Criminosos usam credenciais de magistrados e servidores para acessar sistema de mandados de prisão e emitir alvarás de soltura fraudulentos.
Por g1 Minas — Belo Horizonte
16/01/2026
Na terça-feira (13), tinha sido a vez da prisão de Anne Cristina Casaes, conhecida como "Dama do Crime", que passou meses foragida devido a uma fraude no sistema que emite mandados de prisão.
Mas como as fraudes beneficiaram os criminosos?
![]() |
| A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, o hacker suspeito de fraudar alvarás de soltura Ricardo Lopes de Araújo - Imagem: Reprodução |
Organização criminosas acessava sistema do Judiciário
Ricardo Lopes de Araujo, que foi preso nesta quarta-feira, é apontado pela Polícia Civil como chefe de uma organização criminosa especializada em acessar de forma ilegal o sistema do Judiciário. Ele e outros 10 suspeitos foram presos no dia 10 de dezembro durante uma operação da instituição.
De acordo com as investigações, os criminosos usavam credenciais, ou seja, logins e senhas, de juízes para acessar o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Além da emissão fraudulenta de alvarás de soltura, eles são investigados por:
*alteração de mandados de prisão
*desbloqueio de valores retidos pela Justiça
*liberação de veículos apreendidos
"Eles entravam nos sistemas informatizados do poder judiciário e lá inseriam dados com senhas de magistrados e através disso conseguiam alvarás de soltura, liberação de automóveis, liberação de valores", explicou o delegado Marcus Vinícius Lobo, chefe da divisão especializada operacional do Departamento de Operações Especiais (Deoesp).
No dia 20 de dezembro, Ricardo Araujo deixou o Ceresp Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, onde estava preso, pela porta da frente, com um alvará de soltura emitido de forma fraudulenta. Na ocasião, outros três criminosos deixaram a prisão da mesma forma. Somente um deles tinha sido recapturado no dia seguinte.
Na época, o CNJ afirmou que não houve invasão ou falha estrutural em seus sistemas. Segundo o órgão, ocorreu, na verdade, o uso fraudulento de credenciais verdadeiras, e todas as decisões falsas foram identificadas e canceladas em menos de 24 horas.
O CNJ apontou, ainda, que não foi identificado qualquer indício de falha sistêmica ou do envolvimento funcional de servidores.
![]() |
| Anne Casaes, identificada como a Dama do Crime - Imagem: Arquivo Pessoal |
'Dama do Crime'
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro prendeu Anne Cristina Casaes, conhecida como "Dama do Crime", em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, na terça-feira (13). Ela já tinha sido presa e colocada em liberdade em seguida, mas depois passou a constar como foragida.
Segundo a Agência Central de Inteligência (AGCI) de Minas Gerais, uma fraude no sistema do CNJ fez com que a "Dama do Crime" constasse como presa mesmo estando em liberdade, o que permitiu a ela ficar meses foragida.
Ainda conforme a pasta, o registro indevido do mandado de prisão só foi possível com o uso irregular de credenciais funcionais de um servidor do sistema prisional mineiro. O governo do estado não deu detalhes sobre como os acessos foram obtidos indevidamente.
Anne Cristina é apontada como uma das principais articuladoras do Comando Vermelho. Segundo as investigações, ela exercia um papel estratégico dentro da facção, sendo responsável por manter a comunicação entre diferentes estados.
Em julho de 2025, Anne foi detida em Belo Horizonte durante uma operação contra lavagem de dinheiro e articulação criminosa, mas foi solta no mesmo dia por ser mãe de uma criança que estava acamada.
Sobre a fraude que envolveu a liberdade de Anne, o CNJ afirmou que o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisão possui camadas de segurança e autenticação, mas que, em situações de comprometimento integral das credenciais institucionais de usuários, acessos podem ser utilizados de forma ilícita, sem que isso caracterize invasão ou falha do sistema.
O CNJ informou também que acompanha e registra esses episódios e adota medidas contínuas de monitoramento, rastreabilidade e aprimoramento da segurança dos sistemas.
Para especialista, sistema do Judiciário precisa de investimento
Na avaliação do advogado especialista em direito digital e professor Dierle Nunes, o sistema de dados da Justiça brasileira é robusto, mas precisa de investimentos constantes em tecnologia e em treinamento dos servidores envolvidos.
"O sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é bem rígido, é um sistema adequado, mas obviamente ele precisa ser cada vez mais sofisticado. [É preciso] ampliar a governança do seu uso, ampliar o investimento e o treinamento das pessoas para, inclusive, inibir que esses ataques obtenham êxito, porque eles continuarão ocorrendo e vão ficar cada vez mais sofisticados", afirmou.
Fonte: G1







.jpg)

É o pais que vivemos, o estado que vivemos, como pode um secretario de educação ser acionista de uma empresa de tecnologia, e essa empresa ganhar as licitações no estado que ele é secretario, como pode ministro da justiça fazer o L e depois falar que não é partidário, como pode ministro do STF estarem envolvidos como o banco que trouxe o maior calote bancário de todos os tempos no pais? é isso que o pais é, é isso que nosso estado é, essas fraudes no tribunal de justiça é um joguinho de cartas marcadas, "você me paga eu te passo minha senha e você diz que foi através de hacker que você conseguiu" simples assim, quantas liberdades dada a narcotraficantes ja foram dadas, a mais recente "andré do rap", agora apenas mudou-se o estilo, uma forma de se justificarem dizendo que foram hackeados, e o pior vão gastar milhões com atualização de sistema, ja estão gastando, desviando e justificando, transferindo esaj para eproc, tudo isso é nosso pais, nosso estado, estamos escravizados e vendidos a preço de nada.
ResponderExcluir