Segundo o Gaeco, ela mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção e chegou a atuar como advogada de alguns deles mesmo depois de empossada. Operação cumpriu sete mandados de busca em São Paulo e no Pará nesta sexta-feira (16)
Tulio Kruse
16.jan.2026
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| Delegada Layla Lima Ayub, presa em operação do Gaeco e da Corregedoria da Polícia Civil - Reprodução/Layla Ayub no Instagram |
Formalmente, ela ainda é casada com um delegado de Polícia Civil paraense. Teria se separado dele após conhecer o preso, com quem teria iniciado um relacionamento amoroso.
O que mais chamou atenção dos investigadores é que, após tomar posse como delegada de polícia, Ayub atuou irregularmente como advogada numa audiência de custódia no dia 28 de dezembro.
A ocorrência envolvia quatro presos em flagrante, que são suspeitos de integrarem o Comando Vermelho. Eles foram presos no Pará, e Ayub participou de forma virtual. Ela já havia pedido o cancelamento de sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) mas o registro na subseção de Marabá seguia ativo, segundo a Promotoria.
Ayub foi empossada como delegada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, 524 novos delegados foram nomeados.
Dedel —que é membro declarado do PCC, segundo informações repassadas pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará a autoridades paulistas— estava na cerimônia.
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| Layla tomou posse em dezembro de 2025, durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes Imagem: Montagem/g1/Reprodução |
Ao autorizar a prisão temporária da delegada Layla Ayub, o juiz Paulo Fernando Deroma de Melo, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, apontou que ela agiu com “deboche” e “ousadia absurda” ao levar o namorado, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), à cerimônia da própria posse no Palácio dos Bandeirantes.
“Se o fato já não fosse de extrema gravidade, poucas vezes vistas, Causando surpresa até àqueles que laboram na Justiça Criminal há anos, se comprovado, demonstra uma ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas quando um suposto integrante do alto escalão do PCC, com condenações criminais, suspeito de ser responsável por possíveis atentados contra a vida de juízes e outros agentes da Segurança Pública, comparece à cerimônia de posse de sua companheira como Delegada de Polícia do Estado de São Paulo que, novamente, em tese, estaria atuando em conjunto com o crime organizado”, escreve o magistrado na decisão.
Segundo o juiz, é necessário o aprofundamento das investigações, mas os indícios “são mais do que veementes, com gravações, termos de audiência, fotografias, dentre outros elementos”, que demonstram a relação dos dois.
Uma investigação do Ministério Público de Roraima já apontou que Dedel teve papel importante na expansão do PCC na região Norte do país. Uma tatuagem com o símbolo da facção, o ying-yang, também corrobora a filiação dele, segundo o MPSP.
Ele cumpria pena por integrar organização criminosa e tráfico de drogas, e estava em liberdade condicional desde novembro. Dedel e Ayub viajaram juntos de ônibus de Marabá a São Paulo no dia 4 de dezembro. A viagem motivou o pedido de prisão contra ele, já que uma das condições para a liberdade era ficar na comarca de Marabá e só sair da região com autorização do juiz.
Registros do setor de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária do Pará indicam que, como advogada, Ayub fazia visitas a vários outros presos do PCC —que não eram seus clientes, o que para a Promotoria é indício de que ela pode trabalhar em prol da facção.
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| Delegado Nico, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, fala da importância de se cortar na própria carne - Imagem: SSP/SP |
O secretário ressaltou que a advogada não tinha nenhum antecedente criminal ou qualquer histórico que a desqualificasse para o concurso, motivo pelo qual acredita que não houve falha das autoridades de segurança.
Integrantes do Ministério Público afirmam que não encontraram indícios, ao menos por enquanto, que alguma facção criminosa tenha financiado os estudos dela no curso de Direito ou para o concurso público.
Promotor do Ministério Público se referiu à presença de Jardel no evento como um "demonstrativo de audácia". "Ela é advogada, ciente de que ele está descumprindo o sistema de livramento condicional dele e ciente de que ele é um autodenominado membro da facção. Mesmo assim, leva ele na posse dela no Palácio dos Bandeirantes. Parece um deboche", afirmou ao UOL Carlos Gaya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
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Layla Ayub, advogada que havia sido recém-empossada delegada, foi presa por suspeita de ligação com o PC — Imagem: Reprodução/Redes sociais |
A operação também cumpriu sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA), expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital.
As autoridades também receberam informações de que Dedel e Ayub estavam em tratativas para tornarem-se sócios de uma padaria em Itaquera, na zona leste de São Paulo. O Gaeco investiga essa possível aquisição e se havia intenção de usar a empresa para lavagem de dinheiro.
"Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido", disse o Procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Oliveira e Costa, em nota.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo/G1/O Globo









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