Pavilhão de Brennand passa por pente-fino após suspeita de regalias. Vistorias na Penitenciária José Parada Neto são realizadas exclusivamente no Pavilhão 3, local onde fica cela do empresário Thiago Brennand.
Marcus Pontes
26/02/2026
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| Thiago Brennand: antes e depois de ter sido preso pela primeira vez, em 2023 — Imagen: Reprodução/Arquivo pessoal e SAP |
Documentos obtidos com exclusividade pela reportagem mostram que, entre as vantagens, estão uma cela reformada, “segurança privada” feita por outros detentos, benefícios em um trabalho oferecido para remição de pena e quase uma dezena de visitas diárias de advogados em todos os horários programados para visitas. A defesa de Brennand nega as regalias no presídio.
O pente-fino é feito por agentes do presídio, Corregedoria e do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) — tropa de elite da Polícia Penal. As vistorias são realizadas exclusivamente no Pavilhão 3, local onde fica a cela de Brennand. Fontes ligadas ao caso revelaram que a “penitenciária foi paralisada para a blitz”.
Brennand acumula condenações por estupro e agressão contra mulheres que resultaram em penas que somam mais de 20 anos de prisão.
O empresário foi preso em abril de 2023 após ser extraditado pelos Emirados Árabes Unidos e ficou encarcerado na Penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, conhecida como “cadeia dos famosos”, até novembro do ano passado, quando foi transferido à penitenciária de Guarulhos destinada a condenados por crimes sexuais.
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| A penitenciária José Parada Neto em Guarulhos/SP, apenas tem sob custódia temporariamente ou preventivamente acusados por crimes sexuais, e está superlotada - Imagem: Reprodução |
Regalias no presídio
Fontes ligadas ao caso revelaram ao Metrópoles que Thiago Brennand passou a receber os benefícios após o período de adaptação no novo presídio de Guarulhos, chamado de Regime de Observação (RO), que durou entre novembro e dezembro de 2025.
Em 13 de janeiro deste ano, Brennand foi enviado à cela 108 para adequação e, em seguida, movido para a 326, do raio 3, onde deveria permanecer para cumprir a pena. Lá, porém, ficou apenas nove dias. Isto porque, no dia 22 de janeiro, o empresário foi transferido novamente para outra cela por um motivo: obras emergenciais.
Funcionários ouvidos pela reportagem relatam que, entre as benfeitorias, estão pintura com tinta azul e um vaso sanitário fora do padrão das demais celas, além de um colchão especial ao empresário.
Outra regalia a Brennand citada na denúncia envolve uma suposta “segurança privada”, que seria feita por outros detentos tanto no pátio da penitenciária quanto nas idas ao parlatório para falar com advogados e outros visitantes.
Desde janeiro, Brennand está empregado em uma empresa que confecciona laços e tiaras e oferece trabalho para presos interessados na remição de pena (a cada 3 dias trabalhados, 1 dia de pena é diminuído).
Porém, segundo a denúncia, em vez de estar na “linha de frente” da confecção, Brennand teria recebido um “cargo de confiança” e desempenhado uma espécie de função de supervisor, com direito a ar-condicionado.
Outra regalia apontada diz respeito ao elevado número de visitas de advogados. Levantamento feito a partir de documentos internos mostram que Brennand recebeu 233 visitas de ao menos 20 advogados em um período de 81 dias.
Em um dos dias com mais visitas, em 27 de janeiro deste ano, foram 11 registros de oito advogados diferentes, fazendo com que ele ficasse mais tempo fora da cela. Criminalistas consultados pelo Metrópoles consideraram o número de visitas “excessivo”.
Brennand foi transferido em 12/11/2025 para P I de Guarulhos
O que dizem a SAP e a defesa de Brennand
Por meio de nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) afirmou que as denúncias levantadas com exclusividade pelo Metrópoles estão sendo investigadas pela Corregedoria da Polícia Penal. A pasta informou, contudo, que Brennand “cumpre pena em cela comum e segue todas as rotinas da população carcerária da unidade prisional”.
Em relação às visitas feitas a Brennand, a SAP afirmou que elas seguem a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) e a Lei de Execução Penal, que “não estabelecem limites para atendimentos jurídicos, desde que observados os horários regimentais”.
Ao Metrópoles, o advogado responsável pela defesa de Brennand negou que o cliente tenha regalias dentro do presídio e disse que ele divide cela com mais 14 presos e recebe visitas de inúmeros advogados, conforme as regras previstas em lei.
Fonte: METRÓPOLES
Vídeo: G1








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