27 fevereiro 2026

Diretor de presídio é preso por benefíciar detento e ter relação com mulher dele em troca de vantagens em SC

Ação foi batizada de Carne Fraca por remeter ao conjunto de vantagens indevidas envolvendo os suspeitos, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público.

Por Caroline Borges, Ânderson Silva, g1 SC e NSC TV

26/02/2026 

Diretor da Unidade Prisional, além de manter um relacionamento com a mulher do detento,
recebia vantagens como carnes em troca de beneficios para o detento - Imagem: Reprodução Redes Sociais
O diretor do Presídio Masculino de Lages, maior cidade da Serra de Santa Catarina, foi preso nesta quinta-feira (26) suspeito de conceder benefícios a um detento em troca de vantagens. Segundo o Ministério Público do Estado (MPSC), Rodrigo Barroso teria estabelecido uma relação pessoal e funcional com a companheira do apenado e passado a intervir em procedimentos ligados à execução penal (assista abaixo).

A prisão de caráter preventivo ocorreu por meio da operação Carne Fraca. O nome da ação foi escolhido por remeter ao conjunto de vantagens indevidas envolvendo os suspeitos, especialmente à entrega reiterada de carnes nobres ao agente público.

Procurada pela NSC nesta manhã, a advogada do diretor afirmou que ainda não teve acesso aos autos. A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) afirmou que o servidor foi afastado das funções e que irá apurar o caso internamente (leia mais abaixo).

“A denominação também remete, simbolicamente, à fragilidade ética evidenciada nas condutas apuradas, nas quais a função pública teria sido vulnerabilizada por interesses privados”, informou o Ministério Público.


O órgão reiterou que as vantagens oferecidas “integrariam um contexto contínuo de troca, no qual benefícios administrativos eram seguidos de vantagens materiais e pessoais”, caracterizando relação estável de reciprocidade e a utilização da função pública para atender interesses privados.

Além de corrupção, o MP apura os crimes de violação do sigilo funcional e advocacia administrativa. No total, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em locais relacionados aos fatos investigados.

Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) afirmou que o servidor foi afastado das funções.

"Paralelamente, a secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais" (íntegra no fim do texto).

As investigações tramitam em sigilo, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), que reúnem membros do MP e das forças de segurança.

Rodrigo Barroso é advogado e policial penal - Imagem: Reprodução/Redes sociais

Quem é Rodrigo Barroso?

Rodrigo Barroso tem 39 anos, é advogado e pai de uma menina. Atualmente ele mora em Lages, na Serra Catarinense e atuava como policial penal no Presídio Masculino de Lages desde maio de 2016 — onde ingressou na unidade por meio de concurso público.

Em 1º de agosto de 2022 ele foi promovido ao cargo de Diretor do Presídio Masculino de Lages. Em 2023, recebeu uma moção de aplausos pela Câmara Municipal de Lages pela “sensibilidade, empatia e solidariedade com a sociedade lageana”. A moção foi proposta pela então vereadora Katsumi Yamaguchi (PP).

Já em 2025, ele e outros policiais penais de Santa Catarina foram elogiados por meio de uma portaria estadual da Sejuri (Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social) pelo “profissionalismo e dedicação no desempenho de suas atividades funcionais” em um recambiamento feito em 3 de janeiro de 2025.

Investigação

A ação foi realizada em apoio à 15ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages, responsável pelo procedimento que deu origem à operação. As apurações indicam que os fatos teriam ocorrido entre março e outubro de 2025.

Ele atuava como diretor da unidade prisional desde agosto de 2022 - Imagem: Reprodução/Redes sociais

O que disse a Secretaria de Justiça de SC

A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que acompanhou o cumprimento dos mandados judiciais no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).

A operação apura possíveis crimes envolvendo corrupção, violação de sigilo funcional e favorecimento indevido a apenado dentro de uma unidade prisional da Serra Catarinense, tendo sido cumprido mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.

A Pasta reforça que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e que atua de forma permanente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no âmbito do sistema prisional catarinense.

O policial penal citado na investigação foi imediatamente afastado de suas funções, conforme decisão judicial.

Paralelamente, a Secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais.

A Sejuri permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e adotará todas as medidas administrativas cabíveis no âmbito de sua competência.

Já a defesa de Rodrigo Barroso disse que ainda não há uma posição oficial por não ter acesso à integralidade do processo

Fonte: G1

0 comments:

Postar um comentário

Deixe seu comentário e obrigado pela sua colaboração.