Santa Catarina ganha tropa para atuar em situações de crise no sistema
prisional
Uma tropa de agentes penitenciários treinada para
atuar exclusivamente em situações de crise no sistema prisional catarinense,
como motins e rebeliões, está pronta para entrar em ação a partir desta
segunda-feira. Trata-se do Grupo Tático de Intervenção (GTI), que reúne apenas
os agentes capacitados no curso mais avançado de intervenção tática prisional à
disposição na Academia de Justiça e Cidadania do Estado.
O efetivo conta com 20 alunos que completaram a
formação do curso em fevereiro e deverão preencher as fileiras do grupo. A
portaria que institui a criação do GTI foi publicada na semana passada. O
documento cita a “elevada demanda” de operações integradas de segurança
prisional, a necessidade de intervenções táticas em razão de “eventos de
subversão” nos estabelecimentos penais e a “dificuldade de mobilização de
servidores especializados” para ações de intervenção tática em momentos de
crise.
A ordem executiva para a atuação da tropa foi
assinada nesta segunda feira pelo governador Raimundo Colombo, numa solenidade
de entrega de 21 viaturas na sede do Departamento de Administração Prisional
(Deap), em Palhoça. Na prática, a assinatura formaliza as atividades de um
grupo especializado entre os agentes prisionais, como ocorre com o Batalhão de
Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar, por exemplo.
— O grupo vem em processo de formação há mais de um
ano. Participaram de cursos de capacitação pela academia, além de atividades de
intervenção no Ceará e no Rio Grande do Norte. Visitaram outros grupos de
intervenção em outros Estados. Estão prontos e poderão operar em qualquer
unidade do Estado— diz o secretário-adjunto da Justiça e Cidadania, Leandro
Soares Lima.
Até então, segundo Lima, Santa Catarina não contava
com uma formação capacitada e dedicada exclusivamente às ações de intervenção.
A sede do GTI será o Complexo Penitenciário de São Pedro de Alcântara,
considerado um dos focos de maior tensão no sistema prisional do Estado, mas a
tropa deverá ser deslocada para agir em qualquer outra unidade quando for
necessário.
Uma das características mais marcantes do grupo
será o forte aparato, notabilizado pelo uso de capacetes, acessórios junto aos
coletes e por armas de cano longo. Apesar dos recursos e do treinamento
diferenciado, o secretário-adjunto evita falar em “elite” e prefere chamar o
grupo de “especializado”.
—É um grupo especializado, focado na intervenção
prisional, não tem característica multiuso. É como um seguro: a gente treina e
paga para não ter que precisar usar — diz Leandro Lima.
Associação defende reposição
de agentes
A atuação de duas grandes facções criminosas no sistema prisional
catarinense torna necessária a atuação de um grupo especializado, defende
Ferdinando Gregório Quirino da Silva, diretor de comunicação da Associação dos
Agentes Penitenciários e de Segurança Socioeducativa de SC. Mas a categoria,
diz Ferdinando, tem preocupação com a reposição dos agentes convocados para
fazer parte do GTI.
—O Estado não faz concursos públicos para repor esse efetivo. O
profissional sai de uma penitenciária para compor o grupo e não é reposto.
Temos medo de que esse mesmo grupo tático acabe futuramente por necessidade de
reaproveitamento dos servidores que estão lá — alerta.
A prática de contratações dos chamados ACTs, profissionais admitidos em
caráter temporário, também não basta para resolver a demanda de agentes — o
próprio Estado reconhece que o déficit é de pelo menos 910 profissionais.
Segundo o diretor de comunicação da entidade, parte das atribuições dos agentes
é equivalente ao poder de polícia e não pode ser exercida por um ACT.
—Falta estrutura. Não basta só investir em corpo específico, como grupo
táticos, mas também em mais unidades prisionais, mais pessoal para o
atendimento — reforça.
O GRUPO TÁTICO DE INTERVENÇÃO
FORMAÇÃO
Os agentes integrantes do GTI participaram do curso
de Intervenção Tática Prisional Avançada da Academia de Justiça e Cidadania,
com cerca de 330 horas de duração. As disciplinas incluem lições de direitos
humanos, gerenciamento de crise, chefia e liderança, Lei de Execução Penal,
noções de medicina legal e armas não letais, planejamento operacional, uso
diferenciado da força, atividade de segurança em alturas, imobilização tática,
intervenção tática prisional, noções de explosivos e prevenção de combate a
incêndio.
ESTRUTURA
O GTI ficará sediado no Complexo Penitenciário do Estado (COPE), em São Pedro de Alcântara. A hierarquia começa por um coordenador-geral, subordinado à direção do Deap, auxiliado por um
O GTI ficará sediado no Complexo Penitenciário do Estado (COPE), em São Pedro de Alcântara. A hierarquia começa por um coordenador-geral, subordinado à direção do Deap, auxiliado por um
coordenador-adjunto, um
supervisor-geral e quatro supervisores de plantão.
ATRIBUIÇÕES
-Avaliar, planejar, controlar e executar operações nas unidades prisionais, intervindo em situações de crise, como motins e rebeliões
-Planejar e executar operações de contenção e
intervenção prisional, em apoio a procedimentos nas operações integradas de
segurança e operações de rotina para a realização de revistas
-Promover reforço ostensivo por meio de rondas no
interior e exterior das unidades prisionais, por determinação do diretor do
Deap
-Segurança de autoridades na parte interna da
unidade prisional quando houver visitação aos estabelecimentos penais
ATUAÇÃO ESPECIALIZADA
A criação do GTI garante a atuação de uma tropa especializada exclusiva para ações de intervenção. Hoje, o Estado conta com outros dois tipos de grupos especializados no sistema prisional
NOT – Núcleos de Operações Táticas, baseados
em unidades prisionais. Atuam em Florianópolis, Lages e Chapecó.
SOE – Serviços de Operações e Escoltas, com base no
Deap, voltado para escoltas estaduais de alto risco e interestaduais.
GTI – Grupo Tático de Intervenção, com base em São
Pedro de Alcântara, de atribuição específica para intervenção prisional.
Fonte: DC.COM
Via: Sindpendf







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