14 novembro 2018

Video : Polícia Civil apura maconha sintética em presídios da região

Apreendidos pedaços de papéis suspeitos de conterem o entorpecente K4







Lilian Grasiela
14/11/2018 07:00


Droga K4 apreendida com companheira de detento na Penitenciária de Junqueirópolis




A Polícia Civil investiga se pedaços de papéis encontrados recentemente em unidades prisionais paulistas durante procedimento de revista de visitantes de detentos tratam-se, na verdade, de uma camuflagem usada por criminosos para a entrada de maconha sintética, conhecida como k4, nas penitenciárias. A reportagem apurou que ocorrências do tipo teriam sido registradas em Assis, Pirajuí e Paraguaçu Paulista. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) negou apreensões da droga em presídios da região, mas não respondeu questionamento sobre o registro de casos suspeitos.

O K4 é um tipo de canabinoide produzido em laboratório que possui atividade farmacológica similar à do tetraidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha. A droga produz efeitos psicoativos parecidos com àqueles causados pela planta Cannabis sativa. Na forma líquida, ela pode ser borrifada em pedaços de papel que são utilizados como base para confecção de cigarros. Por não ter cheiro e nem cor, é difícil de ser detectada pelos agentes penitenciários.

Papéis suspeitos de conterem K4 estão sendo apreendidos nas penitenciárias da região



O JC apurou que, em Assis, visitante teria tentado entrar em uma penitenciária com pedaço de papel suspeito de conter K4 oculto no crachá de identificação. Em Pirajuí, agentes apreenderam com homem que iria visitar familiar em uma das penitenciárias dezenas de papéis adesivos, também suspeitos de serem o entorpecente sintético, em meio a rolos de papel higiênico. Em uma penitenciária de Paraguaçu Paulista, a droga teria sido achada dentro de um Sedex.

A confirmação de que os materiais apreendidos realmente se tratam de K4 depende de exames realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) da Capital. A SAP não esclareceu se os casos suspeitos citados pela reportagem foram registrados e se o laudo do IC constatou ou não a presença da droga nos pedaços de papéis. "A Secretaria da Administração Penitenciária informa que não houve apreensão da droga conhecida como K4 na região informada", disse em nota.



'TOLERÂNCIA ZERO'

A SAP afirma que sua política é de "tolerância zero" com relação à entrada de objetos ilícitos nas unidades prisionais. "Todas as unidades prisionais do Estado de São Paulo estão equipadas com aparelhos de Raio-X de menor e maior porte, além de detectores de metal de alta sensibilidade que ajudam a coibir a entrada de equipamentos e drogas, atrelados a vigilância constante dos agentes de segurança, treinados para evitar a entrada de ilícitos nos presídios", declara.

Além disso, segundo a pasta, entre agosto do ano passado e janeiro deste ano, os Centros de Detenção Provisória (CDPs), Penitenciárias e Centros de Progressão Penitenciária (CPPs) do estado receberam scanners corporais para ajudar na fiscalização. "Com esses aparelhos, é possível realizar as revistas em visitantes a partir das imagens geradas pelo equipamento, identificando possíveis ilícitos como drogas e celulares de maneira rápida e eficiente", explica.

A SAP ressalta, ainda, que os presos surpreendidos com drogas ou celulares respondem criminalmente, além de sofrerem sanções disciplinares, perdendo benefícios conquistados durante o cumprimento da pena. Já as visitas flagradas tentando entrar com objetos ilícitos nas unidades são retiradas do rol de visitas e sofrem as medidas penais cabíveis, de acordo com o órgão.


Fonte: JCNET