11 abril 2023

PCC pagava R$ 20 mil por mala com cocaína enviada à Europa via Guarulhos/SP

Segundo o documento, essa quantia era equivalente a mais de um ano do salário médio dos funcionários da área restrita do maior aeroporto do país. Em 2021, a faixa salarial para o cargo era de R$ 1.600 mensais.

Josmar Jozino  

Colunista do UOL

11/04/2023

Momento exato em que o terceirizado do aeroporto, e cooptado por traficantes realiza a
troca das etiquetas de bagagens das turistas brasileiras - Imagem: Reprodução/G1
Um relatório de investigação da Polícia Federal mostra que cada funcionário de empresa terceirizada recrutado por narcotraficantes para atuar no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) ganhava R$ 20 mil do crime organizado por mala de cocaína enviada ao exterior. 

Segundo o documento, essa quantia era equivalente a mais de um ano do salário médio dos funcionários da área restrita do maior aeroporto do país. Em 2021, a faixa salarial para o cargo era de R$ 1.600 mensais.

Participação do PCC (Primeiro Comando da Capital). A documentação da PF, de 2021, adverte ainda que o aliciamento de funcionários e a grande quantidade de drogas enviada ao exterior, principalmente para a Europa Ocidental, apontavam para a facção paulista. 

Momento em que os funcionários escolhem as malas que serão utilizadas para serem trocadas
as etiquetas, e que serão substituidas nas malas com cocaína - Imagem: Reprodução/G1
Um dos acusados, um operador de sistemas de bagagens de 24 anos, foi preso e condenado pela Justiça Federal de Guarulhos a 10 anos, sete meses e quatro dias em regime fechado. Na casa dele, os agentes encontraram R$ 94.295, além de uma porção de maconha.

No celular apreendido com o funcionário recrutado havia troca de mensagens e de áudios com integrantes do PCC, segundo as investigações da PF. Em um dos diálogos, o operador de bagagens conversa com um interlocutor identificado às vezes como MC e outras como Zoio. 

Dinheiro do PCC 

Os agentes apuraram que esse interlocutor era o intermediário entre fornecedores da droga e o funcionário recrutado. Zoio ou MC realizava os pagamentos para o aliciado. Segundo os policiais, as mensagens deixam claro que o dinheiro vinha do "comando", como é chamado o PCC.

Também foi verificado o envolvimento do PCC em outra investigação que apurava a participação de um operador de balanças de 45 anos e de um tratorista, 56, de uma empresa que presta serviços para companhias aéreas nacionais e internacionais. 

PCC está infiltrado em todos os níveis da sociedade brasileira, e tem atuação em todas as áreas
onde haja possibilidade de lucrar com o crime e a corrupção de agentes e pessoas em locais estratégicos
O operador de balança e o tratorista também foram presos. O primeiro foi condenado a 11 anos e cinco meses de prisão em regime fechado. O segundo pegou uma pena de oito anos e dois meses em regime semiaberto. Ele foi acusado de matar um colega que o denunciou e foi condenado em primeira instância a mais 27 anos, um mês e 15 dias em regime fechado.

Um taxista de 30 anos também acabou preso e respondeu, com a dupla, ao mesmo processo por tráfico internacional de drogas. Ele foi acusado de levar as malas com cocaína ao aeroporto e de entregá-las aos comparsas. A Justiça o condenou a 12 anos e 10 meses. 

No relatório sigiloso da PF é mencionado que cada mala recheada com cocaína rendia ao menos R$ 20 mil para cada participante do esquema de tráfico internacional de drogas —operadores, tratorista, taxista etc.

Turistas vítimas dos traficantes têm liberdade negada em 05/04/23

Ainda segundo agentes federais, essas detenções e condenações não inibiram a ação de narcotraficantes ligados ao PCC. O crime organizado vem, desde 2019, recrutando funcionários terceirizados para o envio de drogas ao exterior. Na semana passada a PF prendeu sete pessoas.

Os presos são acusados de tirar a etiqueta das malas das brasileiras Jeanne Paolini, 40, e Katina Baiá, 44, e de colocar em outras bagagens com 40 kg de cocaína. As duas são inocentes, mas estão confinadas desde o dia 5 de março deste ano em uma penitenciária feminina de Frankfurt, na Alemanha.

Ambas embarcaram no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiás, e fizeram conexão no aeroporto de Guarulhos. Depois pegaram um voo para a Alemanha. O destino era Berlim, mas elas receberam voz de prisão ao desembarcar em Frankfurt, em outra conexão.

Fonte: UOL

Vídeo: Balanço Geral

Imagens: G1

7 comentários:

  1. Pesada a sina dos menos favorecidos, são escravizados pelas potestades do poder econômico, trabalham muito para ganhar quase nada, se corrompem facilmente e são punidos com a mão pesada da justiça (ao menos para os pobres né).
    Só que desconfio de algo:
    Creio que o crime organizado infiltra estas pessoas, elas já entram no emprego sabendo que servirão as práticas ilícitas.
    Serviços de inteligência de várias partes do mundo já detectaram essa estratégia.
    Tempos atrás não saiu um boato que membros do pcc "ficha limpa" prestariam concursos públicos e também se infiltrariam na política?

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    1. Com todo respeito, mas neste caso em específico, é inocência achar que é serviço pra menos favorecidos. Pessoas como estas não tiram passaporte, não sabem se virar em um aeroporto internacional e muito menos em um país de língua desconhecida.

      É missão pra pessoas mais esclarecidas, mas que são vagabundas e querem muito dinheiro rápido e fácil.

      Já os infiltrados tem aos montes, infelizmente. Os que entram pra isto, e os que se corrompem durante a carreira pela falsa ilusão de que nunca serão descobertos.

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  2. Como eu faço para fazer o curso ostensivo de aplicação tática de pretinho na VTR?

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  3. Irmão, que inveja desses "pulica" viu. Um dia terei a honra de participar do banho coletivo lá daquela base....

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  4. A mesma piada de novo? Fala do banho coletivo tbm... Ninguém riu da última vez e nem vai rir agora... Engraçado pá karai! Muda a piada pra tentar fazer a gente rir.

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