O assassinato da vereadora Marielle Franco tem todas as características de um recado.
Ruy Castro
18.mar.2018 às 2h00
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| Missa em memória da juíza Patrícia Accioli, assassinada em 2011 - Paula Giolito/Folhapress |
Foi friamente planejado, com o requinte de carros de tocaia, conhecedores dos deslocamentos da vítima e comunicando-se entre si com os faróis. E ainda mais friamente executado, por um atirador experiente e treinado, que nem precisava ver o alvo. Marielle, apesar de militante e combativa, não tinha por que ser esse alvo —segundo consta, nunca fora ameaçada. Donde, se é um recado, o que diz e para quem?
Vide o caso da juíza Patrícia Acioli, executada em 2011 com 21 tiros no rosto e no tórax, disparados por quatro homens de capacete em duas motos, ao chegar sozinha à sua casa em Piratininga, bairro de Niterói.
Patrícia tinha 47 anos e era mãe de três adolescentes. Em dez anos como juíza, condenara 60 policiais acusados de corrupção e de pertencer a milícias ou a grupos de extermínio. Ao contrário de Marielle, Patrícia vivia sendo ameaçada e andava com escolta. Na noite do crime, por acaso —ou não— estava sem. Como os assassinos ficaram sabendo?
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| Crime está entranhado na sociedade, batalha para extirpá-lo será enorme |
Nenhum dos últimos governos preocupou-se com a segurança no país. Sob Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff, o crime cresceu à vontade e a taxas superiores às da economia. Foi-lhe permitido infiltrar-se nos órgãos que deveriam combatê-lo e, com isso, fazer parte do Estado.
Será difícil extirpá-lo sem arrancar nossas próprias tripas.
Ruy Castro
É um dos maiores biógrafos brasileiros, já escreveu sobre Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues.
Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Internet







