Há que se afirmar que os articulistas se
esqueceram apenas de um detalhe. Que 80% dos valores gastos com as
aposentadorias do Servidores Públicos são gastos com 20% dos mesmos, que são os
Cargos Privilegiados e que fazem com que estes números todos sofram estas
distorções. E que o restante dos Valores, ou seja, os 20% restantes são
utilizados para arcar com as aposentadorias dos 80% restante dos Servidores
Públicos, aqueles que realmente fazem o País funcionar, mas que não conseguem colocar em seus
holerites penduricalhos mil, que elevam e sobrecarregam o orçamento da União,
dos Estados e Municípios, e ao se aposentarem ficam a ver navios e com os bolsos vazios, sem ter o suficiente muitas vezes nem mesmo para a manutenção do orçamento doméstico ou ainda de sua própria saúde.
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| Servidores Públicos que realmente trabalham se aposentam e ficam como na imagem. |
Injustiça previdenciária
Aposentadorias privilegiadas para servidores públicos não são
invenção brasileira, mas, ao que tudo indica, aqui a prática tomou proporções
raras no mundo.
Uma
contribuição oportuna a respeito do tema encontra-se em estudo publicado
recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de autoria
dos pesquisadores Rogério Nagamine Costanzi e Graziela Ansiliero.
O
trabalho examina reformas previdenciárias conduzidas nos 35 membros da OCDE,
entidade que congrega países de desenvolvimento mais avançado. Boa parte delas
destinou-se a aproximar os benefícios dos setores público e privado —como o Brasil,
sob intensa resistência das corporações estatais, vem tentando fazer.
Atualmente,
conforme o levantamento, apenas quatro nações da organização (Alemanha, França,
Bélgica e Coreia do Sul) mantêm regimes inteiramente separados para seus
servidores civis, a exemplo do modelo brasileiro.
Em
17 países, as regras são as mesmas para todos os trabalhadores (excluídos
militares); em outros 14, há arranjos intermediários.
A
diferenciação de normas tem raízes históricas. Os funcionários do Estado foram,
em geral, os primeiros a receberem aposentadorias, como já ocorria em grande
parte da Europa Ocidental no século 19. Os regimes previdenciários para os
empregados na iniciativa privada só se disseminariam no século seguinte.
Aqui
e agora, a discrepância se mede em cifras impressionantes. União, Estados e
municípios gastam o equivalente a 3,9% do Produto Interno Bruto com cerca de
3,6 milhões de servidores inativos e seus pensionistas.
Já
o INSS, que atende os demais trabalhadores, desembolsa pouco mais de 8% do PIB
com uma clientela de quase 30 milhões.
Os
dois montantes são elevados para os padrões internacionais, mas o primeiro
supera até mesmo os observados em países ricos. Embora diferentes metodologias
de cálculo não permitam comparações precisas, não se conhece na OCDE uma
despesa tão elevada com funcionários públicos.
É
inadmissível, portanto, que a reforma do sistema previdenciário nacional deixe
de lado, em nome do pragmatismo político, o objetivo da igualdade de regimes.
Se
a proposta em tramitação no Congresso for reduzida à imposição de uma idade
mínima para a aposentadoria, como se cogita, haverá ainda vantagens
orçamentárias. Não será possível afirmar, entretanto, que houve grande avanço
na busca de equidade.
Fonte: Folha de São Paulo- Editoriais








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