14 setembro 2026

Médico do PCC que ajudou a executar paciente em hospital é condenado a 20 anos de prisão

Alexandre Pedroso estava de plantão no Hospital Santo Amaro no dia do assassinato. Outros dois suspeitos de envolvimento no crime também foram condenados.

Por g1 Santos

11/09/2026

Médico ortopedista foi condenado por envolvimento na execução do paciente em Guarujá/SP - Imagem: Reprodução
O trio acusado de envolvimento na morte de Gilianderson dos Santos, paciente executado a tiros dentro de um hospital em Guarujá, no litoral de São Paulo, foi condenado a mais de 20 anos de prisão por homicídio qualificado e organização criminosa. Um dos réus é o médico ortopedista Alexandre Pedroso, que estava de plantão na unidade de saúde no dia do assassinato. A defesa dele disse que vai recorrer da decisão.

O crime ocorreu em uma das entradas do Hospital Santo Amaro (HSA) em abril de 2022. Câmeras de monitoramento do local mostram o momento em que dois homens de capacete invadiram o local e atiraram contra o paciente, que estava em uma cadeira de rodas (assista abaixo).

Médico Alexandre Pedroso Ribeiro, já havia sido condenado a oito anos de prisão por tráfico
de drogas flagradas em sua mansão - Foto: Reprodução e Divulgação/Polícia Civil
O médico Alexandre Pedroso é apontado por envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e já tinha condenação por tráfico de drogas. Ele aparece nas imagens do hospital e foi acusado pela polícia de facilitar a alta do paciente e indicá-lo para os comparsas, no dia do crime ele se encontrava de folga, e compareceu apenas para dar suporte aos assasinos.

A investigação da Polícia Civil, comandada pelo delegado Thiago Bonametti, apontou que os tiros foram disparados por Sandro Vieira Conceição, conhecido como 'Patinho', que chegou ao hospital na garupa de uma motocicleta conduzida por Vitor Hugo Assunção, apelidado de 'Pikachu'.

A execução fazia parte de um 'tribunal do crime' e teria contado com a participação de outros dois suspeitos, ainda não identificados (entenda mais abaixo).

Câmera filmou o crime

Penas

Os três acusados foram submetidos a júri popular entre quarta-feira (9) e quinta-feira (10), no Fórum de Guarujá. Todos foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Confira a pena de cada réu:

Alexandre Pedroso Ribeiro (médico que facilitou o crime): 20 anos e 5 meses de prisão, em regime inicial fechado, e pagamento de 16 dias-multa;

Sandro Vieira Conceição (atirador): 22 anos, 4 meses e 24 dias de prisão, em regime inicial fechado, e pagamento de 16 dias-multa;

Vitor Hugo Assunção (motociclista que levou o atirador e fugiu com ele): 23 anos e 14 dias de prisão, em regime inicial fechado, e pagamento de 16 dias-multa.

Ao g1, o delegado Thiago Bonametti explicou que a pena de Vitor foi maior porque ele tentou fugir da prisão e fez ameaças aos policiais.

Médico foi preso pouco mais de 30 dias do assassinato

Motivação

Segundo a investigação da Polícia Civil, Gilianderson era alvo do "tribunal do crime" do PCC sob a acusação de estuprar uma mulher. A polícia, no entanto, nunca encontrou a suposta vítima do crime sexual e jamais confirmou essa hipótese.

A vítima já havia sofrido um atentado dias antes de ser morta. Na ocasião, o homem foi baleado, sobreviveu e foi socorrido ao Hospital Santo Amaro. Desta forma, os criminosos foram até a unidade de saúde para terminar a execução.

A investigação policial aponta que o médico Alexandre Pedroso, do setor de ortopedia, adiantou a alta hospitalar do paciente, que estava no setor de trauma. Ele é acusado de levar Gilianderson até a saída de emergência enquanto se comunicava com os criminosos, principalmente com Sandro.

Em 2021, a Polícia Civil apreendeu mais de 60 kg de drogas escondidas na mansão do médico,
em Guarujá/SP - Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Defesas

A advogada Tatiana La Scala, que representa o médico, informou que pretende recorrer da sentença.

"A defesa do réu Alexandre entende que a sentença do Conselho de Sentença é manifestamente contrária à prova dos autos e interporá o competente recurso de apelação", afirmou, em nota.

O g1 não localizou os advogados dos demais réus até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1

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