17 janeiro 2018

Incentivo à criação de polos industriais perto de penitenciárias está em análise na CCJ do Senado Federal

Um projeto de lei que incentiva a criação de polos industriais nas proximidades dos complexos penitenciários está  na pauta de votações da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).



 

Da Redação  
17/01/2018


O senador Acir Gurgacz é autor do projeto que pretende contribuir para a qualificação profissional de presidiários






 A ideia do senador Acir Gurgacz (PDT-RO), autor do projeto (PLS 239/2015), é de que esses espaços sejam compostos por empresas que contribuam para a formação profissional e o exercício de atividade laboral pelo condenado.

A proposição altera a Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) para determinar que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão celebrar convênio ou parceria com a iniciativa privada, para possibilitar a construção de instalação próxima ao complexo penitenciário e a implementação de sua linha de produção, devendo a empresa, após o início de suas atividades, formar seu quadro de empregados com, no mínimo, 30% de condenados.

O texto estabelece também que a matéria-prima utilizada na linha de produção de empresa será isenta de qualquer espécie de tributo. E prevê que a remuneração para o condenado que exerça atividade laboral não poderá ser inferior a um salário mínimo. O projeto ainda exclui a necessidade de cumprimento de um sexto da pena, constante da legislação atual.

Presos trabalhando em oficina escola em São Paulo





Na justificação, Acir Gurgacz argumenta que a sociedade não pode e não deve arcar com o alto custo decorrente da manutenção de condenados nos estabelecimentos prisionais. A solução seria, então, incentivar o trabalho do preso, para que ele próprio suporte as despesas, que incluem alimentação, conservação da unidade prisional, investimentos tecnológicos de segurança e construção de novas unidades, fora os salários dos agentes prisionais.

Substitutivo

O senador Roberto Rocha (PSB-MA), relator da matéria na CCJ, apresentou texto substitutivo ao projeto para propor que o limite máximo de presos seja de até 20% do pessoal empregado, “por questões de segurança”. No entendimento dele, a oferta de trabalho deve alcançar também o preso em regime fechado. “Caso contrário não haveria sentido em limitar espacialmente o incentivo às indústrias instaladas nas proximidades dos presídios”, argumentou.

Presos trabalhando em oficina escola em São Paulo





Além disso, Roberto Rocha discorda da supressão da exigência de cumprimento de um sexto da pena, pois impediria a avaliação da disciplina e da responsabilidade do condenado. Ele também é contrário à elevação da remuneração mínima do preso de três quartos para a integralidade do salário mínimo, pois “funcionaria como desincentivo à sua contratação como empregado”.

O relator ainda sugere que os incentivos fiscais sejam feitos por lei específica, não cabendo a inclusão do benefício da isenção na Lei de Execução Penal.

Custos

Com a quarta população carcerária do mundo, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil gasta em média R$ 2,4 mil por mês para cada preso. Esse valor varia de acordo com a região do país, a estrutura e a finalidade da unidade prisional. Nas penitenciárias federais, administradas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o custo de cada preso é de cerca de R$ 4 mil.

Os recursos para a manutenção do sistema prisional vêm do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), que é composto de dotações orçamentárias. Em 2017, o montante foi de pouco mais de R$ 690 milhões.

Presos trabalhando em oficina escola em São Paulo










Fonte: Agência Senado

Imagens : Funap/SP