Um cabo que atuou na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é o principal alvo de um inquérito que apura o vazamento de informações sigilosas de operações da Polícia Militar para narcotraficantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
Josmar Jozino
Colunista do UOL
21/04/2026
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| Policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) de São Paulo - Imagem: Danilo Verpa/Folhapress |
Ainda de acordo com a denúncia recebida pela PM, foram beneficiados com o vazamento das informações os narcotraficantes assassinados Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, Cláudio Marcos de Almeida, o Django, e Sílvio Luiz Ferreira, o Cebola, este último foragido da Justiça.
Os três criminosos eram acionistas da empresa de ônibus UPBUs, da zona leste, alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado), órgão do MP-SP (Ministério Público Estadual), por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Proibido de frequentar o quartel
As denúncias indicam ainda que o cabo protegia os negócios e os interesses dos criminosos. Ele também é suspeito de participar de festas na casa de integrantes do PCC em uma cidade do interior paulista, onde os frequentadores andavam de moto aquática em um rio próximo.
Por causa das suspeitas de ter vazado as informações, o cabo foi desligado da agência de inteligência e transferido para outro departamento da Polícia Militar. Ele também foi proibido de circular no quartel da Rota.
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| O então cabo da PM, foi proibido de circular no Quartel, cujo Prédio da Rota se localiza na região da Luz, Centro da cidade de São Paulo — Foto: Divulgação/Rota/Facebook |
A Justiça Militar mandou abrir um novo IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar se foi o cabo quem vazou ao PCC, por R$ 5 milhões, um áudio com o teor da conversa de um informante com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um policial penal e PMs no quartel da Rota. O cabo e mais seis militares são investigados.
O outro IPM havia sido instaurado em outubro de 2024, mas acabou arquivado e tinha como alvo principal o cabo e os outros seis policiais militares que atuaram no serviço de inteligência da Rota. Um deles está preso no Presídio Militar Romão Gomes.
A reunião com o informante aconteceu em 6 de outubro de 2021. Ele foi ouvido por Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente. Um policial penal da mesma região, da estrita confiança do promotor de Justiça, acompanhou a conversa, assim como alguns PMs da Rota.
O MP-SP e a Corregedoria da Polícia Militar apuraram que o PCC pagou R$ 5 milhões para ter acesso ao áudio. O vazamento das informações sigilosas impediu as prisões dos narcotraficantes ligados ao PCC e de líderes da organização criminosa. Até agora ninguém sabe quem recebeu o dinheiro.
Fonte: UOL








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