complexo Prisional de Pedrinhas, no Maranhão - Imagem - Pedro Ladeira - 7.nov.23/Folhapress
O governo federal fornecerá tecnologia, infraestrutura e capacitação, enquanto os estados ficarão responsáveis pela execução operacional da medida.

"[O monitoramento] é voltado para presos com vínculo comprovado com facções criminosas e que ocupem posição de liderança. A estratégia foca no isolamento desse 1% a 3% da população carcerária que efetivamente comanda o crime", disse.

O presidente do Consej (Conselho Nacional dos Secretários de Estado da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária), Helton Edi Xavier da Silva, avalia positivamente a proposta e afirma que os estados estão dispostos a fazer o que for necessário para combater as facções criminosas.

Ele diz, no entanto, que os estados ainda enfrentam dificuldades para implantar esse tipo de monitoramento. Um dos principais desafios é a classificação dos presos para fundamentar e justificar a medida. Na maioria dos casos, essa classificação é feita pelos setores de inteligência do sistema penitenciário.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

21 julho 2026

Familiares de presos mortos recorrem à Justiça por velório e enterro em SP

Fabiana* temia que o irmão Dário, morto em janeiro enquanto cumpria pena em uma unidade prisional a quase 500 quilômetros da cidade de São Paulo, fosse enterrado longe da família.

Fabíola Perez

Do UOL, em São Paulo

21/07/2026

A Penitenciária de Florínea está localizada a 480 quilometros da capital paulista, e era a
Unidade Prisional onde estava detido o irmão de *Fabiana, Dário - Imagem - Rede Record
Sem dinheiro para a viagem e o velório, ela entrou com uma ação na Justiça — obtida pelo UOL com exclusividade — e conseguiu que Estado e Prefeitura de São Paulo pagassem o sepultamento num cemitério próximo da família.

O caso revela uma lacuna enfrentada por famílias de pessoas que morrem sob custódia do Estado. Sem uma regra clara sobre quem deve custear o traslado e o enterro, parentes precisam recorrer à Justiça ou arcar com despesas que muitas vezes não conseguem pagar.

Punidas pela distância

Fabiana diz ter sido comunicada por telefone sobre a morte do irmão. "Você vai vir aqui ou já posso mandar enterrar?", teria dito a assistente social do presídio. "Deram 12 horas para tomar uma decisão. Tinha certeza que ele seria enterrado como indigente", afirma. "Eu não tinha condição financeira de ir para aquele lugar".

Sistema prisional de São Paulo registrou no ano passado uma morte a cada 14 horas, de acordo com a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária). Foram 633 mortes, um aumento de 9% em relação às 581 registradas em 2024. Quando uma morte acontece dentro de uma unidade, familiares iniciam uma saga para garantir o sepultamento ao parente que cumpria pena a quilômetros de distância na cidade em que passaram a vida — mas nem sempre conseguem.

Quem costuma arcar com as despesas são os familiares, diz Camila Tourinho, defensora pública coordenadora auxiliar do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo. "O estado atribui a responsabilidade da prestação de serviços funerários ao município e a administração municipal afirma que a responsabilidade é do estado", diz. "Há uma lacuna jurídica no que se refere ao traslado dos corpos das pessoas presas que morrem em unidades distantes dos seus locais de moradia".

Familiares enfrentam a burocracia pós-morte e ainda têm de comprovar a condição de pobreza. "São despesas altas para arcar de uma vez, é comum os familiares pensarem que têm a obrigação de ir até as cidades em que os parentes cumpriam pena, mas o papel de oferecer apoio é do Estado", afirma Viviane Balbuglio, advogada na Amparar e pesquisadora da FGV-SP. "Muitos são informados da morte sem nenhum preparo, até por email".

O primeiro caso que chegou ao TJSP foi relativo a um translado de um corpo de um detento que morreu em uma das Penitenciárias de Reginópolis - Imagem Portaria das Penitenciárias I e II de Reginópolis/SP
Primeiro caso chegou à Defensoria Pública de São Paulo em 2024. No documento, ao qual o UOL teve acesso, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou, em abril de 2025, que o estado de São Paulo arcasse com os custos do transporte do corpo e do enterro de um homem que morreu na penitenciária de Reginópolis (SP), a cerca de 400 quilômetros do endereço da família dele, na capital paulista. Nesse caso, a Justiça entendeu que a responsabilidade pelo traslado do corpo era do estado de São Paulo.

Política de interiorização dos presídios de São Paulo se intensificou desde os anos 1990, afirma Nina Cappello Marcondes. "Grande parte das unidades está localizada em cidades pequenas e afastadas, o que impõe dificuldades aos familiares, como a falta de transporte público para as unidades", afirma a defensora pública de São Paulo e coordenadora auxiliar do Nesc (Núcleo Especializado de Situação Carcerária).

Florínea a cidade que tem uma Penitenciária ou vice versa?

"Posso mandar enterrar?"

Equipe do presídio de Florínea informou que Dario havia cometido suicídio, segundo Fabiana. "Foi um dia terrível, não sabia o que fazer". Além da notícia da morte, ela foi informada de que o irmão havia sido transferido da unidade em que cumpria pena nos últimos dez anos, em Martinópolis (SP). "Meu sonho era conseguir visitá-lo, mas não deu tempo", diz. Ela conseguiu encaminhamento para a Defensoria Pública de São Paulo no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro em que vive.

Defensoria entrou com uma ação no TJ-SP para que prefeitura e estado arcassem com os custos do traslado do corpo e do sepultamento. Na decisão, a Justiça determinou o transporte imediato do corpo de Dario do IML de Assis (SP) para um cemitério indicado pela família dele na cidade de São Paulo. O TJ-SP determinou ainda o pagamento de todas as despesas, como a remoção do corpo, urna funerária, documentação e transporte. A SAP informou que "o Estado se manifestou no processo, informou o cumprimento da liminar e aguarda o julgamento da ação."

Corpo de Dario permaneceu 5 dias no IML de Assis até que ocorresse o traslado do corpo. "Ele morreu em uma segunda-feira. No sábado, o corpo dele foi levado para o IML de São Paulo", disse Fabiana. "O velório ocorreu no domingo pela manhã, foi uma despedida bonita", lembra. "Prometi à minha mãe que lutaria para ele vir para cá. Mas não tinha certeza se ia conseguir"

Filho de mulher que morreu em unidade prisional tinha comprado roupas de frio para levar à mãe - Imagem: Arquivo pessoal

Sem regra clara

Responsabilidade deveria ser solidária entre estado e município, segundo a Defensoria. "Para as famílias, não importa quem vai executar o serviço, se vai ser o estado ou a administração municipal, mas garantir o traslado do corpo", afirma Nina. "Esse é o último resquício de dignidade para as famílias que já não puderam evitar o óbito".

Decisões de tribunais não substituem fluxos administrativos, diz Jaceguara Dantas, conselheira do CNJ (Conselho Nacional Justiça) "O ponto central é transformar soluções que hoje dependem de decisões caso a caso em protocolos administrativos permanentes", afirma. A conselheira defende que uma alternativa seria que os casos decididos servissem como base para a construção das normas.

Conselho quer procedimentos administrativos previsíveis e definição de responsabilidades dos órgãos envolvidos. "Essas situações evidenciam a necessidade de coordenação entre diferentes órgãos públicos e a organização dos fluxos para atendimento das famílias", diz a conselheira.

Despesas com traslado, velório e sepultamento são de responsabilidade da família, afirmou a SAP. A pasta informou que, quando necessário, o Serviço de Assistência Social da unidade pode intermediar contato com órgãos competentes, inclusive prefeituras, para apoio e providências funerárias. Secretaria disse também que os familiares são informados sobre a morte pelo serviço de assistência social da unidade. Protocolo inclui comunicação aos familiares, ao Juízo das Execuções Penais e às autoridades. É feito o boletim de ocorrência e instaurado um processo para investigar as circunstâncias da morte.

"Para capturar ela, eles vieram. Depois que ela faleceu eles não se mobilizam para devolver o corpo para a família."
Gabriel, que perdeu a mãe no sistema prisional

Débora morreu na segunda-feira (6) em uma penitenciária da capital de São Paulo. Os filhos, moradores de uma cidade do litoral paulista, dizem ter recebido a notícia na quarta-feira (8). "Estava trabalhando, assim que pude retornei à assistente social", diz Gabriel, 24.

Comunicação entre presídios e familiares é marcada por dificuldades, afirma Tourinho. "Muitos familiares não estão formalmente cadastrados no rol de visitas ou estão com os contatos desatualizados, as unidades prisionais também não têm assistentes sociais suficientes para realizar atendimento adequado", ressalta. O CNJ orienta juízes a verificarem se houve comunicação em tempo razoável aos familiares ou à pessoa indicada. Segundo a conselheira, o órgão orienta a comunicação humanizada com informações sobre a liberação do corpo e as medidas cabíveis.

"Você é filho da Débora? Sua mãe faleceu na segunda", teria dito a funcionária a Gabriel. "O corpo dela está no IML de São Paulo, você precisa vir até a unidade". Sem dinheiro para os custos do transporte e do velório, Gabriel e os irmãos tiveram de recorrer a entidades locais e contar com uma carona para ir a São Paulo. "Não sabia nem como chegar"

Traslado do corpo e o velório custaram cerca de R$ 3.400. "Fizemos uma vaquinha para conseguir o dinheiro para o combustível e o velório". Ele conta que como o corpo estava no IML havia dois dias, não tinha mais tempo para esperar. "Fiquei sem chão e tive que resolver toda essa burocracia", diz Gabriel. "O estado impôs dificuldade de ver essa mãe em vida e até mesmo depois da morte", diz Andrelina Amélia Ferreira, integrante do Movimento Mães do Cárcere.

'Preso não pode ter velório?'

Larissa perdeu o irmão em uma unidade do interior do estado em setembro de 2023. A mesma pergunta se repetiu: se o enterro ocorreria na cidade em que o presídio está localizado ou se ela buscaria o corpo. "Mesmo que ele sempre tenha dado trabalho, queria dar a ele um velório digno. Não me entregaram nada dele, nem as roupas, nem a Bíblia que ele tinha"

No caso do irmão de Larissa, os custos com o traslado e o velório foram pagos pela Prefeitura de São Paulo. Ela recorreu ao Cras. Apesar de ter a despesa de R$ 5.000 do traslado e do enterro paga, Larissa arcou com os custos do transporte dela, combustível e o caixão. A prefeitura disse que "para falecimentos fora do município, o traslado é de responsabilidade da cidade de origem". A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que faz o acolhimento de pessoas privadas de liberdade por meio dos Cras.

Projeto de lei em São Paulo quer instituir o Programa Estadual de Assistência Funerária Complementar da Pessoa em Privação de Liberdade. De autoria do deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), o projeto prevê a comunicação adequada, traslado do corpo até o município de origem e custeio de serviços funerários em geral.

Fonte: UOL