26 setembro 2026

Holandês e colombiano rendem agentes e fogem de Bangu 08; mas são recapturados

Dois detentos escaparam do Presídio Joaquim Ferreira de Souza. Um policial ficou ferido durante a ocorrência. Gerel Lusiano Palm foi preso no Brasil por tentativa de homicídio na Holanda e, segundo apurou a TV Globo, é investigado por tráfico internacional de drogas.

Por Leslie Leitão, TV Globo

26/09/2026

O holandês Gerel Lusiano Palm fez parte da lista de procurados da Interpol e foi investigado pela
DEA, órgão norte-americano, por envolvimento com tráfico internacional de drogas - Imagem: Arquivo pessoal
O holandês Gerel Lusiano Palm, procurado pela Interpol e por tráfico internacional de drogas, fugiu neste sábado (26) do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, uma das unidades do complexo de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio. Outro preso, um colombiano, também escapou. Os dois foram recapturados. Um policial ficou ferido durante a ocorrência.

Segundo informações obtidas pela TV Globo, Gerel estava classificado como “faxina”, preso autorizado a exercer atividade laborativa, apesar de ser considerado de altíssima periculosidade. Ele e o colombiano Juan teriam aplicado um golpe conhecido como “mata-leão” em um policial penal da Corregedoria que estava em serviço pelo Regime Adicional de Serviço (RAS) e tomado a arma do agente.

Os dois presos teriam rendido o policial que estava na guarita da parte de trás da unidade. Eles subiram na guarita e desceram de “tereza”, uma corda improvisada.

Presos subiram na guarita e desceram de “tereza”, uma corda improvisada - Imagem Foto: Arquivo pessoal
Na sequência, os dois presos teriam pulado para uma área externa de acesso ao lixão. Segundo a fonte, cinco carros ligados ao Comando Vermelho (CV) aguardavam os detentos para dar apoio à fuga. Ainda de acordo com a informação, Gerel seria levado para o Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, onde ocorreria o resgate. Juan, de nacionalidade colombiana, foi recapturado logo no início da fuga.

Gerel foi localizado e preso em seguida, com apoio de um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Em nota enviado ao g1, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que a Corregedoria da Seppen vai instaurar procedimento para apurar todos os fatos.

Gerel Lusiano Palm foi preso pela Polícia Federal em 2021, aos 38 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste do Rio.

Na época, o nome dele constava na lista de Difusão Vermelha da Interpol por uma tentativa de homicídio e porte ilegal de armas. Ele também era procurado por tráfico internacional de drogas.

A prisão foi realizada por policiais federais do Núcleo de Cooperação Policial Internacional (Interpol/RJ), com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Centro de Cooperação Policial Internacional da PF no Rio.

Palm havia sido condenado pelo tribunal de Oost-Brabant, na Holanda, em 14 de janeiro de 2021, a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio doloso e porte ilegal de arma de fogo. Ele também respondia a outro processo por um homicídio ocorrido em 2015.

Segundo as informações da época, o holandês também era procurado pela DEA, órgão norte-americano responsável pela investigação de crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas.

Após a prisão, Gerel Palm foi levado para o sistema penitenciário do Rio de Janeiro, onde aguardava a extradição para a Holanda.

O holandês Gerel Lusiano Palm, de 38 anos, foi preso pela PF na Barra da Tijuca, nesta quarta-feira (07/07/2021) - Imagem: Reprodução

O que diz a defesa do holandês

Em nota, a defesa de Gerel Lusiano Palm repudiou a determinação de sua extradição para a Holanda e classificou como desproporcional a prisão do holandês, que já dura cinco anos no Brasil. Os advogados negam qualquer ligação dele com o Comando Vermelho ou com organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas no Rio.

A defesa afirma ainda que Palm é casado com uma brasileira e pai de duas crianças, uma delas com uma grave malformação do sistema nervoso central, que necessita de cuidados médicos permanentes.

Segundo os advogados, a extradição não poderia ser executada enquanto estiverem pendentes os pedidos de asilo territorial e de reconhecimento da condição de refugiado. A defesa também sustenta que há uma determinação internacional para suspender a entrega de Palm à Holanda e questiona a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os advogados afirmaram que recorrerão às instâncias nacionais e internacionais para tentar impedir a extradição.

Colombiano condenado a 40 anos por matar policial e holandês tentam fugir de presídio de Bangu no Rio e são recapturados - Imagem: Divulgação

Holandês procurado pela Interpol e colombiano condenado por matar policial: quem são os fugitivos de Bangu 8

Os dois detentos que fugiram na tarde deste sábado do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, em Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, acumulam condenações por crimes graves e histórico de atuação no tráfico internacional. O holandês Gerel Lusiano Palm, conhecido como “Holandês”, já foi alvo da Interpol e da agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA), enquanto o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos de prisão na Colômbia pelo assassinato de um policial e é apontado como integrante do Cartel de Medellín.

O holandês ligado ao Comando Vermelho

Gerel Palm foi preso pela Polícia Federal em julho de 2021, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, para cumprimento de um mandado de prisão com finalidade de extradição. Na época, seu nome integrava a lista de Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar foragidos internacionais, e ele também era procurado pela DEA por suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de droga.

A captura foi realizada por agentes do Núcleo de Cooperação Policial Internacional (Interpol/RJ), com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Palm havia sido condenado pela Justiça de Oost-Brabant, na Holanda, a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Além dessa sentença, também respondia a outro processo por um homicídio ocorrido em 2015. Desde que foi preso no Brasil, aguardava no sistema penitenciário fluminense a conclusão do processo de extradição.

Luciano de Lima, policial penal também conhecido como 'Bonitão' - Imagem: Reprodução

Investigação apontou suposta rede para barrar extradição

O nome do holandês voltou ao centro das investigações da Polícia Federal em 2024, durante a Operação Anomalia, que apura uma suposta articulação do Comando Vermelho para impedir sua entrega às autoridades holandesas.

Segundo o inquérito, o ex-secretário de Governo Alessandro Pitombeira Carracena teria coordenado um esquema envolvendo o delegado federal Fabrizio Romano, a advogada Patrícia Carvalho Falcão — responsável pela defesa de Palm — e o policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”.

Delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano foi preso na Operação desencadeada pela Polícia Federal - Imagem Reprodução
De acordo com os investigadores, a esposa de Palm teria entregue R$ 150 mil em espécie para viabilizar um pedido de refúgio que impediria a extradição. A PF afirma que Fabrizio Romano e Luciano teriam recebido R$ 15 mil cada como adiantamento e que outros R$ 150 mil seriam pagos a cada um caso o plano fosse bem-sucedido.

A investigação teve origem na análise dos celulares de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, e de Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor do traficante TH Joias. Os investigados respondem por suspeitas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Colombiano condenado por matar policial

Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado pela Justiça colombiana a 40 anos de prisão pelo assassinato do policial Juan Camilo, cometido em 2010. Conforme as investigações, ele devia cerca de 10 milhões de pesos colombianos ao agente e teria planejado o homicídio para evitar quitar a dívida.

Após o crime, fugiu para Santiago, no Chile, onde permaneceu até 2016. Naquele ano, passou a viver no Rio de Janeiro.

Segundo investigações das polícias Civil e Federal, Juan Estebán integra o Cartel de Medellín e atuava como elo entre a organização criminosa colombiana e traficantes brasileiros envolvidos no comércio internacional de drogas.

Presos subiram na guarita e desceram de “tereza”, uma corda improvisada - Imagem: Reprodução

Alerta da Interpol

O colombiano foi identificado durante uma investigação da 11ª DP (Rocinha), que apurava o tráfico de drogas na comunidade da Zona Sul. Os policiais descobriram que ele frequentava a região, mas não encontraram registros em bancos de dados nacionais.

Ao consultar a Interpol, as autoridades brasileiras confirmaram que Juan Estebán estava na lista de alerta vermelho e era procurado pela Colômbia. A prisão ocorreu na casa de sua companheira, na comunidade da Muzema, na Zona Oeste, em uma operação conjunta das polícias Civil, Federal e da Interpol, após mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal.

Fonte: G1/ Jornal O GLOBO

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