09 abril 2020

Governo de SP afirma estar separando novos presos para evitar Covid-19 na grande SP; e no interior quais são as U.Ps?

Em ofício à Justiça, secretário Nivaldo Restivo aponta que novos presos estão sendo colocados em isolamento de 14 dias para prevenir proliferação do coronavírus.


Por Maria Teresa Cruz
08/04/20 
Centro de Detenção Provisória do Belém I é um dos locais para onde estão sendo levados novos presos
para cumprir quarentena | Foto: Reprodução/GoogleMaps

O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, coronel Nivaldo Cesar Restivo, enviou nesta quarta-feira (8/4) um ofício ao juiz-corregedor da Justiça paulista, desembargador Ricardo Anafe, prestando contas sobre as medidas preventivas tomadas para evitar a proliferação da Covid-19 no sistema prisional (leia documento completo).

Uma delas prevê que pessoas que estão sendo presas em flagrante ou que estejam sendo levadas para a prisão em cumprimento de mandado sejam separadas do convívio comum e passem por uma observação de 14 dias. “Somente após o período e, apresentando boas condições de saúde, será autorizado o convívio em pavilhão habitacional”, diz trecho do ofício.

Para a capital e região metropolitana, Restivo informa que a secretaria destinou “duas unidades prisionais (CDP Belém I e II) para concentrar novas inclusões e, assim, favorecer a observação dos que chegam, ao mesmo tempo em que se preservam as condições de saúde do restante da população carcerária”. De acordo com o site da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP-SP), o Centro de Detenção Provisória Chácara Belém I tem capacidade para 853 detentos e hoje é ocupado por 500, enquanto a unidade II está com ocupação acima da permitida: são 906 pessoas, mas 944 vagas.

O secretário cita o reforço na prevenção por meio da higiene dos locais de grande circulação dentro dos presídios, onde foram instalados “dispensadores de álcool em gel”, melhoria na limpeza de “estruturas metálicas, viaturas de transporte e algemas”, bem como a “ampliação no fornecimento de material de limpeza e material de higiene”.

Os núcleos de saúde dos presídios, segundo Restivo, estão realizando “ações informativas e de conscientização da população carcerária quanto à importância da manutenção de hábitos de higiene para evitar contágios no interior do sistema penitenciário”. Até o momento, São Paulo não registra casos confirmados de coronavírus. O Pará foi o primeiro estado a confirmar um preso doente.
 Secretário  da pasta, Nivaldo Restivo informa que a secretaria destinou “duas unidades prisionais (CDP Belém I e II)
para concentrar novas inclusões - Imagem Governo do Estado de São Paulo

Restivo destaca que as medidas seguem as orientações das autoridades sanitárias e pretendem evitar uma “eventual disseminação do novo coronavírus junto à população carcerária, aos servidores públicos e aos demais usuários do sistema prisional, tais como advogados, voluntários, visitantes e colaboradores”.

Em entrevista a Ponte, Fábio Jabá, presidente do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo), afirmou que desconhecia o teor do ofício e que a grande dificuldade tem sido fazer com que todas as medidas sejam cumpridas. “Eles estão colocando no papel, mas faltam provas. Fizeram um vídeo em uma unidade prisional com procedimentos perfeitos, mas que isso também tem acontecido pela conscientização do corpo funcional. A gente continua recebendo relatos, principalmente da Grande São Paulo, que falta luva, que não tem máscara, que falta álcool em gel. A nossa maior guerra aqui é fazer com que a SAP proteja os servidores e o sistema penitenciário como um todo. Que a cadeia tenha equipe médica suficiente, que seja limpa com hipoclorito de sódio”, explica.

Jabá lembra que, no dia 3/4, a Justiça de São Paulo cassou a liminar que havia sido concedida ao sindicato exigindo o afastamento de servidores com doenças crônicas e que todos os funcionários do sistema prisional tivessem acesso ao EPIs (Equipamento de Proteção Individual). A alegação é de os critérios de medidas sanitárias em meio à pandemia são prerrogativa do executivo e que “não há mínima indicação de que o Estado esteja sendo omisso quanto ao combate à pandemia de coronavírus, inclusive no sistema carcerário”, escreveu Geraldo Pinheiro Franco, presidente do TJ-SP.

No final da nota publicada no site do Sifupesp, em que se anuncia a cassação da liminar, o sindicato convida os servidores a denunciarem falta de suprimentos e descumprimentos de alguma medida sanitária, ainda que anonimamente.

A Ponte questionou a SAP-SP sobre a quantidade de novos detentos que chegaram aos CDPs Belém I e II e o que serão feitos com as pessoas que já estão nas instalações, mas, até o momento, não obteve retorno.

Fonte: Ponte Jornalismo

Contraponto: 

É uma importante lembrança eles dizerem quais as Unidades Prisionais do interior é que irão receber as triagens, inclusões vindas das ruas. Mesmo porque, sim podem ter contaminados entre os novos detentos.

E não podemos nos esquecer que a região metropolitana administrada pela Coremetro abrange apenas 28 Unidades Prisionais, de um total de 176 U.Ps sendo: 08 Penitenciárias, 17 CDPS e 03 CPPs.

E então temos fora a Região Metropolitana que terá um local para os novos detentos, também:  

A Região Noroeste(CRN) com 43 Unidades Prisionais sendo: 25 Penitenciárias, 07 CDPs, 04 CPPs e 07 CRs.

Região Oeste(CROESTE)com 45 Unidades Prisionais sendo: 28 Penitenciárias, 09 CDPs, 03 CPPs, 04 CRs e 01 RDD.

Região Central (CRC) com 39 Unidades Prisionais sendo: 18 Penitenciárias, 08 CDPs, 03 CPPs e 10 CRs.

Região do Vale e Litoral(CVL) com 18 Unidades Prisionais sendo: 08 Penitenciárias, 07 CDPs, 02 CPPs e 01 CR. 

Mais os 03 Hospitais de Tratamento e Custódia Psiquiátricos

Totalizando 148 Unidades Prisionais com milhares de presos e milhares de servidores que poderão sim estar expostos as contaminações, então necessário se faz preparar Unidades Prisionais por região para receberem as novas inclusões, protegendo com tais medidas não apenas a massa carcerária, mas todo o corpo de servidores.

Um comentário:

  1. Em Parelheiros, não temos a minima condição de higiene, dispensers foram instalados mas de nada adianta se não tem alcool gel para reposição, Diretoria de saúde não distribuiu mascaras, alega que o que tem é para os funcionários da saúde e para os presos que vão em atendimento externo, continuam chegando os presos que vem direto das Delegacias, isolamento não chega a 10 dias e não tem celas suficiente para deixa-los isolados durante o periodo necessario... ou seja, discurso para ingles ver desse secretário omisso.

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