17 janeiro 2018

ATÉ QUANDO RESISTIREMOS A ESTES PSEUDOS-ADMINISTRADORES? A República do Tucanistão segue firme

Do Oiapoque ao Chuí, as históricas oligarquias perderam poder nos estados. Só uma se mantém de pé, a do PSDB em São Paulo



Diego José da Rosa* — 
publicado 17/01/2018 03h00

Alckmin arruma a casa para o próximo tucano?





Imagine um lugar comandado por mais de 20 anos pelo mesmo partido, no qual as instituições responsáveis pela fiscalização da ordem pública se tornam servas dos governantes, onde seu povo parece resignado e prefere reclamar da situação dos outros.

Não falamos da Rússia. Mas do maior estado brasileiro, São Paulo, a dita locomotiva do Brasil, comandado há 23 anos pelo PSDB. Geraldo Alckmin, o atual governador, ocupa o poder há 15 anos (vitória em três eleições, além dos anos em que ocupou o poder após a morte de Mário Covas).

Nessas duas décadas de comando tucano, assistimos ao crescimento do PCC, ao sucateamento da educação e da segurança pública, incompetente em seu dever de nos proteger, mas violenta na repressão aos movimentos contrários ao “modus operandi” tucano.

Imagens que falam por si só......Capez, Alexandre de Moraes então Secretário da Segurança e Alckmin



Fora isso, os indícios picantes de envolvimento de integrantes do governo em escândalos de corrupção, como o caso da merenda e do metrô. Onde estão as instituições – a mídia, o Judiciário e o Legislativo – responsáveis pelo controle, investigação e punição dos desmandos de qualquer governo? Teoricamente independentes, estas instituições fogem de seu dever ao ter uma relação de compadrio com aqueles que deveria fiscalizar.

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Imagens que falam por si só......Alexandre de Moraes, Alckmin, Temer e Capez






A mídia se contamina e vira cúmplice ao proteger os lideres tucanos paulistas. Quando não conseguem esconder, as mazelas aparecem em tímidas notas de rodapé no fim da página. Assim, fica a pergunta: onde estão as manchetes em letras garrafais em jornais ou as capas tenebrosas em tom de vermelho com o rosto do governador atrás das grades?

Outro ator importante na guarda dos direitos do cidadão e dos interesses do Estado se tornou hoje mais um “puxadinho” do governo tucano. O Poder Judiciário e o Ministério Público têm se mostrado bem vagarosos em denúncias de corrupção a envolver tucanos, quando estas não são arquivadas, como no caso da denúncia de que o cunhado de Alckmin transportou dinheiro de propina da Odebrecht ao governador em prol do favorecimento de obras em solo paulista.


 Essa relação de lealdade do Judiciário com o tucanato paulista se explica com as benesses orçamentárias dadas pelo Executivo, conforme mostrou a revista CartaCapital em sua edição 963.
Este é o lema dos Neo-liberais, dividir, desestruturar e desacreditar para dominar






Outro “puxadinho” tucano é o poder responsável pelo julgamento das contas do governador e pela fiscalização dos seus atos: o Legislativo. Com mais de 80% da bancada ao seu lado, o governador consegue o bloqueio de comissões de inquérito, que tentam, em vão, investigar denúncias de corrupção, como foi visto na CPI da Merenda.

Por fim, o povo paulista, que apesar de parecer indignado com a corrupção em Brasília, conforme visto nas ondas de protestos, parece se esquecer do seu próprio estado, onde nenhum movimento popular surge a pedir a derrubada dos tucanos por seus desmandos.


Nem mesmo o clamor popular foi capaz de punir os supostos denunciados em CPI instalada na Alesp








 E isso é ainda pior nas cidades do interior. A população fica à mercê dos políticos locais, que sustentam boa parte da força do tucanato, se abastecendo desses feudos para manter o poder. Assim, nas eleições, basta uma verbazinha a mais nas contas municipais ou uma pavimentação de uma estrada municipal para a população sorrir e “votar conscientemente”.

Parte da responsabilidade é dos partidos de oposição. Apáticos, são incapazes de se organizar e mobilizar a população, Chegou 2018. Em dez meses teremos eleições. Provavelmente São Paulo elegerá mais um tucano. A não ser que os partidos de oposição saiam de sua inércia e se apresentem à população de forma clara. Caso contrário, continuaremos a viver no Tucanistão.

Oremos e lutemos para que ele não consiga o poder máximo





Fonte: Revista Carta Capital

Imagens: Internet